sexta-feira, 9 de abril de 2010

O 4º Dia da Romaria

Imagem publica retirada daqui


"São João da Cruz insigne Santo de grande misticismo afirmou em certa ocasião o seguinte:



“Fecha os olhos e verás
Faz silêncio e escutarás”




"A mente é uma massa confusa em que é difícil distinguir o que é pensamento do que é emoção, tudo está misturado: Recordações, imagens, projectos, pressentimentos, ressentimentos, pensamentos, critérios, aspirações, obsessões, ansiedades, etc., tudo está numa confusa mistura. Nesse mar turbulento e agitado é difícil “estar” com o Senhor.
Em boa hora se incluiu mais um dia à nossa Romaria indo para o interior da Ilha.
Assim no silêncio e equilíbrio da paisagem campestre podemos na fé e no amor “estar” com o Senhor Deus.
Bem haja o nosso Irmão Mestre que de tal se lembrou e pôs em prática.

Participamos na Romaria porque não podemos viver sem Deus e a Romaria é uma busca com os Irmãos do rosto do Senhor que cada um a seu modo o faz.
Também nos impulsiona aquele ardente anseio, inúmeras vezes expresso pelos homens de todos os tempos de Deus e que se manifesta com aquele grito “Mostra-me o Teu Rosto”. Rosto de Deus é uma expressão Bíblica que significa a presença viva do Senhor e, essa presença faz-se mais palpável, na fé e no amor quando a intimidade se torna mais profunda e intensa e nada mais adequado que o 4 dia.

O Mestre dos mestres, Jesus disse: “entra em teu quarto” . Entrar num quarto é tarefa fácil, porém que fazemos se o mundo turbulento e agitado vem connosco? Esse quarto de que fala Jesus é preciso entendê-lo em sentido figurado; é aquela última solidão do ser.
Diz Jesus ainda “fecha as portas e as janelas”. Fechar estas portas e aquelas janelas é tarefa fácil, porém o que fazer com todas as inquietações que nos apoquentam e acompanham no dia-a-dia, nada melhor que o 4 dia para serenar a mente e encontrar paz no coração.
Acho que a maioria dos Irmãos não chega a experiências profundas com Deus por não estar aberto a um trabalho de despojamento que se encontra no silêncio daquele dia.
Mas o Senhor que é paciente e compassivo dá-nos mais uma oportunidade para o próximo ano na V Romaria."
Artigo escrito pelo irmão João Dinis

Tomé e outros seguidores

"Está na moda, em certos meios sociais, sobretudo, em algumas ditas “elites”, não sei de quê, afirmarem-se como agnósticas ou ateias. É um fenómeno transversal, muitas vezes ligado a correntes de pensamento, que no século passado e, ainda hoje oprimiram milhões de pessoas, atirando-as para os campos de concentração, “goulagues” ou “cortinas de bambu”.
Numa globalização, onde imperam interesses de grupos económicos de um liberalismo selvagem, feito “bezerro de ouro”, até de sistemas políticos e sociais, como os novos impérios emergentes, sobretudo da Ásia, tudo é possível, menos a autêntica liberdade religiosa, onde os fiéis possam exprimir a sua fé.
Nem falamos, propriamente, dos chamados “cristãos de São Tomé”, que a Epopeia dos portugueses encontrou na Índia das Especiarias. Hoje, também eles a braços com fanatismos, que os perseguem em certos estados daquela, que alguns designam como a maior democracia do mundo, apesar das suas milhentas castas.
Evidentemente, que São Tomé precedeu os que hoje se afirmam de descrentes, à espera de apalparem provas materiais, como se tudo pudesse ser visto ao microscópio ou ao telescópio: “ Se não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se não colocar o meu dedo na marca dos pregos e se não meter a mão no Seu lado, não acreditarei”.
Muitas vezes cegos, pela novidade, pelo sucesso ou, por uma outra qualquer presunção, perfilam-se os candidatos a serem incensados, à boa maneira dos “imperadores–deuses”
do Império Romano, que fizeram milhares de mártires da Fé, entre os discípulos de Cristo, nomeadamente os Apóstolos Pedro e Paulo, a quem continuam a crucificar em nossos dias.
Até que “uma semana depois, os discípulos estavam reunidos. Desta vez, Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Chega aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e mete-a no Meu Lado. Não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu a Jesus: «Meu Senhor e meu Deus!». (Confira João 20, 24-29).
O orgulho de muitos, o “politicamente correcto”, leva a que muitos, mesmo que tenham descoberto as Chagas de Cristo, de cujo crucifixo, têm mais medo do que o diabo, não abram a boca e confessem o mesmo que Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!».
Para os que passam por semelhante experiência, Jesus diz o mesmo: «Acreditaste porque viste. Felizes os que acreditam sem terem visto». É ocasião de te interrogares sobre a tua Fé. De que lado te colocas. Ou vais fugir como os Discípulos de Emaús?"
Artigo publicado no Jornal "A União" de ontem da autoria do Padre Dolores

