terça-feira, 4 de março de 2008

Mais perto de Deus

(foto e artigo da responsabilidade do Diário Insular, publicado na revista do passado fim de semana, o qual gentilmente nos foi cedido e autorizado a sua publicação aqui neste nosso espaço).

Romeiros

Caminhos de fé

Ao longo de cinco dias e pelo segundo ano consecutivo, os romeiros percorreram as estradas da Terceira, recuperando uma tradição que existiu na ilha até finais do século XIX. Ao todo, foram mais de 200 quilómetros de caminho e oração, pelas intenção dos irmãos e pela paz no mundo.

“O homem moderno tem necessidade de Deus e vai buscá-lo às religiões e às filosofias de vida. Na nossa terra, onde há uma grande tradição católica, procura-se estas manifestações de fé muito simples, como o rezar e o andar por intenções que nos pedem”, sublinha o Padre Dinis Silveira, contra-mestre do grupo de romeiros da ilha Terceira.

As vozes roucas cortam o silêncio da manhã, entoando em uníssono a “Ave-maria”. Caminhando e orando desde as 04h00 da madrugada desta quarta-feira de Fevereiro, os 34 irmãos chegam agora, volvida uma meia dúzia de horas, à Quinta do Galo, na freguesia da Terra Chã, em Angra do Heroísmo, onde lhes espera uma canja de galinha e uma broa de milho para afagar o estômago. Sobre os ombros, o xaile escuro, simbolizando o manto de Cristo, e o lenço colorido, representando a coroa de espinhos, protegem do frio. Às costas, a saca com o farnel é a cruz que cada um tem de carregar. Nas mãos, o bordão e o terço.
Organizado em fila dupla, o grupo de romeiros da Terceira transpõe os portões da propriedade e dirige-se à pequena e simples capela, pintada de branco. Nos rostos, serenidade, apesar do cansaço. Já no interior da ermida, rezam pelas intenções dos donos da casa, dos irmãos que foram encontrando pelo caminho e pela paz no mundo. Será assim nos 120 templos que visitarão ao longo dos cinco dias de peregrinação.
A tradição das romarias quaresmais - que existiu na ilha até finais do século XIX - foi retomada pelo segundo ano consecutivo. “A Terceira teve romarias e isso prova-se pelas casas de romeiros que ainda existem em freguesias como o Porto Judeu, Santa Bárbara e Serreta”, refere o Padre Dinis Silveira, contra-mestre do grupo, que tem a seu cargo, em conjunto com o mestre, toda a logística da peregrinação.
“Trata-se de uma tradição alicerçada na fé de um povo massacrado pelas intempéries e pelos vulcões e que regressa agora, na modalidade de São Miguel, com uma grande adesão”.
Um entusiasmo que, segundo o pároco, tem também uma justificação: “O homem moderno tem necessidade de Deus e vai buscá-lo às religiões e às filosofias de vida. Na nossa terra, onde há uma grande tradição católica, procura-se estas manifestações de fé muito simples, como o rezar e o andar por intenções que nos pedem”.
Pelas localidades que percorrem, os romeiros recebem pedidos de oração por um familiar doente, um amigo carenciado ou, simplesmente, pela paz da humanidade. “Já vem muita gente pedir intenções, formando-se uma corrente de oração muito grande”, sublinha o Padre Dinis Silveira, neste momento de pausa.
“A juventude também já vai aderindo, porque o mundo criou muita coisa, mas também gerou um vazio muito grande, que leva muita gente a procurar Deus”.
Os romeiros da Terceira acordam todos os dias pelas 03h00 e caminham até às 18h00, pernoitando depois em casas familiares ou em salões paroquiais. As refeições são oferecidas pela população ou compradas nas mercearias locais. Por onde passam, os peregrinos - todos homens, como dita a tradição - sentem “grande afecto e carinho das pessoas”, destaca o contra-mestre do grupo.
“Quase todas as refeições são oferecidas, assim como as dormidas nas freguesias, o que demonstra que isto veio para ficar. Hoje de manhã, por exemplo, vimos muita gente nas janelas, o que é sinal de alguma coisa…”

“Força interior”
Entre os 34 irmãos que percorrem as estradas terceirenses, seguem cinco vindos especialmente da Graciosa para o efeito e dois de São Miguel. Bruno Espínola, um jovem natural da ilha branca, teve conhecimento da iniciativa através de um grupo de paroquianos do Padre Dinis Silveira e decidiu pôr em prática a sua “relação com Cristo”.
“É um bom exercício de reflexão e de encontro com a fé, bem como uma forma de levarmos algumas tradições aqui da Terceira para a Graciosa”.
Para o irmão graciosense integrar esta romaria oferece, sobretudo, “uma grande paz”. “Cada um se encontra, individualmente, na esperança com Deus”.
A preparação para a longa caminhada é, essencialmente, “psicológica”, considera. “É algo que vem de dentro de nós. Logo que sentimos que é isto que queremos, conseguimos. É uma questão de força interior”.
Já António Furtado, oriundo da maior ilha açoriana, é um habitué nas romarias quaresmais de São Miguel. Este ano, no entanto, optou “por uma experiência nova e por conhecer uma romaria noutra terra”.
“É uma semana espiritual, que nos faz bem”, enfatiza.
Questionado sobre as eventuais semelhanças ou diferenças entre a tradição terceirense e a micaelense, garante que “é igual”.
“Apesar de lá ser quatro vezes maior, é a mesma coisa. Rezamos as mesmas orações e o terço…”
Para trás, ao longo destes cinco dias, ficam “a família, o trabalho e o stresse do dia-a-dia”, salienta.
“Carregamos novas pilhas, para começarmos de novo o ano mais purificados e com o espírito muito bom”, explica, concluindo, sem pestanejar: “Vale a pena”.
Depois da pausa para retemperar energias, os romeiros – dos 13 aos 56 anos de idade – põem-se novamente a caminho. Ao todo, percorrerão mais de 200 quilómetros, numa verdadeira jornada de fé."

