sábado, 17 de maio de 2014

VIII Romaria em versos


Ao sair da Conceição
A nossa bela romaria
Partiu-se-me o coração
Por não puder fazer-lhes companhia

Mas a minha missão
É dar-lhes o apoio necessário
Com amor e coração
Como Cristo no sacrário

E por isso estou feliz
Embora com algumas emoções
E mais o irmão Luís
Transportando os colchões

Para que a pernoita seja boa
E para quem bem faz
E que cada uma pessoa
Durante a noite descanse em paz

O dia tem sido bom
Com calma e alegria
Porque Deus deu este dom
À nossa romaria

Mas isto é mesmo assim
Sem haver nenhumas asneiras
Porque o dia está a chegar ao fim
Quando chegar às Doze Ribeiras

Tivemos uma refeição boa
Refeição que Deus nos deu
Na Canada da Chiloa
Que fica em São Bartolomeu

Tinha muita abundancia
Que a todos satisfez
Para nós tem importância
Porque para o ano é outra vez

Sem ter ideia fraquinha
E sem fazer alvoroço
Porque no queijo Vaquinha
Deram-nos queijo para o pequeno-almoço

10º
Eu não sei o que faço ou se diz
Porque não me trás alegria
Porque o irmão João Dinis
Desistiu da romaria

11º
2º Dia ao formar rancho
O irmão-mestre deu sermão
Por haver sempre um desmancho
Ao entrar de cada irmão

12º
Os irmãos perdem a noção
Ao sair e ao entrar
Qual a sua posição
Para que o rancho possa entrar

13º
De manhã os corações
Ao deitarem a salva
Carregamos os colchões
E deixamos na Agualva

14º
Para o rancho pernoitar
Com amor e alegria
Depois de um dia a andar
Com a nossa romaria

15º
Nossa Senhora dos Milagres
Nos ajude neste dia
Conservai estes ares
Para bem da romaria

16º
Na Serreta houve quem transportasse
A comida sem alvoroço
Para quando a romaria chegasse
Toma-se o pequeno-almoço

17º
Não pondo ninguém à rasa
Sendo velho ou sendo moço
Nos Altares a Santa Casa
É que nos deu o almoço

18º
Na caminhada somos afoitos
A romaria é uma coisa fina
Na Rua dos Boiões nos Biscoitos
Fomos à Ermida de Santa Catarina

19º
É um lugar engraçado
Que as vezes se abandona
Porque nela está sepultado
O proprietário Sr. Pamplona

20º
Os Biscoitos é só um
Tem beleza e encanto
A casa do Sr. Brum
Tem a Ermida do Espirito Santo

21º
Na Igreja do Sagrado Coração de Maria
Da religião é um espelho
Porque a nossa romaria
Passou no Caminho do Concelho

22º
Na Ermida de Santa Catarina
Houve uma coisa engraçada
Houve uma ideia fina
De dar água e massa sovada

23º
Com o raiar da estrela D’Alva
Sem fazer nenhum alvoroço
Fomos os dois à Agualva
Levar a massa pró pequeno-almoço

24º
Como ideias tão brejeiras
E um estilo de oração
No inicio das Quatro Ribeiras
Tivemos mais uma meditação

25º
No final da meditação
Houve um raiar de luz
Que foi a condenação
De nosso Senhor Jesus

26º
O irmão padre Dinis
Estava com a cruz na mão
E tinha um ar feliz
Ao falar de São João

27º
Ele desafiou todos os romeiros
Em não pensarem em coisas parvas
E a serem os primeiros
A meditarem nas suas palavras

28º
Ele mostrou-nos o que era a Fé
Com sentimentos e alegria
Tal como São José
Teve para com Maria

29º
Na Casa do Povo houve um convívio feliz
Que até é de louvar
A família do padre Dinis
Presenteou-nos com um jantar

30º
Uma boa canja de galinha
Com sabor verdadeiro
E uma boa pinguinha
De saboroso vinho de cheiro

31º
A vida às vezes é curta
Eis as coisas como é
Também tinha boa fruta
E também um bom café

32º
Às vezes dá-nos preguiça
Mas isso não é alegria
Depois tivemos a missa
Para finalizar o dia

33º
Terceiro dia de prova
Manhã de beleza e encanto
Como rumo à Vila Nova
À Igreja do Espirito Santo

34º
Continuando a caminhada
Sem nunca olhar para trás
A malta seguiu animada
Como rumo a São Brás

35º
3º Dia sexta-feira
Sem ter ideia fraca
Vila Nova foi a primeira
Onde se começou a Via-Sacra

36º
Sem olhar para trás
Deixando as coisas como estão
A seguir foi São Brás
Aonde se fez a 2ª estação

37º
Depois de ter caminhado
Com sentidos ordeiros
O nosso irmão Ricardo
Deu-nos o pequeno-almoço nos Escuteiros

38º
Depois seguiu-se para as Lajes
Fazendo-se a 3ª estação
Depois fomos capazes
De receber o nosso irmão

39º
Continuando a romaria
Ó romeiro que nos acarinhas
Seguindo com alegria
Em direção às Fontinhas

40º
Aonde se faz a oração
Sem nenhum alvoroço
Fez-se a 4ª estação
Seguindo-se depois o almoço

41º
Com amor e alegria
E sem perder a razão
Chegou-se a Santa Luzia
E fez-se a 5ª estação

42º
Continuando a caminhada
Como quem reza e medita
Para depois chegar
À Ermida de Santa Rita

