sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Romeiros terceirenses preparam "retiro a andar"

São mais de trinta os “irmãos” romeiros que iniciam, em março, uma peregrinação pela ilha. Uma oportunidade de meditar e de rezar; um retiro para homens crentes, que também foram fustigados pela vida.Uma romaria representa limpeza da alma, representa simplicidade e humildade. Francisco Dolores, pároco na igreja da Conceição, define o costume como “um retiro a andar, para pensar nas circunstâncias do tempo e da vida”. Em São Miguel existem, hoje, cerca de 2700 romeiros e iniciam as suas caminhadas no próximo dia 20 de fevereiro. Na Terceira, começam, agora, os preparativos para a peregrinação de março. Esta é já a quarta vez que o grupo palmilha as ruas das freguesias da Terceira. O mestre romeiro, Hélder Ávila explicou ao DI alguma da história da antiga tradição. Hélder Ávila desmente a ideia de que esta tradição é exclusiva aos micaelenses: “a tradição dos romeiros aqui na ilha é tão antiga quanto a tradição dos romeiros na ilha de São Miguel, só que é feita noutros moldes”. “As romarias eram feitas em grupos de cerca de 20 pessoas e em duas épocas diferentes do ano: uma na Quaresma e outra pelas festas das freguesias”, clarificou Hélder Ávila.Na Terceira, diz o romeiro, as romarias são tão antigas quanto as micaelenses, porém, “eram feitas com menos gente e numa lógica de deslocação entre freguesias para assistir às festas dos santos padroeiros”. Dado curioso, explicou o pároco da igreja da Conceição, Francisco Dolores, é o costume de os romeiros andarem sempre no sentido dos ponteiros do relógio,independentemente do local do globo onde caminhem. Começam sempre no primeiro domingo da Quaresma, percorrendo as igrejas ligadas à figura de Nossa Senhora. Explicar o costume aos mais novos é uma prioridade para o mestre do grupo da Conceição, que lembrou que “as tradições só se conseguem manter com os jovens, pois são a base para a sua continuidade”. Por isso mesmo, está a ser encetada uma iniciativa na freguesia dos Biscoitos que pretende colocar, já para o próximo ano, um grupo de jovens nas estradas da ilha. A romaria começa na madrugada do dia 3 de março, na igreja da Conceição. Durante cinco dias estes trinta homens vão circundar a ilha, parando em cada paróquia para ouvir a missa ou, simplesmente, para rezar à porta.
(artigo publicado ontem no Jornal "Diário Insular")

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Em romaria temos tempo...não é verdade?



"No primeiro ano de romaria, peculiar em muitos aspectos, tivemos a graça de entre nós ter estado um irmão de São Miguel o qual, por sinal, veio fazer a sua 25ª romaria, ou seja, como diria o Historiador José Hermano Saraiva “Foi aqui nesta Ilha de Jesus que o Irmão Castro fez as suas bodas de prata como Romeiro. Poderia ter feito (como seria de esperar) na sua ilha mas, como Cristão e Romeiro, abdicou desse pressuposto e veio dar o seu contributo a um novo rancho que tinha sido formado.”
Realmente, pegando nas palavras deste ilustre historiador, a sua presença foi uma mais-valia para o rancho, não só nos momentos de silêncio profundo e meditado, como nas suas intervenções um pouco demoradas mas muito eloquentes. Intervenções que (diria eu) transpiravam o amor que tem por Cristo e sua Mãe Maria Santíssima. Muito calmamente e pausadamente ia-nos contando a sua historia, a sua visão de Romeiro e de seguidor de Cristo como Maria, isto é, em silêncio e oração, rematando cada afirmação com “(…) não é verdade?” Por exagero admito, como se fosse Cristo, contava-nos uma “parábola” e punha-nos a pensar nela e na sua abrangência, ensinando-nos assim (sim, porque muitas coisas que nos disse foram ensinamentos) a segui-lO por um caminho mais justo, mais verdadeiro e acima de tudo, mais cristão. Não quero dizer com esta afirmação que nos sintamos como apóstolos bíblicos mas, como baptizados que somos, somos convidados por Deus nosso Pai a sermos parte integrante do Corpo Místico de Cristo e como tal, a agirmos como Sacerdotes, Reis e Profetas, ”não é verdade?”
E com esta afirmação no fim das suas intervenções, qual jaculatória, havia sempre um outro irmão que dizia “temos tempo irmão, temos tempo”, isto porque o caminho que ainda faltava percorrer nesse dia era longo e penoso, como longos são os nossos pecados e penosa a nossa vida sem Ele.
Olhando para trás e apesar de na altura pensarmos que algumas daquelas intervenções eram despropositadas e sem fim aparente (dai a tal observação), o que é certo e sabido é que o rancho chegou sempre a tempo às Casas de Nossa Senhora, como se o tempo tivesse parado durante as referidas intervenções e apenas recomeçado no fim das mesmas. Como se Deus achasse que aquelas intervenções eram tudo menos despropositadas, eram tudo menos demoradas, em suma, era a intervenção do Espírito Santo nele, para que através dele, nós todos crescêssemos mais, espiritualmente falando. Como se aquele “temos tempo irmão, temos tempo” fosse também oriundo, não da boca do irmão romeiro por si, mas sim através de Cristo a todos nós, como que a dizer-nos “Escutai o que ele vos diz!” Nessa altura, como nos anos seguintes, muitas intervenções profundas têm sido feitas, desde o irmão Mestre até ao mais pequeno dos irmãos, mas todas elas com o derramamento do Espírito Santo por sobre eles porque, se tal não fosse, se as palavras que das suas bocas saiam não tivessem o Pai por detrás, elas não ficariam cravadas nos nossos corações e fariam eco na alma como fazem. Se essas palavras não transpirassem o amor que têm por Cristo e sua Mãe Maria Santíssima, de nada valiam e como tal, o “mistério das romarias” deixaria de existir assim como o rancho.
Alguns anos passados, e apesar de terem sido apenas 4 dias de convivência mutua, foram os nossos primeiros 4 dias da maioria dos irmãos presentes. Quatro dias que tem-se prolongado ano após ano com a ajuda da Sagrada Família que connosco vai e, atrever-me-ia também a dizer (mas não por adoração ou idolatria, obviamente), com o seu terço que deixou ao irmão Mestre, terço esse já com os mesmos anos de romarias, já com as contas um pouco gastas de tanto serem contadas, do muito que ainda falta contar, por nós e por todos vós.
No dia-a-dia da vida mais material que espiritual, o tempo é volátil, passa sem nos darmos conta que passou, fica sempre alguma coisa para ser feita amanhã, no entanto, quando no dia-a-dia mais espiritual que material, isto é, em romaria temos tempo…não é verdade?"

