quarta-feira, 10 de março de 2010

Agradecimentos

(Foto gentilmente cedida pelo senhor Luis Brum)
O rancho de Romeiros vem por este meio agradecer a todas as pessoas que, directa ou indirectamente, contribuíram para que a esta romaria tivesse sido possível.

Gostaríamos também de agradecer ao Grupo Folclórico das Doze Ribeiras
a cedência da sede para a pernoita e refeição oferecida; ao Centro Paroquial da Agualva que, apesar do ocorrido em Dezembro findo, não se pouparam a esforços para a respectiva pernoita e refeição; à Junta de Freguesia e Comissão Fabriqueira da Igreja do Porto Martins e seus residentes, pela pernoita em suas casas e refeição oferecida e aos residentes na Vila de São Sebastião, que abriram as suas portas (como sempre) para nos receberem em suas casas para a pernoita e refeição.

Bem hajam todos e que Deus Nosso Senhor os recompense no céu aquilo que nos deram na terra.

terça-feira, 9 de março de 2010

Breves apontamentos num blog vizinho

Neste blog vizinho, do qual retiramos a foto acima, poderão encontrar breves apontamentos fotograficos e não só, que espelham um pouco da 4ª romaria. Ao senhor Brum, os nossos sinceros agradecimentos por tudo.

terça-feira, 2 de março de 2010

4ª Romaria

Começará na próxima madrugada, pelas 04:00 a 4ª romaria deste Rancho, com uma celebração eucarística (naturalmente) e até dia 7 caminharemos pelos caminhos desta Ilha rezando por todos. Quem nos quiser acompanhar nesta celebração, será bem-vinda. Também quem nos quiser pedir orações pelas suas intenções, procurem-nos nos caminhos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Romaria - Da prisão da vida material à liberdade plena no encontro com Deus


"“O romeiro é um monge que pela Quaresma, troca a clausura do convento pela clausura do ambiente que o rodeia e na qual, consegue contemplar com a alma (os pequenos milagres de Deus) aquilo que os olhos não vêm no dia-a-dia.”
Começo mais um artigo com este pensamento um pouco poético ou talvez algo exacerbado, mas que não deixa de ter algum fundamento aliás, “ «O romeiro (…) dia-a-dia» posso dizer-lhe que não está descaminhado. No primitivo monaquismo houve monges que se dedicavam a peregrinar constantemente, para indicar o seu desprendimento dos lugares deste mundo e se não afeiçoarem a nenhum. Foi um modo de viver para Deus. O importante é fazer a peregrinação por amor de Deus e com Deus no coração. Esse é o elemento essencial das peregrinações cristãs, aceitando com espírito de penitência os incómodos que implica toda a peregrinação verdadeira; esta é algo muito diferente de uma viagem ou visita turística impulsionada pela curiosidade ou ociosidade.”1
Enquanto homens e católicos assumimos a vivência da romaria, não só nos dias da mesma, como também tentamos assumir essa vivência nos restantes dias do “ano quaresmal”. Quando digo tentamos, é porque no mundo em que vivemos, existem imensas tentações para nos afastar de Deus, nos afastar dessa vivência que devia ser permanente.
Como romeiros e particularmente durante a romaria a nossa primordial função é orar. Orar por todos aqueles que nos procuram e pedem orações, mas também e especialmente, por aqueles que se encontram afastados de Deus. Também neste modo peculiar de orar aproximamo-nos um pouco daqueles irmãos (as) que vivem em permanente oração, já que o seu lema se traduz na seguinte afirmação “nós não falamos de Deus aos homens, falamos dos homens a Deus” 2
Quase a terminar deixo-vos a seguinte passagem bíblica (Mt 13,34-34) –
“33Com muitas parábolas como estas, pregava-lhes a Palavra, conforme eram capazes de compreender. 34Não lhes falava senão em parábolas; mas explicava tudo aos discípulos, em particular.”
Com esta passagem pretendo dizer apenas que nestes parcos artigos que fui escrevendo ao longo deste “ano quaresmal” que termina no próximo dia 2 (tendo em conta que no dia 3 começa outro) tentei (recorrendo ao lema comum a qualquer rancho – “o que é da romaria fica na romaria”) aproximar os romeiros e as romarias a todos aqueles e aquelas que, sendo cristãos ou não, olhavam para nós com desdenho, gozo e até algumas palavras menos próprias. Tentei ainda aproximar todos aqueles cristãos que nada ou pouco sabiam dos romeiros e romarias, que ficassem a conhecer uma pequena parte do todo que são os romeiros e romarias, aliás, por muito que escrevesse ou se escreva, nunca se consegue ou conseguir-se-á transmitir a essência da vivência de romeiro e da romaria. Tal como a passagem acima citada, é no rancho e na romaria que se deve e pode aprofundar os conhecimentos. Aqui, nestes modestos artigos, apenas tentei levantar um pouco do véu, sem ferir susceptibilidades.
Termino pedindo a todos os quem leiam este artigo e durante esta romaria que será de 3 a 7 de Março, procurem-nos nos caminhos da ilha e peçam-nos orações. Seja qual for a vossa intenção, rezaremos pela mesma."