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Porque será que há sacerdotes?

"Nesta série de textos tem-se procurado dar conta de que os “sacerdotes” de qualquer religião, correspondem a uma necessidade das consciências humanas. Isto em todas as religiões, que o são de facto. É que há movimentos de certa espiritualidade que não são religiões. Por exemplo o Confucionismo.
Esta exigência básica das consciências religiosas seria o suficiente para aparecerem sacerdotes da Igreja de Cristo, o que teria acontecido se eles os não tivesse instituído. Mas, como se tem dito, seria um sacerdócio muito diferente daquele que realmente existe, que foi instituído por Cristo. Aliás, a própria Igreja ter-se-ia formado, se Cristo a não tivesse fundado. Porém, como já foi dito, ela seria a igreja dos cristãos, e não a Igreja de Cristo. E o sacerdócio não seria o sacerdócio instituído por Ele. Seria semelhante a certos pastores protestantes.
Essa igreja até poderia estar dividida em muitas igrejas diferentes, sem serem Igreja “Uma”, como ela é. E seria parecida, com muitas igrejas protestantes que são praticamente diversas e separadas umas das outras. Ou seriam como milhentas seitas que por aí existem, totalmente separadas entre si. E procurando separar a Igreja de Cristo que é Una. Algumas delas tentam estabelecer uma possível unidade.
Para entendermos bem esta existência do sacerdócio na Igreja de Cristo, é importante tomarmos consciência de que ele a quis formar e a formou realmente. Assim era natural que Ele mesmo lhe desse o seu sacerdócio.
Vamos, pois, seguir os andamentos de Cristo nos Evangelhos. E vamos dar conta de que Ele foi preparando essa Igreja. E com ela o sacerdócio. Para tal, começou por reunir e orientar discípulos, e entre estes escolheu alguns a quem chamou Apóstolos, isto é, “Enviados”. Ensinou-os em particular e, a certa altura, encarregou-os de pregar e “reger”. Era a raiz do sacerdócio. Eles viriam a ser os primeiros sacerdotes. Tudo isto significa uma organização definida. Foi o que Ele fez.
Uma das expressões mais significativas encontra-se no Evangelho de S. Mateus, cap. 18 Vers. 16: “tudo o que ligardes na terra será ligado no céu e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”. Estas palavras vêm num contexto de autoridade; vers. 17: “se ele (o teu irmão), se recusar a ouvi-las (as testemunhas), comunica-o à Igreja”.
E, noutro lugar, Lucas, 10, 16, diz: “quem vos ouve a Mim é a Mim que ouve, quem vos despreza a Mim despreza”. E em S. João, 13. 20: “quem recebe aquele que eu enviar, é a mim que recebe”. Estão a aparecer as pessoas concretas para o sacerdócio.
Mas antes de fazer estas afirmações, Ele tinha falado a Pedro de maneira muito directa. Lê-se em S. Mateus, cap. 16. 18: “tu és Pedro e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligardes na terra será ligado no céu. E tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”.
Mais, no Evangelho de S. João, cap. 10, Ele apresenta-se como Bom Pastor do seu rebanho. É uma imagem de profundo valor de unidade e orientação. No povo judeu o pastor e o rebanho constituíam uma autêntica “família”. Isto equivale a uma “igreja”. Isto é “povo reunido”.
Mas ele continuou, vers. 14: “Eu sou o Bom Pastor, conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas conhecem-me”; vers. 16: “ tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco e também tenho que as conduzir”. “Ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. E, mais tarde vers. 27: “as minhas ovelhas ouvem a minha voz: eu conheço-as e elas seguem-me”.
Na sua maravilhosa fala na Última Ceia (vale a pena lê-la) no Ev. De S. João, cap. 17, vers. 18), “assim como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo” … “não rogo somente por eles, mas também por todos aqueles que, pela sua palavra, hão-de acreditar em mim”. Estava aqui o encargo de pastorear.
Estas afirmações não foram feitas com referência exclusiva àquele grupo que andava com Ele. Na verdade, o seu projecto não tinha limites, pois era extenso a todos os homens. É que antes de subir ao céu, ele disse: “ide e ensinai todas as gentes batizando-as em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo” (Mat. 28. 19.)
E ainda naquela mesma Ceia, ao instituir a Eucaristia, vieram as palavras mais abrangentes de todas: “sangue da Nova e Eterna Aliança derramado por vós e por todos … fazei isto em memória de mim”.
Foi mesmo a comunicação do poder sacerdotal no ambiente daquela que seria a sua Igreja. Mais, antes de subir ao céu, deu a Pedro o célebre encargo de ser pastor das suas ovelhas. A cena é dum alcance total. Por três vezes Ele mandou Pedro apascentar as suas ovelhas: S. João, cap. 21:
- vers. 15: apascenta os meus cordeiros…
- vers. 16: apascenta as minhas ovelhas …
- vers. 17: apascenta as minhas ovelhas …
Está constituído o rebanho para atravessar os tempos, como ovelhas de Cristo, apascentadas por Pedro e pelos outros Apóstolos a quem Ele as entregou. Para estas tarefas Ele enviou “pastores” com funções de mestres e de sacerdotes. É o que veremos."
Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje da autoria de Caetano Tomaz

