sexta-feira, 30 de abril de 2010
Cânticos e Orações IV
Oh Mística Rosa!
Maria que tendes o Vosso amabilíssimo coração,
abrasado nas mais vivas chamas de caridade,
nos aceitaste por filhos, ao pé da Cruz,
Tornando-Vos nossa Mãe terníssima.
Ai fazei-me experimentar a doçura do Vosso maternal coração
e a força do Vosso poder junto a Jesus,
em todos os dias da nossa vida, especialmente no último,
na hora da nossa morte.
Ámen
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Do Mar da Galileia para a aventura dos Oceanos
Vem isto, a propósito da Assembleia Diocesana do Clero, que se está a realizar, na Casa de Retiros de Santa Catarina, no Pico da Urze, onde cerca de meia centena de Sacerdotes, reunidos com o nosso Bispo, tem estado a reflectir sobre a “espiritualidade do presbítero”, “fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote e “desafios à acção pastoral da Igreja”. Nessa reflexão ajudados pelo Padre António Bravo.
Oportuno este momento, a condizer com o Domingo do Bom Pastor, que se celebrou no Primeiro Dia da Semana. Dispersos no Arquipélago, os sacerdotes vindos das diversas nove Ilhas, ricos na sua diversidade de carismas e de gerações abrangidas por seis décadas de Evangelização.
Tempo curto perante a Eternidade, mas suficientemente longo, para as navegações da “Barca de Pedro”, soprada, muitas vezes, por ventos contrários, e por uma terra que, embora escassa, lhe correm nas veias a lava dos vulcões e terramotos: Vulcão dos Capelinhos (1957/1958); Terramoto de um da Janeiro de 1980, Terramoto de 9 de Julho de 1998, entre tantas outras crises, a apelar numa Reconstrução, que se continua e não mais acaba, a não ser na Bem-aventurança, que nos está reservada.
Açores visitados pelo Santo Padre João Paulo II, a 11 de Maio de 1991, e quando se avizinha a vinda a Portugal do Papa Bento XVI, ecoa-nos, ainda aos ouvidos, as palavras proferidas por João Paulo II, aos sacerdotes e fiéis desta Diocese de Angra: “A Reconstrução continua”. E tem de continuar, não apenas nos templos ainda por reconstruir, danificadas pelo último terramoto do Faial e Pico, mas muito mais nos desafios que nos esperam nestes tempos da Globalização.
Em Novembro do ano passado celebramos os 475 anos da elevação a Diocese de Angra, por Bula do Papa Paulo III, em 3 de Novembro de 1534. Mas a viagem da história da Evangelização continua nestas Ilhas e em todo o mundo, onde o apelo de missão nos chamar.
Não há que ter medo, mesmo com o mar alteroso, à nossa volta, pois Cristo, vai na barca. Preciso é estar atento à sua Palavra e deitar as redes à pesca. Ele aguarda-nos na próxima margem com o Pão da Vida e as brasas, onde se forjam os cristãos de sempre. "
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Poema "Romeiro"

Memórias de 2009
“A romaria é encarada com esperança e testemunho público do sentido penitencial da fé nesta época de Quaresma para a Páscoa da Ressurreição”, disse hoje à Lusa o reitor do seminário, padre Francisco Dolores.
Os cerca de meia centena de romeiros, com idades entre os 8 e os 65 anos, são oriundos das ilhas Terceira, São Miguel (4) e Graciosa (4) e vão percorrer as estradas da ilha ao longo de duas centenas de quilómetros de orações e penitências.
A romaria inicia-se com uma missa às 4 da manhã de quarta-feira no Santuário seguida da partida, uma hora depois em direcção à primeira freguesia, Santa Bárbara, onde, ao cair do dia vão pernoitar.
Ao longo do percurso, feito em duas alas pelas estradas, os romeiros rezam pais-nossos e ave-marias por si e por todos quantos os abordam a solicitar orações.
De acordo com a tradição, o público pode abordar os romeiros perguntando: - Quantos irmãos são? Recebe por resposta: - Somos cinquenta e mais três que são Jesus, Maria e José.
Este diálogo é feito entre o público e o “procurador das almas” o elemento que vai no fim da romaria para receber os pedidos.
