quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A recitação do terço do rosário num Rancho de Romeiros



Artigo publicado no jornal "A União" no passado Sábado dia 1 de Agosto.


“Durante os longos dias de caminhada, a nossa alma sustenta-se no poder da recitação do terço”.

Esta minha pequena afirmação, ainda que possa parecer para a maioria das pessoas, uma frase feita ou uma frase pomposa cheia de folhos mas vazia de conteúdo ou significado, está completamente enganada. Não que nós sejamos diferentes, nada disso, mas todos aqueles que, em romaria, peregrinação ou no dia a dia recitam o terço, sentem precisamente o mesmo.

Dia após dia, o terço vai rodando na mão vezes sem conta, enquanto contamos as contas que o terço tem. Tal como o mundo que vai girando sem fim, assim é o nosso terço durante estes dias, enquanto que a Cruz, essa permanece de pé, sem vacilar. O terço é quase como uma extensão da Cruz onde cada um de nós, nas suas orações desempenha um papel de “Cirineu” em relação a Cristo. Não só aliviamos as Suas dores como especialmente as de todos nós/vós, meros pecadores.
A recitação do terço, quase ininterruptamente durante a caminhada, torna os quilómetros em metros, torna as passadas cansadas em passadas de descanso, torna visível o invisível.
A recitação do terço propicia assim uma atitude muito simples, que faz com que, ao mesmo tempo que pronunciamos com os lábios as Ave-Marias, o fundo do nosso coração fica unido ao Senhor. Deus chama-nos deste modo a rezar esta oração vocal mantendo o coração numa simples atenção amorosa para com Ele, em Jesus, com Maria.
Depois desta breve introdução das graças obtidas na oração, e ainda que a recitação do terço feita por nós seja um pouco diferente, essa diferenciação apenas se prende na tradicional “Avé-Maria dos Romeiros” cantada num ritmo lento onde cada silaba tem um peso e o tom de voz é triste e melancolico, é o reflexo da viagem sacrificial que fazemos, é o reflexo do Calvário, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta Avé-Maria dolente, movida pela aflição e pela fé de cada um, dos seus, do mundo e dos pedidos que são feitos ao rancho, promove o reencontro entre todos os irmãos na sua expressão mais simples, a humildade. A oração promove, igualmente, o nosso/vosso reencontro com Deus. Oração muitas vezes sofrida, mas sentida. Muitas vezes chorada, mas cheia de esperança. Muitas vezes muda, mas cheia de fé. Recitamos o terço desta forma porque, como romeiros, existimos materialmente apenas na quaresma, exteriorizando a nossa fé, ainda que espiritualmente vivamos o resto do ano uma romaria mais interiorizada.
Termino dizendo que, como Romeiro que cada um de nós é (Cristão, mesmo o que aparentemente possa não crer), “vivemos no Sábado, o dia sem nome. Vivemos entre a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Páscoa, vivemos entre a promessa e o cumprimento da mesma.”* assim, durante este Sábado (que me atrevo a chamar de Sábado da Esperança) de caminhada, sustentemos a alma com a recitação do Terço.


* Excerto retirado do livro de Philip Yancey “O Jesus que eu nunca conheci”

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A simbologia do traje de Romeiro

Artigo publicado no jornal "A União" de hoje.

"Depois de três anos de romarias pelos caminhos desta Ilha Terceira (após um longo interregno nas mesmas), ainda constato que muito boa gente nos vê como pessoas um pouco diferentes, não seria exagero se dissesse que nos vêm como pessoas malucas, não só por “andarmos de madrugada até ao fim do dia sempre a rezar” como principalmente “pela maneira ridícula” de nos vestirmos. Quanto a isso, e no meio de um terço cantado, ainda ouço alguém dizer:
-Olha, levam um xaile e um lenço como a minha avó usava (risos), ou,
- Olha aqueles ali, parecem uns camelos com uma bossa nas costas (risos) ou ainda,
- De bordão na mão deviam era ir trabalhar nas vacas (risos).

Poderia ainda enumerar mais alguns apelidos ou imagens cheias de imaginação com que somos conotados, no entanto, esta minha opinião não é para julgar aqueles que não sabem o porquê desse mesmo traje, mas sim para elucida-los (para além dos muitos anónimos que nos estimam, acarinham e nos pedem orações) sobre o significado simbólico que está patente para além da roupa, que nos reporta na sua totalidade à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual seguimos humildemente a Sua Cruz durante os dias de romaria, em penitência dos pecados pessoais, dos nossos familiares, dos que nos pedem e dos de todo o mundo.

