quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Reuniões preparatórias para a Romaria de 2010


As reuniões acima mencionadas decorrerão no edificio de catequese da paroquia, sito na Rua do Cruzeiro, com inicio pelas 20:00.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Reunião de Romeiros

Informam-se todos os irmãos e eventuais interessados de que o Rancho de Romeiros irá recomeçar as suas reuniões preparatórias para a saída na Quaresma no ano de 2010, no próximo dia 23 do corrente, no edificio da Igreja da Conceição sito na Rua do Cruzeiro.
Qua

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O silêncio na caminhada do Romeiro

Artigo publicado hoje no Jornal "A União"

“O silêncio tem duas faces. Tanto pode ser ensurdecedor ao ponto de romper os tímpanos, como pode ser sublime ao ponto de elevar a alma a Deus.”
É com este meu pensamento modesto (já que sem o apoio do Espírito Santo, nada consigo escrever), que hoje gostaria de vos falar sobre o silêncio que é praticado na caminhada de uma Romaria.

Vivemos num mundo cheio de sons, os quais em vez de se unirem harmoniosamente, se dessincronizam criando não música mas barulho.
Vivemos numa era onde aparentemente há horror ao silêncio, como tal não podemos, nem nos deixam, apreciar a beleza do silêncio. O silêncio não é apenas a ausência de sons ou ruído, o silêncio, acima de tudo, é algo que temos de construir dentro de nós.
Neste mundo onde reina o barulho incómodo, os ruídos estridentes, ou os sons inoportunos, é salutar à mente e á alma criar-se tempo e espaço, onde o silêncio seja Rei e Senhor, onde sintamos ao de leve os “escutos” de Nossa Senhora, os segredos de Jesus Cristo e os sussurros de Deus, pois é no silêncio que Ele nos fala e se nos revela (Cf. 1Rs 19,11-13).
Nós (meros pecadores), durante a romaria e para além da recitação do terço em voz audível, melancólica mas melodiosa, também temos uma quota-parte desse silêncio benéfico e salutar. Também tiramos tempo ao tempo e damos espaço ao espaço para exercitarmos o dom que provem do silêncio, tão importante quanto a prática da palavra.
Como citei mais acima, é no silêncio orante das nossas vidas que Deus se revela e nos fala. Ele quer dialogar connosco como nós queremos dialogar com os nossos amigos, mas se não temos tempo para conversar com Ele, para ouvi-lO, será justo da nossa parte querermos que Ele nos ouça?
Se desejamos ardentemente o dialogo com Ele (e até muitas vezes prometemos fazer isto ou aquilo, como se de uma troca de favores se tratasse), porque será que na maioria das vezes apenas queremos um monólogo a dois?
Poderemos dizer (a nós mesmos) que o excesso de tarefas diárias leva-nos a isso, mas essas desculpas também podem ser uma fuga para não dialogarmos com Ele e connosco mesmos. Engraçado que encontramos sempre tempo para tudo, menos para Deus.Atrevo-me a dizer (e contra mim falo) que, se calhar muitos de nós, durante 365 dias, apenas tiramos 5 dias para dialogarmos com Ele, num diálogo aberto e franco. No entanto, tal como uma pedra que é lançada á agua, são criadas “ondas de propagação” dentro de nós, dentro das nossas almas, que nos levam a desejar durante os restantes 360 dias, tirarmos tempo ao tempo e darmos espaço ao espaço, para novamente dialogarmos com Ele. Talvez seja esse bichinho (benéfico) que nos vai corroendo por dentro, que leva muitos de nós, ano após ano a voltar, a deixar tudo para trás para, nesses momentos de oração e silêncio entre irmãos, podermos de uma forma, “talvez” mais Cristã, voltar ao Pai por breves segundos (da eternidade Divina) e alimentarmo-nos do preciosíssimo corpo e sangue de Jesus Cristo. Cristo que é o verdadeiro modelo dos cristãos na atitude de silêncio orante (Cf. Mt 14,23; Mc 1,35; Lc 9,18; Jo 6,15). Ele que veio para manifestar o mistério da salvação de Deus, “envolvido em silêncio” nos séculos eternos (Cf. Rm 16,25). Que todas as comunidades aprendam, pois, de novo a ser silenciosas e voltem a percorrer o caminho de Cristo, na intimidade mais profunda com o Pai e na plenitude mais viva do Espírito Santo.
Termino esta já longa “divagação” convidando todos os homens de Fé e Esperança a participarem na próxima romaria, para viverem este e outros mistérios de Deus Nosso Senhor.

