quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Bendita a hora e o dia



“Bendita a hora e o dia, em que o Anjo São Gabriel desceu dos céus à terra, anunciando estas doces palavras:

Ave Maria,
cheia de graça, o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus
rogai por nós, pecadores,
agora, e na hora da nossa morte.
Ámen”

Paulo Roldão
(um irmão romeiro, como os demais)


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sentes as tuas orações?



Tantas vezes que aqui nos ajoelhamos para rezar e no entanto, algumas vezes não fazemos mais nada do que apenas recitar formulas ou orações sem as sentirmos verdadeiramente, começando por mim.
Tantas vezes que Lhe pedimos algo e esquecemo-nos de, primeiramente agradecer-Lhe tudo o que nos Tem dado ou até de O louvar.
Ajoelhamo-nos e rezamos mas, por vezes, são apenas segundos que nos parecem horas, com a pressa que temos para fazer outras coisas, quando o essencial, o principal é Ele. Não quero dizer com isto que o trabalho ou a família não sejam importantes e também essenciais mas, damos tanto tempo a outras coisas supérfluas no dia-a-dia e esquecemo-nos de oferecer algum desse tempo a Ele.
Tantas vezes que aqui te ajoelhas para rezar e no entanto, algumas vezes não sentes essas tuas orações como tal, apenas recitas formulas, tal como eu.

Paulo Roldão
(um irmão romeiro, como os demais)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Feliz data


Nasceu a 9 de julho de 1949. Pároco e Reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Angra do Heroísmo, desde 21 de Setembro de 2002. *

O Rancho de Romeiros deseja ao Guia Espiritual que esta data se repita por muitos e longos anos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sabes realmente onde estás?


“Uma epidemia de peste alguns séculos atrás... Os bois puxam as carroças cheias de cadáveres ainda quentes em direção às valas cheias de cale viva. Já não há ninguém para benzer os mortos desde a morte do padre da paróquia que visitava os doentes. Veja mais...
O jovem malabarista da aldeia começa a temer pela sua vida. O que será da sua mulher e do seu filho pequeno se também ele apanhar a peste? Resolve começar a rezar.
Esgueira-se para dentro da igreja que só costuma frequentar na Páscoa, como obrigam os mandamentos. Ajoelha-se diante do altar; mas, como rezar? O que é que pode dizer ao Deus todo-poderoso, esse juiz austero?
Então, para em frente duma estátua de Nossa Senhora e tenta recitar uma Avé Maria, mas a última vez que o fez foi há muito tempo. As palavras da curta oração escapam-lhe, já para não falar das lengalengas da sua infância.
"Vou rezar com as minhas próprias palavras", diz o pequeno malabarista a si próprio. "Vou falar com a Virgem Maria com o coração. Também ela vivia numa aldeia." Mas o jovem malabarista não tem jeito para as frases bonitas que gostaria de dizer. Está mais habituado a assobiar às raparigas e a dizer palavrões. Fica mudo.
De repente, resolve: "Vou fazer aquilo que sei fazer melhor. Vou fazer malabarismos para Ela!" Tira as bolas do saco e começa a fazer malabarismos, ali mesmo, na capela Mariana, vazia. Primeiro devagar, depois mais rápido, uma, duas, três bolas que lança cada vez mais alto, até ter cinco, seis, sete bolas nos ares, que dançam como os planetas nas nuvens intergaláxicas, tal como as luas de Júpiter.
De repente, surge o sacristão sem aviso, grosseiro e com a cara corada. Enterra a vassoura que traz na mão na barriga do malabarista e exclama: "Sabes onde estás, imbecil?! Sabes, não?! Mas a estátua de Nossa Senhora descontrai e sorri e depois ri às gargalhadas. E do seu pedestal, inclina-se para o pequeno malabarista e limpa o suor da sua testa com a palma da sua mão.”[1]
Este pequeno artigo no sítio em referência fez-me recordar a Celebração Eucarística seguida da procissão de velas ocorrida no passado dia 12 de maio.
A casa de nossa senhora estava cheia, a celebração em si foi fenomenal, mesmo com a chuva que teimava em cair abundantemente lá fora, na rua e o sermão proferido pelo Padre Dolores soberbo e apelativo à leitura do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem[2].
A imagem de nossa senhora em cima do seu andor estava com a simplicidade e humildade previstas, como ela o foi, como ela o é. A procissão estava preparada, os escuteiros iam entregando as velas nos recipientes improvisados para a cera não queimar as mãos. Atendendo ao tempo que tinha ocorrido durante a noite e ao que estava no momento, a procissão iria ser especial e peculiar.
Especial por ter ocorrido entre as quatro paredes do santuário, onde os cânticos marianos criaram uma ressonância própria, melodiosa e relaxante. Onde os cânticos marianos roçaram ligeiramente o céu e alegraram os anjos que ali estavam presentes.
Peculiar porque no meio de tantos devotos de Maria apenas uma pessoa[3] acenava-lhe com um lenço branco e com algumas gotas de água pura no canto do olho, vivia a presença da rainha dos céus e da terra. Admito que na altura achei uma tolice, por ser a pessoa que era, mas após ter lido o texto referido no primeiro parágrafo, senti que tinha agido quase como o sacristão, e afinal a pessoa em questão apenas tinha feito aquilo que sabia fazer melhor. Se calhar talvez fosse o único que sabia realmente onde estava e a ele Nossa Senhora descontraiu e sorriu-lhe.
Paulo Roldão
(um irmão romeiro, como os demais)