Artigo publicado no Jornal "A União" de ontem

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cânticos e Orações III

Perdão
.
Perdão Oh meu Deus
Perdão Deus de Amor
Perdão Deus de Clemência
Perdoai-nos Senhor
.
Rogai por nós Virgem
Mãe Santíssima
.
Eis-me a vossos pés
Infeliz pecador
Meus enormes crimes
Perdoai-nos Senhor
.
(refrão)
.
Por vossas angústias
Tristezas e amarguras
A oração do Horto perdoai-nos
Senhor
.
(refrão)
.
Pela Santa Virgem
Que com Grande Amor
Foi ao vosso encontro
Perdoai-nos Senhor
.
(refrão)
.
Pela Cruz pesada
E por tanto Amor
Pelas vossas quedas
Perdoai-nos Senhor

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cânticos e Orações II

Hino do Romeiro
Oh Romeiro, oh romeiro
Oh romeiro que Deus te chamou
À conquista de um homem melhor
.
Se algum dia, oh romeiro
a dor te impeça de acreditar
Não te esqueças que levas a Cristo
E que tudo consegues com Ele (2)
.
Oh Romeiro, oh romeiro
Oh romeiro que Deus te chamou
à procura de um bom Coração
(refrão)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cânticos e Orações I

Depois de publicados alguns artigos de opinião, entre outros assuntos "Romeiros" começamos aqui uma "nova fase" com a publicação de Cânticos e Orações que utilizamos.

Lenta e calma

1. Lenta e calma sobre a terra
Desce a noite, foge a luz
Quero agora despedir-me:
Boa noite meu Jesus (2)

2. Em silêncio no sacrário,
Rósea chama e tremeluz
E suaves cantam anjos:
Boa noite, meu Jesus (2)

3. Coração quem dera fosses
Lamparina e eterna luz
Porque assim eu não diria:
Boa noite, meu Jesus (2)

4. E vós, ó Virgem Maria
Dai-nos a bênção também,
Velai por nós esta noite:
Boa noite, minha Mãe (2).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Artigo enviado por um irmão Romeiro como os demais

"É só para dizer que Nossa Senhora Mãe dos Romeiros vai sempre nos amparando nas quedas e nas alegrias da vida para que todos possamos chegar ao fim com um V de vitória sobre o mal que cobre toda a sociedade de hoje."

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Numa romaria ”umas cuecas e meias lavadas é o bastante.”

Artigo publicado hoje no Jornal "A União".
Começo mais um artigo com esta pequena afirmação que um dos irmãos romeiros tem por hábito e com alguma graça peculiar dizer.
Apesar de ser uma afirmação um pouco descabida à primeira vista, não deixa de ser uma verdade Cristã, ou seja, realmente para levarmos uma vida cristã não precisamos de muito mais do que isso, tudo o mais é quase supérfluo. Tudo o mais é mero consumismo desenfreado. Tudo o mais é acumular bens materiais.
Como cristãos que somos (ou deveríamos ser) e ainda que pareça um pouco utópico deveríamos lembrar-nos das palavras que Jesus Cristo nos disse “Deixa tudo o que tens, vem e segue-me”, no entanto, uma grande maioria de nós (no qual me incluo) esquece-se disso ou, lembra-se apenas de tempos a tempos, como se essas palavras fossem meros pingos de chuva que caem da beira de um telhado “tempos a tempos” e não ininterruptamente como deveria ser.
Como homens a nossa passagem na terra é uma perpétua peregrinação, uma perpétua romaria seguindo as pegadas de Jesus Cristo em Direcção ao Pai. É nesse seguimento que nos bastaria “umas cuecas e meias lavadas” e, pegando em palavras de Santa Teresa de Ávila muito simples, belas mas de uma profundidade invulgar “Nada te turbe, nada de espante, (…) só Deus basta.”, é que nos damos conta que realmente, pouco nos basta porque, quem tem Deus consigo tem tudo.
A próxima romaria aproxima-se para (mais um ano) levarmos a cevadeira cheia de “defeitos, problemas, dúvidas, desgostos, alegrias, desejos, anseios, orações” e entregarmos nas mãos de Deus essa carga pesada que se foi acumulando durante o ano que está a terminar e Ele, como só Ele pode, libertar-nos desse peso.