Quem pede, explica Francisco Dolores, também fica obrigado a rezar tantas ave-marias de acordo com o número de romeiros.
No ano de 2007 os romeiros foram solicitados para 140 pedidos de intenções, número esse que se elevou para 200 no ano passado.
O grupo, onde se integra o mestre, é encabeçado pelo romeiro mais novo que transporta a cruz e pelo contra-mestre, rezando todos alternadamente, pais-nossos e ave-marias com terço que seguram nas mãos que complementa um outro que trazem ao peito.
O vestuário dos Romeiros está de acordo com a simbologia do tempo quaresmal e representa diversas facetas do calvário e Paixão de Cristo.
A saca que levam às costas, onde transportam roupa, simboliza a cruz de Cristo, enquanto o xaile representa o manto vermelho que os romanos colocaram em Jesus Cristo quando foi julgado.
O lenço, que por vezes serve para tapar a cabeça, representa a coroa de espinhos e o bordão simboliza a vara de cana que deram a Jesus Cristo quando lhe disseram que era o Rei dos Judeus.
Ao longo dos cinco dias de caminhada, sempre no sentido dos ponteiros do relógio, e orações os Romeiros vão pernoitar e alimentar-se nas freguesias de Santa Bárbara, dormindo na Casa dos Romeiros.
Depois na freguesia da Agualva pernoitam no Centro Social enquanto nas freguesias do Porto Martins e, depois, São Sebastião, dormem em casas de particulares que os acolhem.
A marcha dos Romeiros termina no dia 29, domingo, junto à Ermida de Santo António, no Monte Brasil em Angra do Heroísmo num “jantar com as famílias”.
O último acto é uma missa no Santuário de Nossa Senhora da Conceição.
Segundo o padre Francisco Dolores estas romarias, ainda que mais pequenas nas distâncias percorridas, foram tradicionais na ilha Terceira ao longo dos séculos XVIII e XIX.
Durante o século XX, “não tenho registo da realização de qualquer romaria”, assevera.
As romarias na ilha foram retomadas no ano de 2007 com 26 pessoas e continuada no ano passado com 39."
Missa nova do Padre André foi momento de profunda fé
Com alguma humildade da nossa parte, mais um nosso irmão Romeiro que connosco caminhou quando ainda era Diácono (com as incertezas próprias do ser humano) e hoje já é Sacerdote.Este artigo que abaixo transcrevemos foi publicado no Jornal Correio dos Açores, no dia 22 de Dezembro de 2009.
Autor: João Paz"
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Os "sinais" em Romaria
"Desde a morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, que todos nós (meros Homens e Cristãos) por vezes caímos na tentação de querer ver sinais da presença efectiva de Deus nas nossas vidas. Apesar de tudo o que dizemos, escrevemos ou professamos, são muitas as vezes e situações que assim pensamos e agimos. Não nos basta o que Ele transmitiu aos seus discípulos e seguidores, não nos basta o que ficou escrito “Felizes os que acreditam sem terem visto” e ainda hoje, por vezes, continua a não bastar… infelizmente. Ainda hoje queremos ouvi-Lo “com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (Act 2, 22)”.
Deus está constantemente a dar-nos sinais, mas nós, muitas vezes, procuramos sempre do lado do extraordinário e raramente Deus está no extraordinário. Deus está, isso sim, frequentemente no simples e na simplicidade da vida. Para mim, o maior sinal que Ele nos oferece é o de uma família humana, como as nossas, em que Ele se faz corpo para ser «Deus connosco».
Conta-se que um velho árabe, analfabeto, orava com tanto fervor e carinho, cada noite, que certa vez, o rico chefe da grande caravana, chamou-o à sua presença e lhe perguntou: “Por que rezas com tanta fé? Como sabes que Deus existe, se nem ao menos sabes ler?”. O crente respondeu: “Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele”. “Como assim?”, indagou o chefe, admirado. O servo humilde explicou-se: “Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?”. “Pela letra”. “Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa quanto ao autor dela?”. “Pela marca do ourives”. O empregado sorriu e acrescentou: “Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe, depois se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?”. “Pelos rastros”, respondeu o chefe, surpreendido. Então, o velho crente convidou-o para fora da tenda e mostrando-lhe o céu, onde a lua brilhava cercada por multidões de estrelas exclamou, respeitoso: “Senhor, aqueles sinais, lá em cima, não podem ser dos homens…muito menos de algum cavalo ou algum boi…logo são de Deus!”. Nesse momento, o rico chefe, ajoelhou-se na areia e começou a rezar também.
Deus, mesmo sendo invisível ao olhar humano, deixa-nos sinais em todos os lugares. Na manhã que nasce calma com o chilrear dos pássaros, no dia que transcorre com o calor do sol que nos aquece ou com a chuva que cai e sacia a terra e o verde das pastagens. Ele também deixa sinais, quando alguém se lembra de ti, quando alguém te considera importante ou te visita numa hora de sofrimento.
Deus está em todo o lado mas, na maioria das vezes está naqueles locais, naquelas pessoas ou naquelas situações em que pensamos que nunca estaria.
Também em romaria não somos muito diferentes e muitos de nós (começando por mim algumas vezes), tendemos a querer ver sinais aqui, ali ou acolá, quando esses mesmos sinais não estão ao nosso redor, não estão fora de nós, mas sim estão “simplesmente” dentro de nós, dentro dos nossos corações.
No 4º dia de romaria, um dia por excelência em que o silêncio com Deus reina sobre todas as coisas e especialmente no “meio do nada”, onde temos tudo em abundância, este ano deparei-me com uma “certeza” (incerteza por certo já neste preciso momento) sobre estes sinais. A meu ver existem três tipos de sinais. O 1º tipo são aqueles que vemos mais frequentemente em romaria, vulgarmente chamados de trânsito. O 2º tipo são aqueles que denomino de “seguidores de Tomé”, os quais, ao verem um pequeno nevoeiro a cobrir tudo e todos, já imaginam a transfiguração de Cristo Nosso Senhor assim como a aparição de Moisés e Elias, e o 3º e último tipo de sinais (os autênticos) são aqueles que apenas vemos com os olhos da alma, são aqueles que apenas sentimos nas entranhas do espírito, são aqueles que, não havendo nada de extraordinário ao nosso redor, Deus está connosco e nós com Ele."
sexta-feira, 9 de abril de 2010
O 4º Dia da Romaria
Imagem publica retirada daquiFaz silêncio e escutarás”
Em boa hora se incluiu mais um dia à nossa Romaria indo para o interior da Ilha.
Assim no silêncio e equilíbrio da paisagem campestre podemos na fé e no amor “estar” com o Senhor Deus.
Bem haja o nosso Irmão Mestre que de tal se lembrou e pôs em prática.
Participamos na Romaria porque não podemos viver sem Deus e a Romaria é uma busca com os Irmãos do rosto do Senhor que cada um a seu modo o faz.
Também nos impulsiona aquele ardente anseio, inúmeras vezes expresso pelos homens de todos os tempos de Deus e que se manifesta com aquele grito “Mostra-me o Teu Rosto”. Rosto de Deus é uma expressão Bíblica que significa a presença viva do Senhor e, essa presença faz-se mais palpável, na fé e no amor quando a intimidade se torna mais profunda e intensa e nada mais adequado que o 4 dia.
O Mestre dos mestres, Jesus disse: “entra em teu quarto” . Entrar num quarto é tarefa fácil, porém que fazemos se o mundo turbulento e agitado vem connosco? Esse quarto de que fala Jesus é preciso entendê-lo em sentido figurado; é aquela última solidão do ser.
Diz Jesus ainda “fecha as portas e as janelas”. Fechar estas portas e aquelas janelas é tarefa fácil, porém o que fazer com todas as inquietações que nos apoquentam e acompanham no dia-a-dia, nada melhor que o 4 dia para serenar a mente e encontrar paz no coração.
Acho que a maioria dos Irmãos não chega a experiências profundas com Deus por não estar aberto a um trabalho de despojamento que se encontra no silêncio daquele dia.
Mas o Senhor que é paciente e compassivo dá-nos mais uma oportunidade para o próximo ano na V Romaria."