[1] Transcrição de http://www.lugarsagrado.com/ datado de 27 de junho de 2012
[2] O mesmo poderá ser descarregado em http://abcdacatequese.com/partilha/partilha-de-recursos/doc_details/2011-tratado-da-verdadeira-devocao-a-santissima-virgem-de-sao-luis-maria-de-montfort
[3] São Mateus 19,14


terça-feira, 12 de junho de 2012

Porto seguro


Esta imagem que se encontra no lado esquerdo do altar da Igreja da paróquia da Agualva, desde a 1ª romaria que sempre me fascinou. Não deixa de ser apenas e tão só uma imagem de Nossa Senhora com o seu filho ao colo, como tantas outras, no entanto, foi ao ver esta em particular, no final do 2º dia da 1ª romaria que o meu coração estremeceu.

Depois da saída das Quatro Ribeiras em direção à Agualva, o rancho meteu-se por um caminho diferente do previsto, afinal de contas era o 1º ano e, ainda que tenhamos lá chegado com a Sua ajuda, chegámos já ligeiramente cansados do corpo e sobretudo da alma, pelo menos eu, mas julgo não ter sido o único. Metemo-nos por caminhos belos e sublimes se fossem percorridos de dia, no entanto, tendo-os caminhado de noite, a distância parecia enorme, a escuridão punha-nos de rastos, os caminhos eram tudo menos caminhos, mas cantado cânticos dedicados a Nossa Senhora de Fátima chegámos ao destino. Chegámos e a sua porta estava aberta de par em par, a luz que de dentro irradiava, contrastava com a escuridão no exterior…não só da igreja como principalmente das nossas almas e dos nossos olhos, cegos do mundo que nos rodeia, cegos para Deus.

Lembro-me como se fosse hoje, esse encontro que com ela tive há entrada. O sorriso que esboçou foi um sorriso santo, um sorriso puro e imaculado. Ao contrário de tantas outras imagens esta olha para nós com aquele olhar de mãe. Mesmo com o filho ao colo, tem sempre uma mão para nos ajudar a erguermo-nos das faltas cometidas, da nossa fraca fé, da nossa esperança que inúmeras vezes esvoaça com uma ligeira brisa. Mesmo com o filho ao colo está ali sempre de mão estendida para todos nós. Como se isso, como se essa atitude já não fosse o suficiente, Ele também nos oferece gratuitamente o seu abraço de amor e perdão, Ele também está sempre ali de braços abertos para todos nós, muitas vezes cansados pelas nossas fraquezas.

Esta imagem transmite a tranquilidade, a serenidade e o descanso de um porto seguro em dias de tempestade.

Paulo Roldão
(um irmão romeiro, como os demais)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Templos fechados


No nosso dia-a-dia inúmeras vezes são aquelas em que encontramos as portas de muitos templos assim, fechadas. Umas, possivelmente porque a hora a que passamos ainda não foram abertas, outras porque passámos tarde demais e por fim, outras porque existe a possibilidade de serem vandalizadas.
A primeira coisa que nos vem à ideia é que “essa situação é inadmissível! Logo agora que precisava…”, no entanto, esquecemo-nos que somos nós o templo do Senhor e no qual o Espirito Santo habita em nós* . Precisamos d`Ele ali, no silêncio do sacrário e Ele está sempre ali de porta aberta para nós mas, esquecemo-nos quase sempre que, a principal porta a estar aberta é a nossa, a do verdadeiro Templo do Senhor.

* 1 Corintios 3:16
Paulo Roldão
(um irmão romeiro, como os demais)