terça-feira, 6 de abril de 2010

Romeiros – Homens que caminham pelo Livro de Génesis

Peça exposta na loja "A Sapateia"
"Há alguns dias atrás num contexto que não vem aqui a respeito, o “nosso” Padre Dolores saiu-se com a afirmação que serve de base ao titulo, dizendo que “Os Romeiros são Homens que durante a quaresma vivem as passagens descritas no Livro de Génesis apenas caminhando.”
Realmente, muitas vezes tem destas saídas, em que pensamos que serão “apenas” mais umas frases bonitas e, no entanto, são frases ou pensamentos com uma profundidade tamanha que ficamos dias a fio a pensar nessas frases ou pensamentos, no seu contexto e na sua abrangência nas nossas vidas de Cristãos. Esta foi mais uma delas em que, mesmo para quem já anda em romarias há longos anos (e não me refiro a mim certamente ou algum dos meus irmãos ao longo destes quatro anos), fica fascinado ao dar-se conta que, na verdade, vive essas passagens simplesmente caminhado.
Qualquer que seja o rancho começa a sua caminhada diariamente nas “Trevas”, onde as formas são vazias de conteúdo, onde apenas conseguimos ver o irmão que caminha à frente. Aos poucos a “Luz” começa a despontar no horizonte, tal como Deus disse. Quando nos apercebemos deste milagre diário, damo-nos conta que a separação entre as Trevas e a Luz é muito ténue, tal como é muito ténue a separação entre o Mal e o Bem. O Mal, dependendo do estado de alma do Homem, muitas vezes faz-se passar pelo bem para assim enganá-lo e ludibriá-lo, mas o Bem, o verdadeiro e único Bem vem do Altíssimo e Ele, na maioria das vezes fala-nos no silêncio da Luz que nos ilumina através do Espírito Santo. Em romaria (mas não só) deixamo-Lo falar, seja na brisa que passa, na chuva que teima em não parar, nas aves que pairam no céu, nos campos cheios de vida, nos animais que se abeiram das paredes ou simplesmente no irmão que ao passar pelo rancho cantando a Ave-maria, algo maravilhoso lhe acontece ao ver a Cruz que segue à frente. Tira-Lhe o chapéu que cobre a cabeça e, mesmo que pequenas gotas de orvalho matinal lhe molhem a cabeça, apercebe-se que, tal como todos nós, só terá a derradeira recompensa através d`Ele, que deu a vida por nós. Só Ele é que nos salva, Aquele que segue à nossa frente, Aquele que seguimos.
Depois, vemos tudo aquilo que Ele criou, a terra e o céu, as arvores e os campos, as plantas e suas sementes e por fim os animais. Como é belo vermos estas maravilhas com outros olhos, com outro olhar, que não o do dia-a-dia da vida.
Por fim, do pó da terra que Ele nos soprou nas narinas, cruzamo-nos com o fôlego da vida. Cruzamo-nos com os nossos semelhantes, muitos deles atarefados nas suas labutas diárias, quais “Martas”, mas também, aqui e ali, cruzamo-nos com aqueles semelhantes que rezam e oram, quais “Marias”.
Poderia explanar mais passagens do Livro de Génesis que se enquadram com a vivência de uma romaria, no entanto, o “restante” Livro de Génesis (o género humano, o pecado, a redenção, a vida em família, a corrupção da sociedade, entre outros temas) é vivido, sentido e orado individualmente, através das contas do terço ou através das meditações, durante a caminhada.
Termino com uma passagem fabulosa (para frasear um irmão) do livro “Se tu soubesses o dom de Deus” “Ser apóstolo não consiste em fazer muitas coisas ou em resolver muitos problemas; talvez consista em poucas, talvez numa só: ser presença e testemunha de um Reino que é o de Jesus.”

Artigo publicado no Jornal "A União" de 5ª feira passada.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Páscoa e a desidratação

"Uma das grandes descobertas do séc. XX , foi o problema da desidratação dos organismos vivos, em especial do homem. Aliás sabia-se da função essencial da água nesses organismos. E também se sabia que a sua falta era a desidratação que matava tantos…
Neste horizonte um dos grandes passos da saúde nesse séc. XX, consistiu em conseguir a hidratação por meio de “soros” em casos de doenças e outros acidentes. Em Dezembro de 1944, eu próprio fui salvo pala aplicação do dito soro. O processo era ainda “primitivo” mas, sem ele, eu teria morrido nos meus 19 anos…
De lá para cá o “soro” é um recurso constante para socorro dos organismos desidratados ou em perigo disso…
Este facto pode alertar-nos para a “desidratação da alma”. E pode levar-nos a vários tipos dessa desidratação. Por ocasião desta Páscoa podemos pensar na desidratação “espiritual”. E pensar que Cristo é “Fonte de Água Viva”. E que a falta d’Ele constitui uma profunda dimensão dessa desidratação espiritual. Ela concretiza-se de muitas formas, a muitos níveis, e por muitas vias. Uma das mais determinantes é o esquecimento d’Ele nas nossas mentes actuais.
E o seu processo passa pela falta de conhecimento do Evangelho e pela falta de celebração da Eucaristia. Também pelo abandono da religião e da prática religiosa em geral.
Esse abandono é desencadeado por muitas formas de dispersão do nosso tempo. É-nos muito facial andar ausentes, não ligar, não fazer esforço, esquecer… E andar embriagados com as coisas do mundo…
Estes factos são agravados pela nossa “deseducação” no campo das “boas maneiras” espirituais”. Essa deseducação é muitas vezes revestida com atitudes de desdém, desprezo, e até agressão para com os grandes valores do espírito. E, muito concretamente, do Evangelho.
Pois bem, estes dias de Páscoa são uma boa ocasião para a nossa “hidratação” espiritual. Uma das vias mais simples será ler as ultimíssimas páginas dos quatro Evangelhos, São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. Nelas encontramos Cristo que se apresenta aos seus discípulos, outra vez vivo, muito vivo. Isto é, Ressuscitado!
Para quem não conseguir ler as últimas páginas deles todos, recomenda-se o de Lucas, concretamente no capítulo 24, versículos 13 a 43. É impressionante o encontro d’Ele com os discípulos de Emaús e, depois, com os Onze. As suas almas ficaram “hidratadas”pela presença do Mestre que se lhes revelou.. E, por testemunho deles, se pode revelar a qualquer de nós…
Cristo não perdeu a sua força espiritual. As almas desidratadas é que a perderam. Os Evangelhos são formidáveis “fontes” de soro espiritual. De Cristo “Água Viva.” "

Artigo publicado no Jornal "A União" de 1 de Abril da autoria de Caetano Tomáz

Tríduo Pascal

"Os cristãos são chamados, após o retiro quaresmal, a uma maior vivência do Mistério da Fé, no Tríduo Pascal: Ceia do Senhor, Paixão, Morte e Ressurreição. Neste Ano Sacerdotal, não têm faltado as iniciativas no aprofundamento deste ministério, nascido na “Sua Hora” de “passar deste mundo para o Pai”.

Incompreensível para os não crentes e mal vivido por muitos dos que se dizem baptizados, mas que estão nos antípodas do Evangelho. Num mundo que confunde laicismo, com ateísmo militante, a Igreja, com os seus pecados e virtudes, sofre nos seus membros a “Paixão” de todos os tempos.
As situações de maiores restrições à liberdade de religião e “de culto encontram-se nos países de maioria muçulmana, especialmente no Médio Oriente e no Norte de África, mesmo às nossas portas. No Sudão o massacre não cessa, perante a indiferença do mundo, dito livre. Cristãos atacados no Egipto, na Malásia, no Vietname, no Iraque, na Indonésia.
“Segundo a Christian Security Network, nos Estados Unidos foram cometidos, em 2009, mais de mil e duzentos crimes contra organizações cristãs”, inclusive doze homicídios e três actos de violência, que englobam também três tentativas de violação e três sequestros. A registar noventa e oito incêndios dolosos e setecentos assaltos”.
A Agência Fides noticiou que, em 2009, foram assassinados trinta e sete testemunhas do Evangelho (trinta sacerdotes, duas religiosas, dois seminaristas e três leigos, na sua maioria na América Latina.
Não faltam “os Judas”, que após terem estado reunidos à volta da Mesa do Senhor, O vendem pelos trinta dinheiros de sempre. Nem “os Pedros”, que O negam perante as autoridades, os tribunais e opinião pública dos nossos dias, a pedirem a libertação de Barrabás e a crucifixão de Cristo.
Fica-nos o exemplo ímpar do Lava-pés, num amor não só de palavras, mas de gestos concretos de quem dá a prova de que “os amou até ao fim” (João 13, 1). Os braços abertos, do Crucificado, incomodam todos, com quem o Senhor se identifica: Os humilhados, injustiçados, abandonados de todos os tempos.
Mas a noite vai acabar, a pedra do Túmulo vai ser removida. Já se vislumbra a “Luz de Cristo Ressuscitado”, a ofuscar os confundidos com as diatribes de sempre. A memória de Deus é de Amor e Perdão: “Pai, perdoai-lhes, por que não sabem o que fazem!”
Uma Santa Páscoa!"

Artigo publicado no dia 1 de Abril, da autoria do Padre Dolores