“O silêncio é oração...”

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A recitação do terço do rosário num Rancho de Romeiros



Artigo publicado no jornal "A União" no passado Sábado dia 1 de Agosto.


“Durante os longos dias de caminhada, a nossa alma sustenta-se no poder da recitação do terço”.

Esta minha pequena afirmação, ainda que possa parecer para a maioria das pessoas, uma frase feita ou uma frase pomposa cheia de folhos mas vazia de conteúdo ou significado, está completamente enganada. Não que nós sejamos diferentes, nada disso, mas todos aqueles que, em romaria, peregrinação ou no dia a dia recitam o terço, sentem precisamente o mesmo.

Dia após dia, o terço vai rodando na mão vezes sem conta, enquanto contamos as contas que o terço tem. Tal como o mundo que vai girando sem fim, assim é o nosso terço durante estes dias, enquanto que a Cruz, essa permanece de pé, sem vacilar. O terço é quase como uma extensão da Cruz onde cada um de nós, nas suas orações desempenha um papel de “Cirineu” em relação a Cristo. Não só aliviamos as Suas dores como especialmente as de todos nós/vós, meros pecadores.
A recitação do terço, quase ininterruptamente durante a caminhada, torna os quilómetros em metros, torna as passadas cansadas em passadas de descanso, torna visível o invisível.
A recitação do terço propicia assim uma atitude muito simples, que faz com que, ao mesmo tempo que pronunciamos com os lábios as Ave-Marias, o fundo do nosso coração fica unido ao Senhor. Deus chama-nos deste modo a rezar esta oração vocal mantendo o coração numa simples atenção amorosa para com Ele, em Jesus, com Maria.
Depois desta breve introdução das graças obtidas na oração, e ainda que a recitação do terço feita por nós seja um pouco diferente, essa diferenciação apenas se prende na tradicional “Avé-Maria dos Romeiros” cantada num ritmo lento onde cada silaba tem um peso e o tom de voz é triste e melancolico, é o reflexo da viagem sacrificial que fazemos, é o reflexo do Calvário, da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta Avé-Maria dolente, movida pela aflição e pela fé de cada um, dos seus, do mundo e dos pedidos que são feitos ao rancho, promove o reencontro entre todos os irmãos na sua expressão mais simples, a humildade. A oração promove, igualmente, o nosso/vosso reencontro com Deus. Oração muitas vezes sofrida, mas sentida. Muitas vezes chorada, mas cheia de esperança. Muitas vezes muda, mas cheia de fé. Recitamos o terço desta forma porque, como romeiros, existimos materialmente apenas na quaresma, exteriorizando a nossa fé, ainda que espiritualmente vivamos o resto do ano uma romaria mais interiorizada.
Termino dizendo que, como Romeiro que cada um de nós é (Cristão, mesmo o que aparentemente possa não crer), “vivemos no Sábado, o dia sem nome. Vivemos entre a Sexta-Feira Santa e o Domingo de Páscoa, vivemos entre a promessa e o cumprimento da mesma.”* assim, durante este Sábado (que me atrevo a chamar de Sábado da Esperança) de caminhada, sustentemos a alma com a recitação do Terço.


* Excerto retirado do livro de Philip Yancey “O Jesus que eu nunca conheci”

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A simbologia do traje de Romeiro

Artigo publicado no jornal "A União" de hoje.