Quando apareceram os primeiros ranchos de romeiros há séculos atrás, o traje que usavam teve a sua origem nas necessidades puramente físicas do romeiro em peregrinação pela Ilha. O bordão servia para o apoio em caminhos inóspitos e acidentados. O xaile e o lenço para os proteger do frio e das intempéries que se faziam sentir, principalmente nas madrugadas, no entanto, no tempo quaresmal, dada a estação do ano, por vezes esse frio e chuva fazia-se sentir durante todo o dia. O lenço também servia, nos dias quentes e solarengos para proteger as cabeças do sol abrasador que por vezes se faz sentir. Quanto à saca ou cevadeira, servia para transportar alguns alimentos para os dias de romaria assim como alguma muda de roupa. Para além disso levavam dois terços, sendo um ao pescoço e outro na mão oposta ao do bordão. Ontem como hoje, este trajar manteve-se inalterado, salvo pequenas adaptações á realidade dos nossos dias.

Com o decorrer dos tempos, ainda que não se consiga precisar quando, esta maneira peculiar de trajar, passou a ter um significado místico-religiosa. Cada uma dessas peças passou a ter um simbolismo dentro da Paixão de Cristo, a saber:
- O bordão relembra-nos o ceptro entregue a Nosso Senhor Jesus Cristo pelos romanos aquando do Seu julgamento por Pôncio Pilatos (quando lhes mostrou Jesus Cristo coroado de espinhos, com uma cana verde nas mãos a servir-lhe de ceptro);
- O xaile simboliza a túnica de Jesus Cristo (São João 19 1Então, Pilatos mandou levar Jesus e flagelá-lo. 2Depois, os soldados entrelaçaram uma coroa de espinhos, cravaram-lha na cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura; 3*e, aproximando-se dele, diziam-lhe: «Salve! Ó Rei dos judeus!» E davam-lhe bofetadas.”);
- O lenço simboliza a coroa de espinhos, usada por Jesus Cristo (São João 19 5Então, saiu Jesus com a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Disse-lhes Pilatos: «Eis o Homem!»);
- A saca ou cevadeira simboliza a cruz de madeira, carregada por Cristo até ao Calvário (São João 19 17Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota, 18onde o crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio. 19*Pilatos redigiu um letreiro e mandou pô-lo sobre a cruz. Dizia: «Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.»);
- O terço do rosário simboliza a união entre os membros do rancho de romeiros e é utilizado para a oração no decurso da romaria (O terço é cantado e rezado com concentração, força e devoção. Rezar é uma forma de mostrar louvor a Deus. É uma acto de fé).

Termino desejando que com estes esclarecimentos, nos anos vindouros, quem nos vê como pessoas um pouco diferentes, já nos veja com outro olhar, neste culto predominantemente Mariano e que (quem sabe) se junte a nós numa próxima Quaresma, trajando toda esta carga simbólica em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Maria Santíssima."

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Romeiro e o mistério das romarias

Artigo publicado no passado dia 1 do corrente no jornal "A União"


O que levará um punhado de homens a abdicarem do conforto caseiro pelas adversidades do tempo no dia a dia?
O que levará homens de barba rija a trajarem roupas de aspecto antigo e a beirar quase o ridículo, segundo os padrões dos nossos dias?
O que levará uma mão cheia de homens a levantarem-se pela madrugada, caminharem até ao entardecer e durante vários dias consecutivos?
O que levará estes degredados filhos de Eva a pararem, cantarem e rezarem, quer chova ou faça sol em todas as casas de Nossa Senhora da ilha onde caminham?
O que levará estes filhos de Deus a passarem pelos dedos contas do terço ininterruptamente?

Sinceramente, deve ser algo quase transcendente, sem ser milagroso.
Sinceramente, deve ser alguma coisa que, em vez de os cansarem a cada passada que dão, ajuda-os a caminhar o dobro.
Sinceramente, deve haver algo mais que o meramente visível e palpável para eles abdicarem de tudo e de todos, e entrarem num retiro tão peculiar como este que é passado ao ar livre.
Sinceramente, deve ser uma experiência fabulosa e gratificante para, ano após ano, voltarem à estrada com um sorriso nos lábios e um brilho especial nos olhos.

