quinta-feira, 17 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Em romaria Deus convida-nos a que Ele habite em nós

“Partindo da Sagrada Escritura e da Tradição, a solidão cristã procurada afirma-se como lugar da prova e da promessa, da separação e do encontro, do apagamento e do renascimento, da angústia e da iluminação, do sacrifício e redenção. Na história do Cristianismo, a solidão é, tradicionalmente, um lugar e um tempo de iluminação e de purificação cujos símbolos são a montanha e o deserto e nessa medida a solidão e o silêncio afirmam-se como verdadeiros meios de crescimento espiritual. A solidão cristã é uma solidão para a vida cristã e não a vida cristã uma vida para a solidão.” [i]
É no contexto desta frase, salvo outra mais fundamentada, que vejo e vivo as romarias, que vejo e vivo particularmente o 4º dia e, atrevo-me a dizer aqui, que todos os irmãos romeiros também vêem e vivem as romarias.
Neste dia em particular, caminhamos no meio da natureza quase intacta, quase pura. Ao redor de nós, apenas o verde das pastagens, alguns animais e o azul do céu. Passamos em silêncio e oração mas, os animais quando nos avistam, vêem ao nosso encontro, vêem até às paredes de pedras toscas e observam-nos. Com alguma modéstia e sem querer dizer que é algo transcendente, olham para nós de uma maneira peculiar, de uma maneira diferente daquela que olham outras pessoas que passam, quer sejam em grupo ou isoladamente. Dizemos que são animais irracionais, mas também são criaturas de Deus e como tal, dentro dessa irracionalidade aparente, algo se passa à passagem da Cruz ou à passagem da Sagrada Família que connosco caminha silenciosamente.
Este ano tivemos a graça de sermos abençoados várias vezes com o sinal do baptismo, a água pura e cristalina que caía do céu e banhava-nos até as nossas almas. Nesse 4º dia, onde éramos só nós e Nosso Senhor, e após 3 longos dias de oração profunda acompanhada da respectiva meditação, tivemos a “oportunidade” de escolha. Escolha entre continuar a rezar como até então ou contemplar as obras de Deus ao nosso redor, as quais na minha opinião, não deixam de ser também uma oração dignificando-O, aliás, existem pensamentos que são puras orações e neste dia, existiram momentos nos quais, fosse qual fosse a nossa posição, as nossas almas encontravam-se de joelhos e de mãos postas. Existiram também momentos onde relembrámos a solidão, a tristeza e a saudade da Virgem Maria, por ocasião da Paixão e Morte do seu filho Nosso Senhor Jesus Cristo.
Neste dia, em particular, deambulei entre as certezas profundas e as incertezas constantes. Caminhei entre o quase apóstolo e o ateu mais radical. Percorri a estrada entre o deserto mais seco e desolado e o oásis mais húmido e sombreiro, mas foi nesta longa estrada negra do asfalto, que passei pela solidão necessária em busca de mim mesmo, tentando sentir e viver as palavras de Santo Agostinho “Não vás fora, entra em ti mesmo; no homem interior habita a verdade”. Neste pensamento, Santo Agostinho, dá-nos a perceber que quanto mais o homem fica no exterior, tanto mais se esvazia de si mesmo. Ao contrário, quando este entra em si mesmo, recolhendo-se na sua intimidade, dá-se o encontro com Deus.
Nos dias de hoje, muitos de nós temos dificuldade em compreender que o Senhor faz morada na alma daqueles que têm a capacidade de mergulhar dentro das suas almas e não a ideia enraizada de Deus lá nos céus, quase inalcançável. É nesta solidão para a vida cristã, que em cada um de nós existe uma abençoada solidão, aquele “vazio” interior que não é maléfico, mas sim, o convite de Deus para O encontrarmos num lugar no nosso interior, no qual somente Ele habita, e ali é só Ele e tu, nada e ninguém mais, apenas o silêncio e o diálogo (oração). Todos recebemos este convite, mas poucos respondem-Lhe.
Uma das coisas que sentimos e vivemos em romaria é esse convite permanente de Deus para habitar em nós.
Como um irmão já escreveu, “Assim no silêncio e equilíbrio da paisagem campestre podemos na fé e no amor “estar” com o Senhor Deus.”. É assim que também vejo este “4º Dia”, “um lugar da prova e da promessa, da separação e do encontro, do apagamento e do renascimento, da angústia e da iluminação, do sacrifício e redenção.”

