quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Em romaria temos tempo...não é verdade?



"No primeiro ano de romaria, peculiar em muitos aspectos, tivemos a graça de entre nós ter estado um irmão de São Miguel o qual, por sinal, veio fazer a sua 25ª romaria, ou seja, como diria o Historiador José Hermano Saraiva “Foi aqui nesta Ilha de Jesus que o Irmão Castro fez as suas bodas de prata como Romeiro. Poderia ter feito (como seria de esperar) na sua ilha mas, como Cristão e Romeiro, abdicou desse pressuposto e veio dar o seu contributo a um novo rancho que tinha sido formado.”
Realmente, pegando nas palavras deste ilustre historiador, a sua presença foi uma mais-valia para o rancho, não só nos momentos de silêncio profundo e meditado, como nas suas intervenções um pouco demoradas mas muito eloquentes. Intervenções que (diria eu) transpiravam o amor que tem por Cristo e sua Mãe Maria Santíssima. Muito calmamente e pausadamente ia-nos contando a sua historia, a sua visão de Romeiro e de seguidor de Cristo como Maria, isto é, em silêncio e oração, rematando cada afirmação com “(…) não é verdade?” Por exagero admito, como se fosse Cristo, contava-nos uma “parábola” e punha-nos a pensar nela e na sua abrangência, ensinando-nos assim (sim, porque muitas coisas que nos disse foram ensinamentos) a segui-lO por um caminho mais justo, mais verdadeiro e acima de tudo, mais cristão. Não quero dizer com esta afirmação que nos sintamos como apóstolos bíblicos mas, como baptizados que somos, somos convidados por Deus nosso Pai a sermos parte integrante do Corpo Místico de Cristo e como tal, a agirmos como Sacerdotes, Reis e Profetas, ”não é verdade?”
E com esta afirmação no fim das suas intervenções, qual jaculatória, havia sempre um outro irmão que dizia “temos tempo irmão, temos tempo”, isto porque o caminho que ainda faltava percorrer nesse dia era longo e penoso, como longos são os nossos pecados e penosa a nossa vida sem Ele.
Olhando para trás e apesar de na altura pensarmos que algumas daquelas intervenções eram despropositadas e sem fim aparente (dai a tal observação), o que é certo e sabido é que o rancho chegou sempre a tempo às Casas de Nossa Senhora, como se o tempo tivesse parado durante as referidas intervenções e apenas recomeçado no fim das mesmas. Como se Deus achasse que aquelas intervenções eram tudo menos despropositadas, eram tudo menos demoradas, em suma, era a intervenção do Espírito Santo nele, para que através dele, nós todos crescêssemos mais, espiritualmente falando. Como se aquele “temos tempo irmão, temos tempo” fosse também oriundo, não da boca do irmão romeiro por si, mas sim através de Cristo a todos nós, como que a dizer-nos “Escutai o que ele vos diz!” Nessa altura, como nos anos seguintes, muitas intervenções profundas têm sido feitas, desde o irmão Mestre até ao mais pequeno dos irmãos, mas todas elas com o derramamento do Espírito Santo por sobre eles porque, se tal não fosse, se as palavras que das suas bocas saiam não tivessem o Pai por detrás, elas não ficariam cravadas nos nossos corações e fariam eco na alma como fazem. Se essas palavras não transpirassem o amor que têm por Cristo e sua Mãe Maria Santíssima, de nada valiam e como tal, o “mistério das romarias” deixaria de existir assim como o rancho.
Alguns anos passados, e apesar de terem sido apenas 4 dias de convivência mutua, foram os nossos primeiros 4 dias da maioria dos irmãos presentes. Quatro dias que tem-se prolongado ano após ano com a ajuda da Sagrada Família que connosco vai e, atrever-me-ia também a dizer (mas não por adoração ou idolatria, obviamente), com o seu terço que deixou ao irmão Mestre, terço esse já com os mesmos anos de romarias, já com as contas um pouco gastas de tanto serem contadas, do muito que ainda falta contar, por nós e por todos vós.
No dia-a-dia da vida mais material que espiritual, o tempo é volátil, passa sem nos darmos conta que passou, fica sempre alguma coisa para ser feita amanhã, no entanto, quando no dia-a-dia mais espiritual que material, isto é, em romaria temos tempo…não é verdade?"

Artigo publicado no Jornal "A União" de ontem

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cânticos e Orações III

Perdão
.
Perdão Oh meu Deus
Perdão Deus de Amor
Perdão Deus de Clemência
Perdoai-nos Senhor
.
Rogai por nós Virgem
Mãe Santíssima
.
Eis-me a vossos pés
Infeliz pecador
Meus enormes crimes
Perdoai-nos Senhor
.
(refrão)
.
Por vossas angústias
Tristezas e amarguras
A oração do Horto perdoai-nos
Senhor
.
(refrão)
.
Pela Santa Virgem
Que com Grande Amor
Foi ao vosso encontro
Perdoai-nos Senhor
.
(refrão)
.
Pela Cruz pesada
E por tanto Amor
Pelas vossas quedas
Perdoai-nos Senhor

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cânticos e Orações II

Hino do Romeiro
Oh Romeiro, oh romeiro
Oh romeiro que Deus te chamou
À conquista de um homem melhor
.
Se algum dia, oh romeiro
a dor te impeça de acreditar
Não te esqueças que levas a Cristo
E que tudo consegues com Ele (2)
.
Oh Romeiro, oh romeiro
Oh romeiro que Deus te chamou
à procura de um bom Coração
(refrão)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cânticos e Orações I

Depois de publicados alguns artigos de opinião, entre outros assuntos "Romeiros" começamos aqui uma "nova fase" com a publicação de Cânticos e Orações que utilizamos.

Lenta e calma

1. Lenta e calma sobre a terra
Desce a noite, foge a luz
Quero agora despedir-me:
Boa noite meu Jesus (2)

2. Em silêncio no sacrário,
Rósea chama e tremeluz
E suaves cantam anjos:
Boa noite, meu Jesus (2)

3. Coração quem dera fosses
Lamparina e eterna luz
Porque assim eu não diria:
Boa noite, meu Jesus (2)

4. E vós, ó Virgem Maria
Dai-nos a bênção também,
Velai por nós esta noite:
Boa noite, minha Mãe (2).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Artigo enviado por um irmão Romeiro como os demais

"É só para dizer que Nossa Senhora Mãe dos Romeiros vai sempre nos amparando nas quedas e nas alegrias da vida para que todos possamos chegar ao fim com um V de vitória sobre o mal que cobre toda a sociedade de hoje."

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Numa romaria ”umas cuecas e meias lavadas é o bastante.”

Artigo publicado hoje no Jornal "A União".
Começo mais um artigo com esta pequena afirmação que um dos irmãos romeiros tem por hábito e com alguma graça peculiar dizer.
Apesar de ser uma afirmação um pouco descabida à primeira vista, não deixa de ser uma verdade Cristã, ou seja, realmente para levarmos uma vida cristã não precisamos de muito mais do que isso, tudo o mais é quase supérfluo. Tudo o mais é mero consumismo desenfreado. Tudo o mais é acumular bens materiais.
Como cristãos que somos (ou deveríamos ser) e ainda que pareça um pouco utópico deveríamos lembrar-nos das palavras que Jesus Cristo nos disse “Deixa tudo o que tens, vem e segue-me”, no entanto, uma grande maioria de nós (no qual me incluo) esquece-se disso ou, lembra-se apenas de tempos a tempos, como se essas palavras fossem meros pingos de chuva que caem da beira de um telhado “tempos a tempos” e não ininterruptamente como deveria ser.
Como homens a nossa passagem na terra é uma perpétua peregrinação, uma perpétua romaria seguindo as pegadas de Jesus Cristo em Direcção ao Pai. É nesse seguimento que nos bastaria “umas cuecas e meias lavadas” e, pegando em palavras de Santa Teresa de Ávila muito simples, belas mas de uma profundidade invulgar “Nada te turbe, nada de espante, (…) só Deus basta.”, é que nos damos conta que realmente, pouco nos basta porque, quem tem Deus consigo tem tudo.
A próxima romaria aproxima-se para (mais um ano) levarmos a cevadeira cheia de “defeitos, problemas, dúvidas, desgostos, alegrias, desejos, anseios, orações” e entregarmos nas mãos de Deus essa carga pesada que se foi acumulando durante o ano que está a terminar e Ele, como só Ele pode, libertar-nos desse peso.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Oficinas de Oração e Vida na Terceira