Definitivamente a Sagrada Família caminha lado a lado com eles.
Definitivamente o Divino Espírito Santo ilumina-os.
Definitivamente Deus Nosso Senhor está especialmente com eles.

Posto isto, estas interrogações, afirmações e divagações, chego à conclusão (ousada por certo) que os Romeiros, são uma devoção Mariana, impregnados do aroma das brumas que cobrem as ilhas.
Posto isto, estas interrogações, afirmações e divagações, chego à conclusão (ousada por certo) que a Irmandade dos Romeiros, foi talhada no tempo e no espaço do basalto rude e negro de que é constituído o arquipélago para um propósito superior.

Por último, o mistério das romarias e dos homens que as fazem, reside no simples facto de que, por imensos oceanos que se escrevam sobre o assunto (como este), são apenas pequenas gotas de orvalho matinal, contrastando com o mar aberto e profundo das emoções sentidas e vividas por cada romeiro.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Apresentação do Livro


“É POSSIVEL VIVER ASSIM?”
UMA ESTRANHA ABORDAGEM À
EXISTÊNCIA CRISTÃ
Volume II — Esperança
Luigi Giussani


No próximo dia 26 de Junho,
pelas 15H00, será realizada a apresentação
do livro É possível viver
assim?, da autoria de Luigi Giussani,
a qual terá lugar no anfiteatro
do Pico da Urze da Universidade
dos Açores.
A apresentação do livro será feita
pelo Padre João Seabra, pároco
do Movimento Comunhão e Libertação
em Portugal.
“É POSSIVEL VIVER ASSIM?”
UMA ESTRANHA ABORDAGEM À
EXISTÊNCIA CRISTÃ
Volume II — Esperança
Luigi Giussani

No próximo dia 26 de Junho,
pelas 15H00
, será realizada a apresentação
do livro É possível viver
assim?, da autoria de Luigi Giussani,
a qual terá lugar no anfiteatro
do Pico da Urze da Universidade
dos Açores.

A apresentação do livro será feita
pelo Padre João Seabra, pároco
do Movimento Comunhão e Libertação
em Portugal.

É possível viver assim? mostra-nos de forma espontânea, séria e leal que a descoberta
da vida como "vocação" não se produz por dedução ou pensamento desligado da
existência, mas que é revelada por uma experiência vivida segundo a razão iluminada
pelo Mistério.
O livro acompanha o itinerário percorrido durante um ano por Don Luigi Guiussani,
em diálogo com uma centena de jovens, decididos a comprometer a sua vida com
Cristo na forma de dedicação total ao Mistério e ao seu destino na história: aquilo que
a Igreja chama "virgindade".
Nesta obra quis-se manter o tom e o estilo desses diálogos, uma vez que testemunham
um modo valioso de encarar a vocação – vista como o problema humano por excelência
– e também a maturidade de convicção e afecto que pode suscitar em cada um.
Don Luigi Guiussani leva-nos a compreender a fé cristã como algo interessante, e,
mais ainda, como o destino da vida.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Fátima continua a revelar coisas que eram secretas para nós