[i] Emanuel Matos Silva “Solidão, silêncio e presença em S. Bruno” Pag. 36
Artigo publicado no Jronal "A União" de ontem.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sinal da Cruz e identidade dos cristãos

"O Sinal da Cruz é marca de identidade dos cristãos, precisamente por nos colocar no mistério de Deus Uno e Trino, no qual são baptizados: “Em nome do Pai, em nome do Filho, e em nome do Espírito Santo”.
Assim começamos e terminamos as nossas celebrações litúrgicas. Assim deveríamos começar e terminar cada dia da nossa existência de peregrinos, sobre a terra que habitamos. E há tanto que apreciar nas maravilhas da Criação, que sempre se continua e renova em cada dia.
Quando um cristão faz o Sinal da Cruz está a fazer a profissão de fé, que o distingue dos crentes doutras religiões. Também é um gesto de testemunho da sua fé, bem eficaz quando assumido perante a multidão de todos os outros.
Escândalo para muitos, também em nossos dias, num laicismo que prefere outros gestos de adulação, onde o orgulho ancestral de velhos e novos “adamitas”, que se dizem despir de todos os preconceitos, mas que não toleram o Sinal da Cruz.
Por vezes, muitos dos amamentados na Igreja, que os fez gente, nas Cátedras das Catedrais e mais tarde Universidades, e Hospitais para os doentes de todas as condições e tantos outros avanços civilizacionais, procedem como “inimigos da Cruz de Cristo”, tentado banir o Sinal da Cruz, até nos recantos, que lhe deram Vida.
Ao celebrarmos a Santíssima Trindade, tenhamos bem presente os desafios, que se colocam a cada um de nós, a começar nas famílias, tão atacadas, por legislações danosas, que em nada apoiam à transmissão de Valores e de condições de vida, sobretudo em relação aos filhos a educar.
Continuaremos a fazer o Sinal da Cruz, pedindo a Deus que nos continue juízo, nos nossos pensamentos e inteligência, com uma vontade firme de que o nosso coração não se afaste dos verdadeiros sentimentos cristãos e nos faça abrir os braços para abraçar todos, num esforço de bem-fazer: “Pai, Filho, Espírito Santo”."

Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje, da autoria do Padre Dolores.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cânticos e Orações VIII

Acto de contrição

Meu Deus, porque sois infinitamente bom,
eu Vos amo de todo o meu coração,
pesa-me ter-Vos ofendido,
e, com o auxílio da vossa divina graça,
proponho firmemente emendar-me
e nunca mais Vos tornar a ofender;
peço e espero o perdão das minhas culpas
pela vossa infinita misericórdia.
Ámen

Cânticos e Orações VII

Oração a Nossa Senhora

Salva a Nossa Senhora
Deus nos salve ó pura e bela
Pelas vossas sete dores
Na vossa santa capela
Mimoso jardim de flores

O vosso nome é bendito
É cheio de santidade
Que não cabe no infinito
A vossa santa vontade

Ó Mãe de Deus Omnipotente
Que por nos sacrificaste
Tente compaixão da gente
Já que no mundo nos deixaste

Ó Mãe de Deus Sagrada
Filho do eterno Pai
Que por nós foste coroada
A nós todos abençoai

Toda a hora que tem brilho
Para quem sabe pensar bem
Abençoai os vossos filhos
Pelos Séculos. Amém.

Cânticos e Orações VI

Chegada à Igreja

Todos
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no principio agora e sempre. Ámen.

Deus nos salve Maria — Filha de Deus Pai.
Deus nos salve Maria — Mãe de Deus Filho
Deus nos salve Maria — Esposa do Espírito Santo
Deus nos salve Maria — Templo e sacrário da Santíssima Trindade
Ámen.

Os anjos dos céus vos louvam,
Soberana e clementíssima Senhora da humanidade.
Por muitos e infinitos milhares e milhares de vezes
Ámen.