Artigo publicado no Jornal "A União" no dia de hoje, onde é entrevistado o nosso irmão João Dinis na qualidade de Coordenador Local das Oficinas de Oração e Vida da Terceira
João Fernandes Dinis, Coordenador Local das Oficinas de Oração e Vida na Terceira, aderiu a este nobre serviço da Igreja depois de em Fátima no ano de 2001 ter participado no Seminário do Verbo Divino em um Encontro de experiência de Deus com o seu fundador Frei Ignacio de Larrañaga. Em 2002 frequentou a primeira Oficina e em 2003 depois de formação adequada foi “enviado” Guia. Desde essa data até hoje, tem ministrado todos os anos Oficinas em vários locais da nossa Ilha, nomeadamente nas freguesias de Nossa Senhora da Conceição, São Pedro, Porto Judeu, Posto Santo, Santa Luzia da Praia da Vitória, e os restantes elementos da equipa em São Sebastião, Vila Nova e, Agualva.
O que é uma Oficina de Oração e Vida?
JFD – Antes de tudo é um método para aprender a orar. Não é um método teórico, mas sim prático, é como numa oficina em que trabalhando se aprende a trabalhar, aqui, orando, se aprende a orar. Por isso se chama Oficina, porque se faz uma aprendizagem na prática da oração. Passo a passo aprende-se a entrar numa relação pessoal com o Senhor, desde os primeiros passos até às profundidades da contemplação.
A Oficina de Oração e Vida é portanto um serviço dedicado à piedade?
JFD – Não, é também uma Oficina de Vida. Pela prática da fé e do abandono, e como consequência da prática da oração, quase sem se dar por isso, o participante (oficinista) vai curando as feridas do coração, sufocando as angústias da alma, afugentando os medos até conseguir o controlo dos nervos e uma grande serenidade. E por esse caminho o oficinista vai conseguindo uma paz interior nunca imaginada. Desaparece a tristeza e recupera definitivamente a alegria de viver.
Pelo que conclui, com a prática da piedade e a aprendizagem da prática do abandono entre outras, o oficinista vai-se transformando?
JFD – Sim, mas a Oficina de Oração e Vida não é só isso. Contemplando a figura de Jesus e copiando-O, lentamente o oficinista vai-se transformando numa pessoa mais paciente, mais humilde, mais compreensiva como Jesus, manso, suave e bondoso como Jesus. E isto provoca no oficinista a maior satisfação que poderá obter neste mundo: o conseguir superar-se a si mesmo e transcender os seus próprios limites.Mas todas estas dádivas não nos caem do céu como um presente de Natal. Há que pagar um preço e o preço é viver a sério uma Oficina; o que quer dizer, assistir a todas as sessões, desde a primeira à última, ser pontual e praticar a Sagrada Meia Hora diária.
Algumas pessoas poderão concluir que a recitação do terço, de uma oração espontânea ou a prática habitual da Eucaristia não são então suficientes para se atingir a plenitude?
JFD – Certamente que são, mas para além disso podemos reflectir no seguinte:Rezar um Pai Nosso é fácil. Rezar uma Salve Rainha é fácil. Inclusive é fácil rezar um rosário. Mas isso não é orar; isso é rezar.Mas estabelecer uma relação de amizade estando verdadeiramente a sós com Aquele que sabemos que nos ama… isso não é fácil.Orar não é um intercâmbio de palavras mas de interioridades: “estás comigo”; “estou contigo”… sentir isso profundamente não é fácil.Mas para orar nem sempre precisamos da boca nem da garganta, ainda que também possamos, como é natural, orar com as orações tradicionais.Dizer e sentir, por exemplo: “meu Deus, Tu me envolves me conheces e me amas”; ficar quieto e em silêncio, sentindo Deus por dentro e fora de mim como uma Presença maravilhosa… isso não é fácil.A Oficina em suma quer levar o oficinista passo a passo a orar em profundidade e fazer-se grande amigo de Deus.
Depois do esclarecimento sobre os fundamentos duma Oficina de Oração e Vida falta-nos saber dos conteúdos, de que se compõe uma OOV?
JFD – Compõe-se de 15 sessões. Uma sessão por semana. Cada sessão tem a duração aproximada de 2 horas.Nas duas primeiras sessões experimentaremos o amor terno e gratuito de Deus Pai.Na terceira sessão consciencializamos o fundamento da fé.Na quarta contemplamos Maria como “Mulher de Fé”Na quinta e sexta trabalhamos a cura integral.Nas sessões oitava e nona entramos resolutamente no contacto pessoal com o SenhorA partir da décima sessão iniciamos a transformação de vida segundo Jesus Cristo.Finalmente terminamos com o grande dia do DesertoUma novidade nas oficinas, são as Modalidades que são as diversas maneiras que aprendemos para nos relacionarmos com Deus ou formas diferentes de orar. Assim o oficinista vai experimentando maneiras diversas de se relacionar com Deus, e uma vez terminada a oficina, escolhe aquelas modalidades que melhor se adaptem ao seu modo de ser.
A quem se destinam as Oficinas de Oração e Vida?
JFD – Para finalizar é importante referir que não pretendemos instituir comunidades de oração, no sentido em que não temos nenhuma pretensão que não seja a de ensinar a orar e a viver cristãmente.Um serviço limitado e provisório, no sentido em que, uma vez completado o nosso serviço das quinze sessões, damos por cumprido o nosso objectivo e retiramo-nos.As Oficinas são um serviço aberto, na medida em que oferecemos este programa a todos os que buscam Deus sinceramente: simples cristãos, grupos apostólicos, agentes de pastoral, catequistas, os afastados da Igreja, os excluídos dos sacramentos, protestantes de diferentes denominações…
Qual o vosso programa de actividades para este ano de 2010?
JFD – Para este ano que ora começa, temos programado três oficinas:·
Na Paróquia de São Pedro de Angra com inicio a 11 de Janeiro pelas 20h00·
Na Paróquia de Santa Luzia de Angra com inicio na 3ª., semana de Janeiro·
Na Paróquia da Ribeirinha com inicio na 4ª., semana de Janeiro·
Um encontro para casais com inicio em finais de Março
Todas estas actividades terminam durante o mês de Maio e devido à especificidade religiosa dos Açores proceder-se-á a uma paragem para as festas de Verão, ao que retomaremos o trabalho em Outubro, com outro ciclo de Oficinas noutras localidades.