"Depois de três anos de romarias pelos caminhos desta Ilha Terceira (após um longo interregno nas mesmas), ainda constato que muito boa gente nos vê como pessoas um pouco diferentes, não seria exagero se dissesse que nos vêm como pessoas malucas, não só por “andarmos de madrugada até ao fim do dia sempre a rezar” como principalmente “pela maneira ridícula” de nos vestirmos. Quanto a isso, e no meio de um terço cantado, ainda ouço alguém dizer:
-Olha, levam um xaile e um lenço como a minha avó usava (risos), ou,
- Olha aqueles ali, parecem uns camelos com uma bossa nas costas (risos) ou ainda,
- De bordão na mão deviam era ir trabalhar nas vacas (risos).

Poderia ainda enumerar mais alguns apelidos ou imagens cheias de imaginação com que somos conotados, no entanto, esta minha opinião não é para julgar aqueles que não sabem o porquê desse mesmo traje, mas sim para elucida-los (para além dos muitos anónimos que nos estimam, acarinham e nos pedem orações) sobre o significado simbólico que está patente para além da roupa, que nos reporta na sua totalidade à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual seguimos humildemente a Sua Cruz durante os dias de romaria, em penitência dos pecados pessoais, dos nossos familiares, dos que nos pedem e dos de todo o mundo.

Quando apareceram os primeiros ranchos de romeiros há séculos atrás, o traje que usavam teve a sua origem nas necessidades puramente físicas do romeiro em peregrinação pela Ilha. O bordão servia para o apoio em caminhos inóspitos e acidentados. O xaile e o lenço para os proteger do frio e das intempéries que se faziam sentir, principalmente nas madrugadas, no entanto, no tempo quaresmal, dada a estação do ano, por vezes esse frio e chuva fazia-se sentir durante todo o dia. O lenço também servia, nos dias quentes e solarengos para proteger as cabeças do sol abrasador que por vezes se faz sentir. Quanto à saca ou cevadeira, servia para transportar alguns alimentos para os dias de romaria assim como alguma muda de roupa. Para além disso levavam dois terços, sendo um ao pescoço e outro na mão oposta ao do bordão. Ontem como hoje, este trajar manteve-se inalterado, salvo pequenas adaptações á realidade dos nossos dias.

Com o decorrer dos tempos, ainda que não se consiga precisar quando, esta maneira peculiar de trajar, passou a ter um significado místico-religiosa. Cada uma dessas peças passou a ter um simbolismo dentro da Paixão de Cristo, a saber:
- O bordão relembra-nos o ceptro entregue a Nosso Senhor Jesus Cristo pelos romanos aquando do Seu julgamento por Pôncio Pilatos (quando lhes mostrou Jesus Cristo coroado de espinhos, com uma cana verde nas mãos a servir-lhe de ceptro);
- O xaile simboliza a túnica de Jesus Cristo (São João 19 1Então, Pilatos mandou levar Jesus e flagelá-lo. 2Depois, os soldados entrelaçaram uma coroa de espinhos, cravaram-lha na cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura; 3*e, aproximando-se dele, diziam-lhe: «Salve! Ó Rei dos judeus!» E davam-lhe bofetadas.”);
- O lenço simboliza a coroa de espinhos, usada por Jesus Cristo (São João 19 5Então, saiu Jesus com a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Disse-lhes Pilatos: «Eis o Homem!»);
- A saca ou cevadeira simboliza a cruz de madeira, carregada por Cristo até ao Calvário (São João 19 17Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota, 18onde o crucificaram, e com Ele outros dois, um de cada lado, ficando Jesus no meio. 19*Pilatos redigiu um letreiro e mandou pô-lo sobre a cruz. Dizia: «Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.»);
- O terço do rosário simboliza a união entre os membros do rancho de romeiros e é utilizado para a oração no decurso da romaria (O terço é cantado e rezado com concentração, força e devoção. Rezar é uma forma de mostrar louvor a Deus. É uma acto de fé).

Termino desejando que com estes esclarecimentos, nos anos vindouros, quem nos vê como pessoas um pouco diferentes, já nos veja com outro olhar, neste culto predominantemente Mariano e que (quem sabe) se junte a nós numa próxima Quaresma, trajando toda esta carga simbólica em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Maria Santíssima."

