segunda-feira, 13 de abril de 2009

6ª feira Santa

"6ª Feira Santa
Local: Sé de Angra
Hora: 20:00

Este ano e, na denominada Semana Santa, o rancho foi agraciado com o convite para integrar as festividades deste dia, nomeadamente, a Via-sacra e a procissão do Senhor morto, um momento alto para todos nós Católicos.
Para além do dito convite, que muito nos honrou, a nós e á paroquia de onde partimos e chegamos, qual não foi o nosso espanto e regozijo de, ter cabido a nós, meras ovelhas de um rebanho maior, levarmos a imagem do Senhor morto.
Depois de mais uma romaria de fé, esperança e (re) descobertas, foi um culminar “em grande” da semana santa. Para além daqueles que a transportavam, também os irmãos que a ladeavam, sentiam nos seus corações, a Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ali ia o Senhor morto mas, nos nossos corações sentíamos a Fé viva de que a Ressurreição existe, de que Jesus Cristo deu a vida por nós todos, sem excepção e sem divisões, sejam de cor, sexo, raça ou (pre) conceitos. Ali ia o Senhor morto sim mas, também nós sabemos e sentimos que, um dia morreremos desta vida para outra, mais gloriosa e com a graça de Deus, a ressurreição dos mortos."


Um irmão como os demais.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Crise e o Espirito Santo


"O Bispo de Angra e Ilhas dos Açores disse na sua mensagem de Páscoa que a solução para a crise que afecta a humanidade está no Espírito Santo. De facto foi isso que nos foi ensinado desde pequenos mas é isso mesmo que temos dificuldade de integrar no dia-a-dia das nossas vidas. Por um lado mantemos o mesmo sentido religioso que é comum a toda a humanidade. No entanto temos uma dificuldade em assumir a presença de Cristo junto de nós por intermédio do Espírito Santo. E, talvez por isso, nos custa perceber como é que a solução para a crise está no Espírito Santo, como nos anuncia e lembra Dom António.
O anúncio do parece ainda mais insólito quando confrontamos o carácter global da crise financeira e económica com o âmbito local e regional dos efeitos expectáveis das palavras do Bispo de Angra. Como é que uma crise de carácter global se resolve com a reacção dos açorianos à mensagem pascal do seu prelado? A resposta é paradoxal mas é a única possível ao desafio lançado pelo prelado. A crise só é ultrapassável se nos Açores e no Mundo formos capazes de assumir a presença vivificante de Cristo. E, se essa presença transformadora for reconhecida por cada um de nós, o testemunho que daí resultará produzirá efeitos para toda a humanidade.
As palavras do Bispo de Angra podem também ser interpretadas como uma avaliação ex-post da crise em que estamos mergulhados. A crise existe porque nos esquecemos de Cristo e a crise persistirá enquanto não nos relembramos d’ Ele. Nesta perspectiva não bastam as medidas de estímulo para repor a economia mundial propostas por Barack Obama e mais ou menos propagandeadas pelos jornalistas do sistema. Na verdade essas políticas conjunturais servem fundamentalmente para repor o sistema anterior mas não abordam as razões das suas falhas estruturais.
Podemos discutir até à exaustão quais são as causas estruturais do sistema em crise. No entanto Dom António lembra-nos que as crises existem e perduram quando esquecemos Cristo presente no meio de nós. Cristo que, conforme nos foi ensinado, é a Verdade e a Vida. E, assim perspectivado, é mais fácil identificar em que medida o sistema político e económico em que vivemos é contra a Verdade e contra a Vida, não só nos Açores mas em grande parte do mundo.
O sistema político económico é contra a verdade quando assume que é possível explicar a realidade de forma consequente apenas com os instrumentos parciais dos paradigmas científicos que, aliados às capacidades de intervenção dos mais poderosos, esquecem a dimensão cognitiva, ao mesmo tempo complementar e unificadora, da Fé. É certo que quem acredita sem razões para o fazer tende a ser idólatra; mas quem tem razões para arriscar acreditar e não o faz tende a ser supersticioso e a substituir Cristo por quimeras tão vagas, moralistas ou exclusivistas como o Farisaísmo ou Islamismo Inquisitorial, o Cientismo Falseável, o Holocausto Nazi, a Utopia Soviética, o Sonho Americano ou os Ciclos Umbilicais e Estratificados do Oriente.
De facto o sistema em que vivemos é estruturalmente contra a verdade quando não se coíbe de adulterar o sentido das palavras normalmente com a conivência dos meios de comunicação social e dos políticos. A liberdade de escolhermos o que nos liberta é substituída pela liberdade de escolha do que nos escraviza. A fraternidade que expande o amor vivido na família a toda a humanidade é transformada em elos secretos de curibecas que minam a sociedade e a família. A igualdade de todos diante de Deus é facilmente adulterada como a igualdade entre os cidadãos da mesma casta, do mesmo país e da mesma geração o que se autojustifica e mantém com a destruição e morte daqueles que excluem: as crianças, os velhos, os ciganos, os imigrantes, os africanos, os iraquianos, os palestinianos, os afegãos e por aí fora. E porque o sistema é contra a verdade é também contra a vida. E porque é contra a vida é autodestrutivo. Daí a crise intrínseca dos sistemas sem Deus como nos lembra Dom António, Bispo de Angra e Ilha dos Açores."