1 – Excerto de uma carta de um monge Cartuxo;
2 – Parágrafo de uma outra carta de um monge Cartuxo.
Artigo publicado no Jornal "A União" da passada 6ª feira.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CAETANO TOMÁS "Queria ser um padre do mundo"

"Aceita com gratidão, mas com timidez, a homenagem que um grupo de fiéis lhe prepara a 4 de Março para assinalar os 60 anos de sacerdócio. À “a União” confessa que quis ser “um padre do mundo”, mas desiludiu-se com a geração saída do pós-guerra que apelida de “infantil” e “egocêntrica”. A mesma que diariamente o procura para aconselhamento espiritual.

“Fui criado com a ideia de que um homem só se gaba depois de morto e o sol depois de posto”. Caetano Tomás é, como sempre, peremptório quando fala sobre as coisas da vida, assumindo semelhante postura à homenagem que se avizinha para assinalar os seus 60 anos de sacerdócio, encarada com gratidão, mas com “uma certa timidez”.
“Não parece, mas sou uma pessoa tímida”, refere-nos em conversa mantida na intimidade da casa, em São Pedro, sala de estar onde é solicitado diariamente por pessoas em busca de orientação espiritual.
O próximo dia 4 de Março, data que assinala a passagem de seis décadas da sua ordenação é encarada, revela-nos, “com um pouco de angústia e complexo… de culpa”.
Não se sente totalmente meritório de tal honra, porque encara a efeméride como mais uma etapa da sua vida.
Mas a preparação dos festejos, reconhece, já mexem com a sua rotina. As solicitações ao telefone são uma constante: “sim, tenho recebido muitos telefonemas por causa da homenagem”.
É tempo de recordar, a sua biografia, o seu percurso eclesiástico. O Cónego Caetano Tomás já tem as fotografias preparadas. O resto sabe-o de cor

Ordenado entre 160 académicos

Lembra-se perfeitamente do dia em que foi ordenado em Roma, na Basílica de São João de Latrão – “a maior das igrejas católicas”, enfatiza.
“Nesse dia, ordenaram-se cerca de 160 estudantes eclesiásticos de vários colégios e universidades”, numa altura, explica, em que Roma albergava cerca de 10 mil académicos católicos.
Na sua missa de ordenação, Caetano Tomás contabilizou 30 novos colegas de sacerdócio. “Pessoalmente, foi um acontecimento muito importante”.
Igualmente importante foi o tempo que permaneceu no Vaticano: “foi um tempo maravilhoso. O tempo mais leve da minha vida”, completado entre 1947 a 1954, com a conclusão da licenciatura em Teologia e Filosofia.
“Queria ser um padre do mundo”, conta, recordando que Roma era “muito eclesiástica, com um ambiente muito universal. Havia mais de uma centena de nacionalidades entre os estudantes eclesiásticos”.
Ainda antes de regressar à ilha Terceira em 1954, onde assumiu a longo prazo a docência no Seminário Episcopal de Angra, como professor de Matemática e Física, a sua paixão pela Psicologia fê-lo aprofundar a sua instrução em Itália e em Inglaterra.
Aliás, a docência esteve-lhe na vocação que desenvolveu em várias instituições, caso da então Escola do Magistério Primário e Educadores de Infância de Angra onde leccionou Psicologia e da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo.