"Estive em Fátima nos primeiros dias do mês de Maio num retiro do Movimento Comunhão e Libertação. No ambiente de Fátima é mais fácil rezar. Na circunstância de um retiro é mais fácil pensar. E foi entre o rezar e o pensar que passei aqueles três dias de sol, de peregrinos e de Nossa Senhora. Se repararmos na multidão de pessoas diferentes que por ali passaram naqueles dias é manifesto que o sentido religioso está presente em todos homens. E quando por vezes estamos mais distraídos ou mais medrosos, há sempre alguma coisa bem real que nos remete para o mistério. No mistério somos de facto um só. Basta olhar para o lado, ou nem sequer olhar mais sentir que a perplexidade face ao mistério é partilhada por todos os que estão à nossa volta. Esse sentimento parece mais presente naqueles lugares de peregrinação mas a razão dá-nos a certeza de que essa mesma unidade misteriosa com todos os homens se verifica em todos os tempos e todos os lugares.
É nessa inevitabilidade de partilha e união misteriosa que é sentida a necessidade de perdão e comunhão; e espantosamente de libertação. O momento para a decisão da confissão, que se segue a tempos mais ou menos longos de angústia e arrependimento, é sempre repentino, como se a busca de perdão e de comunhão fosse ajudada pela Graça. O problema é que estamos longe dos tempos, dos espaços e das predisposições onde essa Graça é mais fácil de entender. Não dá jeito aqui e agora, e assim vamo-nos privando da alegria imensa e certa que a liberdade traz. É por isso que são importantes os silêncios e as caminhadas a que a Igreja vai chamando de retiros e peregrinações.
Neste retiro que vos falo houve três aulas de apresentação e uma aula para responder a dúvidas. Pelo meio houve espaço para pensar, para rezar e também para conversar. E nunca destoa um pastel de nata num daqueles cafezinhos que foram surgindo em Fátima a acompanhar sistematicamente o aumento dos peregrinos e a redução da sua sazonalidade. A primeira aula foi sobre a Circunstância. E o recado resume-se ao facto de que “as circunstâncias pelas quais Deus nos faz passar são factores essenciais e não secundários na nossa vocação”. E justificou dizendo que “se o Cristianismo é o anúncio de que o Mistério encarnou, então a circunstância é um factor crucial do testemunho de Deus. E concretiza que “a crise, o terramoto, as mais diversas formas de dor, e as leis que deixaram de defender o bem” são parte inolvidável dessa circunstância de que não podemos e não devemos fugir. Mas dá-nos esperança dizendo - num perfeccionismo de linguagem de raiz italiana - que a vida não é uma tragédia que faz acabar o tudo no nada; pelo contrário a vida é dramática porque é a relação entre o nosso eu e o tu de Deus. Deus que, paradoxalmente, nos chama através da circunstância. Só assim se entende a dor e o sofrimento: pelo espectáculo da Ressurreição depois de uma semana de Paixão; pela maravilha do amor que surge da circunstância de um terramoto; pela alegria mais corriqueira de uma boa nota depois do esforço do estudo. “Comovemo-nos e, por isso, movemo-nos”, também ouvi dizer por lá.A segunda aula teve que ver com a clarificação de que o Cristianismo não se restringe a uma ética do bem e do mal, ficando para a ciência a definição do verdadeiro e do falso. Essa visão do iluminismo restringe o Cristianismo ao sentido religioso presente em todos os homens, e ofusca a visão de Cristo na realidade da nossa circunstância. In extremis anula a incarnação de Nosso Senhor, impede-nos ver o testemunho de Deus no mundo e distrai-nos da sede de infinito de cada homem com a sua circunstância. Como é que caímos neste engano de separar o bem da verdade quando são os factos que nos comovem são os que movem o coração que tem sede de infinito?
A terceira aula foi sobre como a obediência ao coração nos transforma em co-criadores. Não há dúvida de que Fátima continua a revelar coisas que eram secretas para nós!"
Texto retirado daqui da autoria de Tomáz Dentinho

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Feliz 35º Aniversário



Fará no próximo Domingo (dia 19 de Abril) 35 anos que Francisco Dolores Monteiro Borges de Medeiros foi ordenado Padre. Ordenou-se em 19 de Abril de 1974, na Matriz de Nossa Senhora da Assunção de Vila do Porto.

O Rancho de Romeiros vem aqui desejar-lhe publicamente um Feliz Aniversário e que Nosso Senhor o Ajude sempre a levar este rebanho de católicos pelos caminhos rectos da Santa Igreja e que o Espirito Santo o ilumine como até agora o tem iluminado.

Convidam-se, igualmente, todos os Cristãos a comparecerem na missa do próximo Domingo pelas 12:00, no Santuário de Nossa Senhora da Conceição. Melhor do que qualquer prenda material, ver a "sua paróquia cheia até à cunha" será um modo de agradecermos tudo o que ele tem feito em nome de Jesus Cristo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Romeiros da Sagrada Familia




I
Pelas cinco da madrugada
Cheios de esperança e devoção
Puseram-se todos à estrada
Os Romeiros da Conceição

II
Quatro de S. Miguel vieram
Quatro da Ilha Graciosa
Os outros restantes eram
Desta Ilha tão maravilhosa

III
E os outros três que me faltavam
Que sempre nos acompanharam
Com grande amor e fé
São a razão do meu ser
È a força do meu viver
Que é Jesus, Maria e José