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Romeiro e o mistério das romarias

Artigo publicado no passado dia 1 do corrente no jornal "A União"


O que levará um punhado de homens a abdicarem do conforto caseiro pelas adversidades do tempo no dia a dia?
O que levará homens de barba rija a trajarem roupas de aspecto antigo e a beirar quase o ridículo, segundo os padrões dos nossos dias?
O que levará uma mão cheia de homens a levantarem-se pela madrugada, caminharem até ao entardecer e durante vários dias consecutivos?
O que levará estes degredados filhos de Eva a pararem, cantarem e rezarem, quer chova ou faça sol em todas as casas de Nossa Senhora da ilha onde caminham?
O que levará estes filhos de Deus a passarem pelos dedos contas do terço ininterruptamente?

Sinceramente, deve ser algo quase transcendente, sem ser milagroso.
Sinceramente, deve ser alguma coisa que, em vez de os cansarem a cada passada que dão, ajuda-os a caminhar o dobro.
Sinceramente, deve haver algo mais que o meramente visível e palpável para eles abdicarem de tudo e de todos, e entrarem num retiro tão peculiar como este que é passado ao ar livre.
Sinceramente, deve ser uma experiência fabulosa e gratificante para, ano após ano, voltarem à estrada com um sorriso nos lábios e um brilho especial nos olhos.

Definitivamente a Sagrada Família caminha lado a lado com eles.
Definitivamente o Divino Espírito Santo ilumina-os.
Definitivamente Deus Nosso Senhor está especialmente com eles.

Posto isto, estas interrogações, afirmações e divagações, chego à conclusão (ousada por certo) que os Romeiros, são uma devoção Mariana, impregnados do aroma das brumas que cobrem as ilhas.
Posto isto, estas interrogações, afirmações e divagações, chego à conclusão (ousada por certo) que a Irmandade dos Romeiros, foi talhada no tempo e no espaço do basalto rude e negro de que é constituído o arquipélago para um propósito superior.

Por último, o mistério das romarias e dos homens que as fazem, reside no simples facto de que, por imensos oceanos que se escrevam sobre o assunto (como este), são apenas pequenas gotas de orvalho matinal, contrastando com o mar aberto e profundo das emoções sentidas e vividas por cada romeiro.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Apresentação do Livro


“É POSSIVEL VIVER ASSIM?”
UMA ESTRANHA ABORDAGEM À
EXISTÊNCIA CRISTÃ
Volume II — Esperança
Luigi Giussani


No próximo dia 26 de Junho,
pelas 15H00, será realizada a apresentação
do livro É possível viver
assim?, da autoria de Luigi Giussani,
a qual terá lugar no anfiteatro
do Pico da Urze da Universidade
dos Açores.
A apresentação do livro será feita
pelo Padre João Seabra, pároco
do Movimento Comunhão e Libertação
em Portugal.
“É POSSIVEL VIVER ASSIM?”
UMA ESTRANHA ABORDAGEM À
EXISTÊNCIA CRISTÃ
Volume II — Esperança
Luigi Giussani

No próximo dia 26 de Junho,
pelas 15H00
, será realizada a apresentação
do livro É possível viver
assim?, da autoria de Luigi Giussani,
a qual terá lugar no anfiteatro
do Pico da Urze da Universidade
dos Açores.

A apresentação do livro será feita
pelo Padre João Seabra, pároco
do Movimento Comunhão e Libertação
em Portugal.

É possível viver assim? mostra-nos de forma espontânea, séria e leal que a descoberta
da vida como "vocação" não se produz por dedução ou pensamento desligado da
existência, mas que é revelada por uma experiência vivida segundo a razão iluminada
pelo Mistério.
O livro acompanha o itinerário percorrido durante um ano por Don Luigi Guiussani,
em diálogo com uma centena de jovens, decididos a comprometer a sua vida com
Cristo na forma de dedicação total ao Mistério e ao seu destino na história: aquilo que
a Igreja chama "virgindade".
Nesta obra quis-se manter o tom e o estilo desses diálogos, uma vez que testemunham
um modo valioso de encarar a vocação – vista como o problema humano por excelência
– e também a maturidade de convicção e afecto que pode suscitar em cada um.
Don Luigi Guiussani leva-nos a compreender a fé cristã como algo interessante, e,
mais ainda, como o destino da vida.