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Mateus 18:1-5

Foto de Luis Nunes
"1 Naquela hora chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus?
2 Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles,
3 e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
4 Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
5 E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta, a mim me recebe."

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Experiência de Deus

Foto de Luis Nunes

Como já alguém se pronunciou sobre o assunto, ”as romarias quaresmais, são uma experiência de Deus intensa”.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Reportagem da RTP-Açores

Foto de João Costa/Fotaçor

Aqui fica o link para a reportagem da RTP-Açores feita aos Romeiros.

Dias Grandes

Foto: João Costa/Fotaçor
Os dias de Romaria são grandes. Grandes em duração, desde as três da manhã às dez da noite; grandes também em tempo porque cada momento concentra memória interpretada do passado, a oportunidade sempre única do presente e a projecção expectante do futuro. É como se a escala do tempo tivesse profundidade e âmbito em cada instante concentrando ali todo o infinito. Na verdade, como nos sugere o Padre Dinis conseguimos caminhar para o infinito porque cada momento é potencialmente infinito.
O espantoso do mistério da criação do Homem é que esse “infinito instante” é concretizado em cada um dos nossos gestos, atitudes e palavras. Mas como é que podemos concentrar todo o infinito num só gesto, numa só atitude ou numa só palavra? Concentrar o Mundo num só grito, como nos diz Florbela Espanca na canção de Luís Represas? A poetisa sabe como é, e diz! “É amar-te assim perdidamente, é seres alma e sangue e vida em mim, e dizê-lo cantando a toda a gente!”
E se pusermos a devida maiúscula nesta maravilha começamos a compreender o drama feliz do mistério. “É amar-Te assim perdidamente, é seres alma e sangue e vida em mim, e dizê-lo cantando a toda a gente!”. E a maravilha é que a maiúscula pode ser minúscula porque no instante infinito do gesto de amor Deus é o outro.
Tudo isto parece bonito e poético quanto baste, mas como é que é possível concretizá-lo todos os dias. Ao longo de meia romaria fomos conversando com uns com os outros e percebendo melhor as ideias que nos são dadas de Graça.
Primeiro, ajuda muito rezar. O Padre Dinis disse-nos para orar dialogando com Deus para além de rezar dizendo Avé-Marias e Pai Nossos. Mas o silêncio do não discernimento imediato, a amargura da confusão distraída da nossa mente e a presença exigente da nossa liberdade fazem-nos fugir para a reza fácil e trauteada, ao som batucado dos passos e com o cenário holliwoodesco de uma paisagem bonita. E a verdade é que essa reza trauteada dá sinais de nos ir protegendo contra o que pensamos ser pecados mais graves ao mesmo tempo que nos abre janelas momentâneas de felicidade. E o mundo parece correr nesta rotina bem comportada e tendencialmente moralista do pedir sem escutar. Tudo parece direitinho assim, e até a criação sociológica do mundo, como o entendemos - com pais, irmãos, mulher, amigos e colegas, companheiros de equipa e compatriotas – parece ser conforme esta recomendação elementar da reza sem oração.
No entanto existem todos os outros. Aqueles que referenciamos com facilidade para exemplificar julgando os sinais da nossa moralidade limitada e julgadora. Pelo menos foi assim que, com o tempo de um burro, entendi o aviso que me deram dizendo que “as referências são tramadas” e que, perante a minha estupefacção defensiva, que “temos que aprender as lições da humildade”.
Tramado é o orgulho, percebi mais tarde; esse que, supostamente, nos dá a identidade que nos constitui e nos dá pertença, mas que efectivamente ofende e distancia os outros. Mas como é possível viver sem esse orgulho que julgamos constitutivo e essencial? Ou, dito de outra maneira, como é possível viver com humildade e, ao mesmo tempo, ... dizê-lo cantando a toda a gente?
Da conversa que tive com o Padre Dinis ao longo do caminho que vai de São Sebastião até à Barraca pareceu-se entender duas coisas. No mundo passam ambos pela relação com os outros. Por um lado na assunção da obediência, percebendo como as crianças o fazem que é essa obediência que nos aumenta a liberdade. Mas é difícil ser-se adulto e ao mesmo tempo criança e obediente. Por outro lado pelo entender daqueles que nos criticam e aparentemente não gostam de nós. Afinal de contas são os que são feridos e se sentem e reagem contra o nosso orgulho. Se entendermos isso e se perdoarmos, talvez consigamos ser mais humildes sem deixar de dizer cantando a toda a gente.
(artigo publicado no "A União" na Segunda-Feira, dia 25 de Fevereiro de 2008, por Tomaz Dentinho)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

6º dia da Romaria

Depois destes 5 dias de romaria, hoje começa o 6ª dia, o 1º dos restantes dias deste "ano quaresmal". É a partir deste dia que o verdadeiro romeiro dá o seu testemunho, onde quer que vá, com quem quer que fale.

O video acima foi filmado no escuro da noite, como escuro está o coração de muitas pessoas que, por esta ou aquela razão, não o querem abrir para Cristo e sua Mãe Maria Santissima. Quem sabe, na oração ouvida não sintam, de novo, o Seu chamamento.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Apenas...

E em jeito de interregno durante os próximos 5 dias, aqui fica uma imagem, não para contemplar ou adorar (como é obvio) mas sim, para pensar...não na imagem mas sim n´Ele.