Capelão há 52 e CPM há 30 anos

É, há 52 anos, capelão de São Gonçalo, ocupando igual função, há uma década, na Casa de Saúde de São Rafael e no Bairro do Lameirinho.
O Cónego Caetano Tomás é também conhecido por orientar Cursos de Preparação para o Matrimónio (CPM), função que alarga a todas as pessoas que lhe surgem com problemas para partilhar e orientar.
“Já são 30 anos de CPM”, conta, período ao longo do qual não traça um balanço positivo. A falta de segurança e de autoridade são os dois pontos fundamentais em que a sociedade falha. É por isso que fala em “terapia” e em orientação para a “cura de depressões” de quem o procura.
“Existe falta de regras seguras na educação, de homens seguros”, conta.
Mas, o pior, adianta, está na perda do valor “trabalho”: “vivemos numa época lúdica, de brincadeira, e o que faz a realidade válida é o trabalho, a atitude laboral, livre, voluntária, responsável”.
“Hoje em dia, o trabalho é um factor de comércio, e não de gosto humano, não de função”, explica.
O egocentrismo, “causado por uma geração europeia do pós-guerra, marcada pelo bem- estar generalizado, pelas facilidades”, está, aponta com amargura, a “afundar” a Europa.
A raiz do problema, refere, “está na família”: “antes as crianças brincavam aos trabalhos e agora chegam aos 14/16 anos e não fizeram nada, não sabem fazer nada e são uns preguiçosos”.
A infantilização do homem, com a ascensão social e profissional da mulher é outra temática que lhe é cara e que tem moldado as gerações saídas da década de 60.
Todos estes tópicos levaram-no a fazer vários trabalhos sobre Psicologia na rádio e na televisão, realizando diversas acções de formação para docentes e público em geral. Já publicou várias obras, entre as quais: “Entender o Cristianismo” e uma obra com quatro volumes: “Pessoas - Traços e Comportamentos”.
Florentino com percurso

Nascido na ilha das Flores, a 12 de Setembro de 1924, Francisco Caetano Tomás mostra, sentado na poltrona moldada aos seus jeitos, os percursos de vida através de poucas fotografias.
O cumprimento a João Paulo II, aquando da sua passagem pela ilha Terceira em 1991, a cerimónia de lançamento dos seus livros, o encontro com personalidades políticas, os passeios pela sua terra natal, uma fotografia de grupo dos CPM e uma caricatura pela qual guarda um especial carinho, elaborada por um antigo aluno do Seminário estão entre as escolhidas.
Perde mais tempo nas fotografias de família. É o sétimo filho de 14. “Escaparam dez”, diz-nos.
Guarda da família, a referência da rectidão. Hoje, com 85 anos, já tem 36 sobrinhos. Mantém contacto com os irmãos radicados no Canadá, E.U.A, São Miguel e nas Flores. Na ilha Terceira, faz da comunidade a sua família alargada, à qual mantém porta sempre aberta.
O programa de homenagem ao P.e Caetano Tomás contará com uma missa, marcada para as 18H15, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, seguida de um jantar-convívio, às 20H00, no Clube Musical Angrense.
Presentes na cerimónia estarão dois oradores, o Monsenhor José Lima e Álvaro Monjardino"

Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje.