quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Introdução feita aquando da recitação do terço por parte do Rancho de Romeiros

Terça-feira dia 8 de Dezembro de 2009

"Dia de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal, Padroeira desta Paróquia e Padroeira do Rancho de Romeiros desta ilha Terceira, anteriormente conhecida como Ilha de Jesus Cristo.

Terça-feira, dia no qual a recitação do terço é dedicado aos Mistérios Dolorosos. Estes 5 mistérios retratam a Paixão de Jesus Cristo. Por coincidência ou talvez não, espelham o final da Quaresma, sendo esta altura uma das poucas vezes em que os Romeiros aparecem publicamente. Mas tal como Cristo no Horto das Oliveiras, oram por intercessão de Maria, ao Pai por todos nós, nos caminhos que percorrem. Não para se mostrarem, mas sim para mostrar Aquele que seguem que é Jesus Cristo. Não com presunção, mas sim com humildade, tal como Nossa Senhora que veneramos. Não como passeio, mas sim como penitência, propiciação, expiação, sacrifício. Estes 5 mistérios são comparáveis aos 5 dias de romaria. Cada dia é um mistério e ao fim dos 5 dias o “Mistério” revela-se a todos nós por obra e graça do Espírito Santo.

Mistérios Dolorosos que nos relembram as horas de agonia e sacrifício que Jesus Cristo passou por nós todos, mas que nos devem fazer lembrar que foi na hora derradeira que Ele nos deu “aquela Mulher” para ser a Mãe de todos nós, mas que nos devem também fazer lembrar que amanhã serão os Mistérios gloriosos, que amanhã teremos a recompensa, a Vida Eterna no céu junto a Ela."
Um irmão romeiro como os demais

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As romarias são como os cogumelos

"A que sabem os cogumelos se as papilas gustativas não detectam qualquer sabor ou paladar específico, se aparentemente, não têm sabor ou se o têm, é tudo menos isso, é tudo menos sabor?
Será porque o verdadeiro sabor que realmente possui só é apreciado e degustado no subconsciente de cada um?
Será porque são apenas e tão só uns meros fungos que se multiplicam em condições especiais e peculiares?
Três perguntas que ficam no ar para os que apreciam cogumelos mas, três perguntas que tentarei responder como romeiro (no individual), humilde e pecador mas seguidor de Cristo.

Tal como os cogumelos, também as romarias não têm um sabor específico ou um paladar definido que se possa traduzir em palavras ou expressões perceptíveis a quem nunca viveu a experiência de uma romaria. Apenas poderei dizer como Mem “Como são doces, ao meu paladar, as tuas palavras! Mais doces do que o mel para a minha boca” cf Sl 119,103

Tal como os cogumelos, também as romarias tem um verdadeiro sabor, mas esse sabor só é apreciado e degustado dentro da alma de cada um, como o sal por exemplo, onde cada um de nós é que sabe a sua medida. Nós todos somos o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. cf Mt 5,13
Tal como os cogumelos, também as romarias vão trazendo (ano após ano) novos irmãos nestas ilhas com condições especiais e peculiares. Atrevo-me a dizer “especiais” porque são ilhas no meio do Atlântico e “peculiares” porque cada uma das nove ilhas do Arquipélago tem particularidades únicas. E com Maria, mãe de Deus feito Homem, todos unidos pelo mesmo sentimento, entregamo-nos assiduamente à oração, como irmãos que somos. cf Act 1,14"
Artigo publicado no Jornal "A União" no passado dia 7 do corrente.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SANTUÁRIO DA CONCEIÇÃO Representação de jóia com imagem da Padroeira


A fachada do Santuário de Nossa Senhora da Conceição terá em exposição uma imagem gigante representativa de uma jóia com a figura da Padroeira de Portugal. Trata-se de uma relíquia trazida de Lisboa pelo empresário da loja local “Do que Eu Gosto”.

Data do século XVIII e foi trazida de Lisboa para Angra do Heroísmo, a título de empréstimo. A jóia pintada à mão sobre marfim, rodeada de pedras preciosas, tem como figura central a imagem de Nossa Senhora da Conceição.
A sua representação estará em exposição na fachada do Santuário da Conceição, em Angra do Heroísmo, a partir de hoje, sendo constituída por duas imagens separadas, presas por pendões, que terão mais de dois metros e meio de comprimento e um metro e meio de largura.
A iniciativa surge por obra do empresário da loja local “Do que Eu Gosto”, localizada na Rua da Palha, no âmbito da festa dedicada à Imaculada Conceição, assinalado a 8 de Dezembro, feriado nacional.
“Pretende-se trazer mais gente ao centro da cidade de Angra; chamar a população nesta época de Natal”, diz Lourenço Aguiar, sobre os objectivos principais, revelando que a sua ideia inicial incluía, para além da exposição da representação da jóia, um desfile de cavalos e uma parada que mobilizaria o corpo de bombeiros, vários cavaleiros, os forcados e taxistas locais, à semelhança do que diz acontecer em Espanha e outras cidades do continente português.
“Não foi possível avançar com essa ideia este ano, talvez para 2010”, acrescenta.
Contudo, apesar da não realização desse conjunto de actividades destinadas a dinamizar a cidade de Angra do Heroísmo e o comércio tradicional, a pro-actividade de Lourenço Aguiar, em parceria com outras entidades, resultou não só na exposição da imagem na fachada do Santuário da Conceição mas também na mostra da jóia na montra principal da Açoriana Seguros, na Rua da Sé, a partir do próximo dia 8, terça-feira.
“A iniciativa resultou de uma união de esforços entre diferentes empresas”, considera o empresário, sublinhando que se trata de uma relíquia de preço elevado, descoberta por acaso numa ourivesaria situada na capital portuguesa.
“O proprietário prontificou-se a colaborar com a minha ideia, que surgiu no momento em que vi a jóia à venda”, conta.
Assim, conforme explicou Lourenço Aguiar, o projecto contou com o apoio dos amigos José Diogo, Raul Rego, e as empresas O Fotógrafo, Açoriana Seguros e Angra2000, no transporte e seguro da antiga preciosidade, sendo que esta última loja avançou com a impressão da imagem em tamanho muito superior ao que inicialmente seria possível efectuar pagamento.
“Foi uma surpresa muito agradável”, remata o empresário.

FOTO: José Gabriel/ O Fotógrafo

Imaculada Conceição



Foi no Concílio de Toledo, em 656, que se fixou a sua festa a 8 de Dezembro, estando presentes bispos de cidades, que mais tarde formariam parte de Portugal. Com a Idade Média, a Europa de Santo António de Lisboa e da Rainha Santa Isabel, e as populações peregrinavam até aos santuários marianos, sem medo dos laicistas, sem nome nem pátria nem Deus.

Tempos outros, em que a aventura das Descobertas, fez aportar, a estas Ilhas e aos demais territórios ultramarinos a devoção trazida da Terra de Santa Maria, defendida pela valentia do agora reconhecido, São Nuno de Santa Maria, de cuja Casa, na Restauração, se retira a coroa dos reis para a oferecer à Imaculada Conceição, como Padroeira de Portugal (25 de Março de 1646), muito com o apoio dos franciscanos.

Mais dois séculos passaram até que o Papa Pio IX, recebidas 603 cartas dos bispos de todo o mundo, aceite e proclame o que há muitos séculos o povo cristão acreditava como Imaculada Conceição. Nunca os católicos se sentiram órfãos da Mãe de Jesus, o verdadeiro Filho de Deus, feito Homem, que ofereceu a Sua Vida pela Salvação de todos, mesmo dos não crentes.

De todas as condições sociais e latitudes, não faltam os que ao longo dos tempos A invocaram. Até o apunhalado Gabriel Garcia Moreno (1821 – 1875), três vezes eleito presidente do Equador, não deixava de A invocar. “Deus não Morre” disse ao ser assassinado ao entrar no seu palácio presidencial, em Quito, pelos inimigos da Fé.

Angra que desde 1476, por ordem de Álvaro Martins Homem, edificou a primeira ermida, depois igreja e, hoje, Santuário de Nossa Senhora da Conceição.

Os brasileiros bem que a veneram, como o nome de Nossa Senhora da Aparecida, dadas as circunstâncias da descoberta de uma Imagem da Imaculada Conceição. Um entre tantos os nomes da ladainha de Santa Maria, rezada ou canta nos mais diversos sotaques e linguarejares.
Não lhe faltem os peregrinos, angrenses ou de outras paróquias da Ilha ou de forasteiros. E que, para o próximo ano não se esqueçam do centenário da sua electrificação.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Romeiros, uma escola de fé que se faz caminhando, qual Caminho de Emaús

Artigo públicado no Jornal "A União" de hoje:

"No Evangelho de São Lucas, capítulo 24 e no texto que vai do versículo 13 ao 35, é-nos contada uma caminhada peculiar. Uma caminhada (qual romaria), em que num diálogo franco e aberto Jesus Cristo ressuscitado vai explicando os mistérios da Sagrada Escritura a dois discípulos seus, quando estes iam caminhando na aridez da tristeza de Jerusalém para Emaús, após terem vivenciado o martírio d`Ele. Eles falavam-Lhe como se soubessem tudo, no entanto, já que não conseguiam reconhecer a Fonte de toda a vida e já que não O reconheceram, pouco ou nada sabiam. Tal como muitos de nós (muitas vezes), pensamos que sabemos tudo, mas desconhecemos, ainda, o que o Senhor pode fazer por todos nós, pois Ele é uma resposta que por vezes parece não agradar a uma sociedade como a nossa, encantada com tudo o que aprendeu, sabe fazer e possui. Poderá parecer fora de moda e retrogado para uma sociedade com estas características, mas quando Deus fala com alguém (e Ele fala sempre com aquele ou aquela que abre o seu coração para tal), uma sensação diferente toma conta do interior dessa pessoa.

Tal como no Caminho de Emaús, não pretendemos estar na vida impávidos e serenos como se permanecêssemos presos à cruz, há espera que algo extraordinário aconteça. Caminhamos irmão a irmão, lado a lado, como se fossemos as pernas de Cristo. Como se (numa transposição no tempo), caminhássemos com Ele durante a Sua romaria publica. Não Aquele que foi crucificado, mas sim Aquele que após a paixão e morte, ressuscitou e caminhou lado a lado, irmão a irmão, com os dois discípulos sem que estes O tivessem reconhecido. No entanto, tal como eles, ainda que muitas vezes não O consigamos ver, vamos caminhando, orando, meditando e alimentando a fé, criando assim, bases o mais sólidas possíveis dessa mesma fé. Durante a romaria abrimos o nosso coração o mais possível a Ele, na esperança que Ele nos transforme interiormente, aos poucos que seja, dia após dia, ano após ano, escutando-O no silêncio da oração. É escutando-O que aprendemos, é escutando-O na oração do irmão que caminha ao nosso lado que poderemos almejar a transformação interior, aos poucos que seja, dia após dia, ano após ano.
Ele, Nosso Senhor Jesus Cristo vai sempre connosco, não só porque "Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles." (Mateus 18:20), mas também porque “Não se nos abrasava o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (São Lucas 24:32).
É caminhando lado a lado com Cristo, no longo caminho da vida de Emaús, que tentamos nesta escola de fé, transformar a nossa aridez interior, a nossa cegueira aparente, em algo muito melhor, como se no meio do deserto mais seco e desolado deparássemos com um oásis húmido e sombreiro."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Artigo antigo mas que vem a propósito...


Quando terminou a Romaria de Nossa Senhora da Conceição no passado Domingo foi agendada uma reunião de análise e prospectiva para a passada terça feira no salão paroquial daquela Igreja.Não faltou nenhum dos romeiros para além do “nosso irmão” de São Miguel que, naturalmente, teve de regressar à sua ilha. Éramos vinte e quatro e desta vez todos fizeram a análise e prospectiva da primeira romaria da Ilha Terceira desde que acabaram há cento e cinquenta anos.
Todos foram unânimes na revolução interior e exterior que a romaria produziu. Em cada um de nós criou-se um novo espaço para a mensagem de Jesus Cristo por intercessão de Nossa Senhora. Para o exterior registaram-se com agrado os testemunhos de simpatia e sintonia entre os romeiros, as suas famílias e o povo da Ilha Terceira.
Um dos pontos positivos mais importantes foi a estreita ligação entre o seminal movimento dos romeiros da Ilha Terceira e o clero da ilha. Primeiro porque foi o Padre Francisco Dolores que estimulou e orientou a criação do rancho de romeiros. Segundo porque foi o diácono Dinis Silveira que acompanhou com entusiasmo a romaria. Finalmente porque foram os párocos das diversas paróquias por onde a romaria passou que esclareceram as pessoas da passagem da romaria e mobilizaram a hospitalidade de que qualquer movimento nómada carece.
Também foi muito boa a liderança do mestre, Hélder Ávila, e do contramestre, Dinis Silveira de acordo com as opiniões de todos. E dá algum trabalho essas funções de orientação espiritual e logística do rancho. Na parte espiritual foi necessário organizar o pequeno livro que nos servia de cábula nas orações de entrada, estada e saída das igrejas e ermidas, preparar e expor as reflexões para cada dia, e mobilizar e coordenar a participação de cada um nas reuniões de partilha que se foram fazendo. Na parte logística foi importante escolher os caminhos e os seus tempos, orientar as ofertas de dormidas e de refeições e perceber a dinâmica do rancho para marcar os descansos e os andamentos.
Alguns dos romeiros que foram de opinião que cada um deveria levar a sua saca com comida para os vários dias de romaria e não planear ou aceitar as dádivas de refeições que foram chovendo ao longo do percurso.
Segundo eles isso permitia uma caminhada mais pessoal e recolhida. No entanto não foi isso que aconteceu pois a lógica de pôr tudo em comum e de organizar as refeições com algum planeamento acabou por resultar em refeições à mesa, majestosamente servidas pelos diversos dadores.
Se houve aspectos que podem e devem ser corrigidos são os relacionados com a caminhada. Pensámos mal quando julgámos que a volta às ermidas e igrejas da Ilha Terceira se poderia fazer em quatro dias. Para cento e cinquenta quilómetros e mais de cem igrejas e ermidas, onde de reza durante um quarto de hora, são necessários cinco dias. E se quisermos visitar algumas ermidas do mato valerá a pena chegar aos seis dias.
Mas o importante foi aquilo que ficou pensado para o futuro. A próxima reunião será no dia 18 de Abril no Centro Paroquial da Igreja da Conceição às 20 horas. E para essa reunião deverão ir todos os romeiros e também aqueles que querem integrar uma nova romaria no próximo ano. O repto já foi lançado para o Ramo Grande mas todos ficaram com a ideia de que é possível atingir cinco ou seis ranchos de romeiros na Ilha Terceira dentro de pouco tempo. Também de falou na participação dos romeiros nas peregrinações ao Santuário da Serreta e no apoio ao lançamento das romarias em outras paragens certamente com o suporte dos irmãos mais experientes de São Miguel. São Jorge, Pico e Faial justificam uma retoma das romarias e também o Continente Português precisa ouvir mais as Ave Marias dos Romeiros dos Açores nos caminhos para Fátima.
22/03/2007 - 17:32
Fonte: A União (http://www.auniao.com/)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Justo e os dois pecadores caminham lado a lado na romaria


Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje.
Cristo foi crucificado entre dois pecadores. Lemos em Lucas 23:32-43 que os outros dois homens, ambos criminosos, também foram crucificados, um a direita, e o outro a esquerda da cruz de Jesus. Um dos criminosos blasfemou contra Jesus, dizendo-lhe "Se tu é o Cristo, salva-se a si mesmo e a nós". Mas o outro criminoso repreendeu-o dizendo: "Nem tu temes a Deus, estando no mesmo suplício? Nós, estamos na verdade justamente, porque recebemos o que merecem as nossas acções, mas este não fez mal nenhum.” Então disse: "Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino", Ao qual Jesus lhe respondeu: "Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso".
Na minha modesta opinião de leigo, por vezes ponho-me a pensar sobre essa passagem da Bíblia (entre muitas outras) e na sua transposição para as romarias quaresmais. Não que com isto queira dizer que os Romeiros são super-homens e que nas romarias transportam a Cruz do Senhor (O Justo), nada disso. No entanto, cada um de nós para além tomar a sua cruz (Mt 10,38; Mc 8,34; Lc 9-23, - 14,27), também nas orações pedidas toma um pouco da cruz de quem nos pede (pecadores), e estes, ao orarem também por nós (pecadores), tomam um pouco da cruz de cada um de nós. Sem querer fugir ao raciocínio inicial, deparo-me com o facto de nestes dias, as romarias conseguirem por muitas pessoas a orarem uns pelos outros, como irmãos que somos perante Deus, como irmãos que devíamos ser todo o ano.
Voltando ao inicio do parágrafo anterior e partindo do que está preconizado nos Estatutos “O rancho deverá ser formado com os Romeiros em duas alas (…)”, assim os romeiros agem e seguem a Cruz de Cristo que vai à frente dessa forma, como se (por alguns dias) personificassem um pouco esses dois pecadores, ou seja, uns à direita e outros à esquerda da cruz. Dois pecadores que a meu ver, e sem querer parecer mais do que aquilo que sou (apenas um entre os demais), representam mais do que apenas dois pecadores, representam sim, o estado da humanidade perante Deus Nosso Senhor, isto é, um dos pecadores rejeitou-O e o outro aceitou-O.
Nessa transposição (simbolicamente falando), também nós todos estamos representados nesses dois pecadores e como tal, devemos fazer uma escolha, melhor dizendo, temos a obrigação de fazer uma escolha definitiva e não deambular entre a rejeição e a aceitação, conforme dê jeito. A escolha está entre aceitar Jesus e um dia estarmos junto a Ele no paraíso para sempre ou não aceitarmos Jesus e ficarmos condenados a uma separação dele para sempre.
Como Cristãos que somos, antes de tudo o mais, já fizemos a escolha definitiva no baptismo e na sua confirmação. Como Romeiros que tentamos ser na quaresma e nos restantes dias do ano pretendemos, não só reconfirmar essa escolha definitiva, como também ajudar a que outros cristãos reconfirmem, seja através da oração, da participação da Eucaristia Dominical ou outro meio cristão que lhes avive a chama que está lá, dentro de cada um, ainda que possam pensar que não, já que, e como disse um dia o poeta “Amor, é fogo que arde sem se ver (…)”, e que melhor amor que o do Pai Eterno, que arde dentro de nós (seus filhos) sem que por vezes o vejamos ou sintamos.
Afinal Jesus Cristo quando morreu na Cruz tomou como seus os nossos pecados. Morreu para que eles fossem eliminados para todo o sempre e abriu caminho para a graça divina da salvação para que todos aqueles que se arrependem e aceitam o sacrifício de Jesus Cristo, “ressuscitem no 3º dia”.
Apesar da Cruz na maioria das vezes simbolizar o sofrimento de Jesus Cristo (a Via Sacra), também simboliza a salvação universal trazida por Ele a todos nós (a Via Lucis). Deste modo, essa cruz de condenação de Cristo tornou-se também o símbolo da salvação universal. Deste modo a Cruz que seguimos, tem essa duplicidade impregnada, ou seja, a morte (do corpo) mas também a ressurreição (da alma) de todos nós que O seguimos.
Desta forma, agimos e seguimos a Cruz de Cristo em duas alas, para onde quer que Ela nos encaminhe (e encaminha-nos sempre para o Pai), não como adorno ou amuleto, mas sim como sinal de serviço de dar a vida pelos outros, como Cristo deu (Mc 10-42-45, Jo 13,1-17), de orar por todos os pecadores, como Cristo orou (Lc 22-32) e de fazer a vontade de Deus, com Cristo fez (Mt 26,42, Lc 22,42).