IV
Ser Romeiro é partilhar
È ser Cristão e ter confiança
É ter muito amor para dar
E no futuro muito esperança

V
Visitamos todas as igrejas
Nalgumas ajoelhamo-nos a teus pés
Meu Deus, bendito e louvado sejas
Por serdes misericordioso como és

VI
E depois de muito andar
Com sacrifício, mas com alegria
A Santa Bárbara fomos pernoitar
No final do primeiro dia

VII
Ò meus Deus, ó meu Jesus
Como sóis bom do coração
Deixastes-te pregar na Cruz
Pela nossa Salvação

VIII
Jesus é paz, Jesus é amor
Jesus é vida, Jesus é alegria
Jesus é Filho do Nosso Senhor
Que nos céus nos unirá um dia

IX
Maria que um dia chorou
Quando alguém crucificou
O seu único e amado filho, Jesus
Rogai por nós, os Romeiros
Que um dia seremos os primeiros
A ajudar-te a levar a Cruz

X
E no final do segundo dia
Com muito amor e alegria
À Agualva fomos dormir
Com algum cansaço, mas confiança
E novamente com muita esperança
Que um novo dia iria surgir

XI
Andamos de noite, andamos de dia
Percorremos ruas, canadas e outeiros
Fizemos uma grande romaria
Somos aqueles a quem chamam romeiros

XII
Rezar, na verdade um dever é
O terço á virgem com alegria
Manterás acesa a tua fé
E viverás melhor cada dia
Importante também seria
Recordar com muito amor

O filho da Virgem Maria
Senhor Jesus, nosso senhor

XIII
Muitas reflexões fizemos
Que tocou no nosso coração
Muitas coisas até tivemos
Dadas pelo nosso irmão

XIV
E no Porto Martins, alinhados
Depois, de algum tempo descansarmos
Para iniciar-mos a fase final do dia
Muita gente nos esperava
E era a ver quem nos levava
Para albergar a romaria

XV
Falamos de coisas banais
Falamos de coisas de mais profundo
Recordamos nossos irmãos e pais
E dos que já não estão neste mundo

XVI
E foi no final do quarto dia
Quando alguém de bom coração
Apareceu para nos dar guarida
Na sua casa em S. Sebastião

XVII
Da Maria Vieira ao farol
Como a passo de caracol
Rezando num silêncio profundo
Ai como o nosso amor a Deus mudou
Até o irmão Isaías chorou
Ao dar o seu testemunho

XVIII
Pedimos graças a Deus
Pedimos pelo nosso defunto
Pedimos pelos filhos seus
Pedimos pela paz do mundo

XIX
E quando chegamos à igreja da Sé
Meu último pedido foi feito
Para que Deus aumentasse a minha fé
E amar-lhe com maior respeito

XX
Oh meu Deus como és amigo
Como és puro do coração
Deixas-me conversar contigo
Na hora da minha oração

XXI
Pedimos pelo Papa e pelo Bispo
Pedimos pelo seminarista e sacerdote
Para quem tenham temor a Cristo
Como nós temos da morte

XXII
Nossas pernas já cansadas
Mas o coração cheio de alegria
Como é bom seguir as pegadas
Do teu filho Virgem Maria

XXIII
Um obrigado ao irmão mestre
Pela humildade que tiveste
De saber conduzir a romaria
Descanso eterno para os teus ausentes
Saúde à esposa e filhos presentes
Felicidades p`ro resto da vida

XXIV
Ao irmão contra-mestre o meu louvor
Por ele ser o nosso bom pastor
E do seu rebanho saber cuidar
Que Deus lhe conserve a sabedoria
E o amor que tem ao filho de Maria
Só como ele sabe adorar e amar

XXV
Finalmente na Conceição
Aonde a romaria começou
Quanto custou despir do irmão
Que connosco caminhou

XXVI
E para estes versos finalizar
E como era de esperar
Foi o final da Romaria
Deus vos dê saúde e sorte
Fé, esperança até á hora da morte
È o que vos pede o filho de Maria

XXVII
A todos os Irmãos Romeiros
Que percorrem vales e outeiros
Nesta caminhada espectacular
Que seja sempre louvado
Jesus Cristo crucificado
Que morreu par nos salvar

Um irmão como os demais.