Um irmão como os demais

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Testemunho II


PORQUE VOLTEI À ESTRADA?

Porque voltamos à estrada apesar do desconforto, das dores, do cansaço, da fadiga e da exaustão? Porque as compensações que encontramos ao virar de cada esquina são desmesuradamente maiores.
Nesta Romaria chorei algumas vezes amargamente, outras emotivamente, outras de tristeza por me sentir tão pouca coisa mas ao mesmo tempo descobri que embora tenha 30 defeitos tenho porventura 300 virtudes (desculpem-me a imodéstia) senão o Senhor três vezes Santo não me teria feito à sua imagem e semelhança.
Essas ocorrências emocionais tinham por vezes lugar ao entrar nas Igrejas e, porquê questionava-me…Porque à medida que a Romaria ia decorrendo ia-me tornando mais sensível por encontrar Jesus em cada pessoa que me cruzava pedindo por orações, orações, orações… até uma menina de 8/9 anos me questionou se poderia orar pelo seu avô…
Devido à circunstância especial que desempenhei nesta Romaria e no contacto com as pessoas atrasava-me cerca de 200, 300 metros às vezes mais do rancho e, era aí que me emocionava fortemente, por ver ao longe o rancho e sentia o que o comum das pessoas sentia ao ver aqueles homens cantando estrada fora.
Por outro lado, ao meditar na angustia e dor de muitas pessoas que se abeiravam de mim ao ponto de me abraçarem como se fosse alguma criatura sobrenatural e mais não era que um pelintra pecador como os outros.
Eu vi o rosto do Senhor em cada rosto sofredor, tive esse privilégio e essa ventura, por isso valeu a pena porque as minhas dores comparadas com as de Jesus Cristo não são nada.

Um irmão como os demais.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Testemunho I


“Na passada 3ª feira a minha mãe ligou-me a dizer que depois de tantos exames feitos e de já estar preparada e mentalizada para a quimioterapia/radioterapia, que no dia anterior a médica tinha-lhe dito que a situação estava estabilizada, ou seja, fazer ou não fazer seria decisão dela. Como já não é teenager e estando estabilizada a situação, não será necessário fazer até que, eventualmente “desperte”. Fiquei tão feliz. Vi que as orações de todos que os que me têm apoiado, em particular na romaria "surtiram" efeito.
O que mais mexeu comigo foi o facto de que, depois da minha mãe me ter dado aquele novidade, senti na minha cabeça as seguintes palavras:
" - Não acreditas em mim? " e numa fracção de segundo ter respondido que sim.
Não sei se foi apenas sugestionado ou...algo bem mais Poderoso, no entanto obrigado a todos."

Um irmão como os demais.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Não temos tempo!


Na semana passada decorreu a terceira romaria do Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Angra. Foram cinco dias a caminhar e a cantar, visitando as muitas igrejas e capelas da Ilha Terceira. Cinquenta homens a rezar cantando tentando aprender e viver aquilo que há muito se faz em São Miguel na mesma busca de sentido para a vida e de melhoria do serviço ao próximo.
Foi uma romaria com muito bom tempo mas, estranhamente, com muitas notícias de mortes e doenças de pessoas que nos eram relativamente próximas. Talvez por isso nos tenhamos apercebido do carácter marcadamente passageiro da vida terrena e da importância de viver cada momento e cada local como se fosse o último, sabendo que Deus encarnou e está ali e aqui connosco.
Uma das ideias chave com que ficámos foi de que não temos muito tempo para nos distrairmos ou divergirmos do sentido fundamental da vida. E para que nos mantenhamos atentos é muito importante a oração. Porque com Nosso Senhor temos capacidade para amar e perdoar apesar de todas as imperfeições. Porque com Nosso Senhor temos coragem para testemunhar a fé apesar do carácter falho e pecador dos protagonistas.E o testemunho dá-se na família, no trabalho e na política. Na família parece por vezes mais fácil porque é mais reconhecida a presença de Deus no meio das rotinas familiares. Basta olhar e ver. Basta alegrarmo-nos com os gestos naturais mas conscientes das pequenas dádivas. Basta, ao fim e ao cabo, transformar as rotinas em fidelidades criativas e criadoras. O facto é que não temos muito tempo para nos distrairmos dessas fidelidades simples pois rapidamente os filhos crescem e os adultos envelhecem.O testemunho no trabalho é porventura mais complicado mas é também essencial para a vida das empresas e seus fornecedores e clientes. Sobretudo é essencial para que cada um de nós conserve e promova o testemunho de Cristo nos vários aspectos da vida. É pelo testemunho que o esforço para ganhar um salário se transforma num esforço para servir os colegas de trabalho e os seus clientes. É pelo testemunho que o conflito aparente da negociação ganha sentido no processo produtivo e criativo. É também pelo testemunho de Cristo que tem fundamento a defesa da justiça e da seriedade nas actividades internas e externas das empresas.
O testemunho na política é marcado por dois dados históricos importantes. Por um lado as palavras de Cristo de dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Por outro lado o facto incontornável de que grande parte dos mártires testemunhais de Cristo resultaram do assassinato protagonizado pelos muitos Césares que se foram impondo aos povos ao longo dos tempos. Na verdade quando o poder dos Césares é exercido contra a humanidade acaba por esbarrar com os verdadeiros testemunhos de Cristo.Por isso os Césares tentam eliminar esses testemunhos por diversos meios. Primeiro pela adulteração, segundo pela tolerância, terceiro pela exclusão e, finalmente, pela execução. Adulteram quando advogam valores que desvirtuam, toleram quando se assumem superiores, excluem quando se amedrontam com a semente vivificante das minorias testemunhais, e executam quando podem fazê-lo pela calada de um aborto ou de uma eutanásia, pelo silêncio de uma emigração, pela amargura de uma destruição familiar estimulada por lares, creches e escolas sem espaço para o amor do próximo ou, in extremis, e em alguns países, pela execução sumária dos que testemunham. A tentação que os Césares têm é a mesma que temos todos os dias de querermos ser sem Deus. Não percamos tempo na busca de Ser de Deus, apesar de falhos e pecadores.

terça-feira, 31 de março de 2009

Já basta!



O nosso ilustre contra-mestre da III Romaria da Nossa Senhora da Conceição de Angra no dia do encerramento proferiu uma homilia de se tirar o chapéu, como há muito não ouvia nem via, nem pelos mais proeminentes teólogos da nossa praça e arredores, por isso a assembleia presente granjeou-o justa homenagem. Homilia desassombrada como S. Paulo.
JÁ BASTA disse, e repetiu para quem quis ouvir de sermos cristãos católicos “de meia tigela”, do “faz de conta”, de “meias tintas”.
JÁ BASTA de passivamente assistirmos de braços cruzados ao avanço desmesurado de alguns que pretendem destruir os valores da nossa cultura milenar cristã assobiando para o lado como se nada tivesse a ver connosco.
JÁ BASTA de permitirmos o avanço da desagregação da família e dos seus valores sem nada fazermos para evitar.

Que fazer?
Façamos como Jesus. E o que fazia? Amava! Amava, amou e ama de mil formas e maneiras.
Não quis ser um espectador passivo das feridas e fracassos do seu e nosso tempo, com a oferenda da sua existência, compartilhou a sorte dos pobres e solidarizou-se com a situação dos marginalizados em que se acham os excluídos da sociedade.

Que fazer?
Quando procedermos como Cristo ante os juízes e acusadores com silêncio, paciência e dignidade…
Quando soubermos perdoar como Ele perdoou
Quando soubermos calar como Ele calou
Quando não nos interessar o prestigio a não ser a glória do Pai e a felicidade dos irmãos
Quando soubermos arriscar a pele ao nos comportarmos com valentia (como o nosso bom contra mestre) e audácia como Cristo, quando estão em jogo interesses do Pai e dos irmãos, enfim,
Quando formos sinceros e verdadeiros, como foi Cristo diante de amigos e inimigos, defendendo a verdade até à exaustão ainda que à custa da própria vida (nem que nos cortem a língua) sempre pela verdade e justiça.

Jesus Cristo irá nascendo e crescendo em nós e através de nós à medida que vivamos, como Jesus Cristo, despreocupados de nós mesmos e preocupados com os demais, como Jesus que nunca se preocupou consigo mesmo, sem tempo para comer, para dormir ou descansar.

As palavras que o Padre Dinis proferiu no encerramento da nossa III Romaria não podem ficar sem eco, não podem ser mais umas. As palavras ali proferidas ainda ecoam nos nossos corações foram muito importantes para serem esquecidas, não podem ficar esquecidas, JÁ BASTA de ficarmos passivamente expectantes.
Vamos ao trabalho, arregacemos as mangas não há tempo a perder, há pouco tempo para o muito que há que corrigir e refazer.

Um irmão como os demais