43º
Sem perder a razão
Que faz parte da vida
Fez-se a 6ª estação
Ao chegar à ermida

44º
Continuando a seguir
Com alegria e despacho
Para depois subir
À serra do Facho

45º
Chegando depois à Santinha
Cansados de caminhar
Tirando das costas a saquinha
Para um pouco descansar

46º
Apareceu a televisão
Para uma entrevista fazer
Rezou-se a 7ª estação
Que fez Jesus padecer

47º
Junto ao coração de Maria
Na linda Praia da Vitória
Foi com imensa alegria
Que se cantou honra e gloria

48º
Na 2ª meditação do dia
Que fez o nosso irmão padre
Junto à imagem de Maria
Para qualquer um compadre

49º
Ao encerrar o 3º dia
Por amor a Deus e à vida
Para eles foi uma alegria
Na Igreja de Santa Margarida

50º
Eu sou um homem firme
Porque já não sou moço
E foi no Pico de Vime
Que se serviu o almoço

51º
Não foi muito especial
Mas foi o que se pode arranjar
Foi típico e regional
Para a malta se deliciar

52º
Foi com sentido ordeiro
Digo aquilo que sinto
Torresmos, azeitonas, vinho de cheiro
Queijo, pão e vinho tinto

53º
Uva, peras e maçãs
Whiskey, licor e café
E irmãos com ideias sãs
Que as vão pondo de pé

54º
Sem ter ideia fraquinha
Sem nunca ficar farto
Seguindo rumo á Santinha
Que fica dentro do mato

55º
Continuando a romaria
Já chegando ao fim de semana
Rezando e cantando com alegria
Rumo à Ermida de Sant’Ana

56º
Tem corrido que é uma maravilha
Com gente bem afoita
Caminhando até à Vila
Para descanso e pernoita

57º
Continuando a caminhar
Como Simão de Cireneu
Apanhou-se uma chuvada
Rumo ao Porto Judeu

58º
Houve um pouco de descanso
Sem nenhum alvoroço
O rancho vinha mais manso
Para o pequeno-almoço

59º
No momento da partilha
Até faz cerrar os punhos
Foi um momento de maravilha
Onde houve grandes testemunhos

60º
Depois rumamos à Feteira
Passando pelo Caminho Velho e Novo
Caminhando na brincadeira
Para almoçar na Casa do Povo

61º
Para terminar como irmão
Com valor e lealdade
Terminamos na Conceição
Depois de ter percorrido a cidade.

Testemunho de um romeiro como os demais

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Encontro de romeiros mensal

Informam-se todos os irmãos que no próximo dia 7, pelas 20:00, no centro de catequeses do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, localizado na Rua do Cruzeiro, irá ocorrer o encontro mensal com o seguinte esquema:
Oração – sustento da alma*
Terço de romeiro dirigido pelo irmão Adalberto Couto
Tema para reflexão
“O Silêncio e a Oração” - Apresentação e explanação a cargo do irmão Paulo Roldão, seguindo-se de um período de diálogo fraterno entre todos os presentes sobre o tema.

Outros assuntos de interesse para o rancho
(…)

Mais se informa de que, este encontro também está aberta a todos aqueles que pretendam sair connosco na próxima romaria.
* Aquele que conhece os seus pecados é maior do que aquele que, pela sua oração, ressuscita um morto. Aquele que, solitário e contrito, segue Cristo, é maior do que aquele que goza o favor das multidões nas igrejas.
Santo Isaac, o Sírio
Paulo Roldão
(um irmão romeiro, como os demais)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A Sagrada Família em romaria


Em termos simbólicos, todo o traje de romeiro reporta-nos para a Via Sacra de Jesus, O Cristo, mesmo os dois terços que levamos, no entanto, também cremos que a Sagrada Família caminha connosco no meio do rancho, lugar sagrado onde só os irmãos podem caminhar. Lugar onde os irmãos que se sentem momentaneamente debilitados encontram o colo da Sua e Nossa Mãe, a mão firme e segura de São José e o eterno abraço meigo de Jesus menino.

Mas o que simboliza verdadeiramente a presença da Sagrada Família no rancho e em romaria foi algo que fui ruminando durante esta última romaria.

A Sagrada Família são três pessoas, Jesus, Maria e José e cada uma delas representa uma terça parte do que ocorre em romaria.

Sobre José pouco se fala na Sagrada Escritura, para além de ser citado de que era um homem justo[1]. Justo como Noé[2] e justo como Abraão[3] e como Noé e Abraão, José vivia na presença de Deus e tinha fé na Sua Palavra. Para além dessa particularidade e da sua imensa humildade, tudo o resto é silêncio. Um profundo silêncio, mas fecundo na contemplação de Jesus, fruto do aparecimento do anjo do Senhor por três vezes[4]. De igual modo, também nós romeiros, em romaria vivemos na presença de Deus e temos fé na Sua Palavra. Também nós contemplamos Jesus em momentos de silêncio, mas não um silêncio improdutivo e estéril, mas sim um silêncio semelhante a José.

Se José representa o silêncio, Maria encaminha-nos para a oração. Toda ela é uma oração constante e não apenas na recitação do terço. Ainda Jesus era uma criança já Maria conservava todas as coisas que Ele dizia e ponderava-as no seu coração[5], como oração que é.
Sua e nossa mãe Maria Santíssima, a partir do consentimento dado na fé, no momento da Anunciação e mantido sem qualquer hesitação sob a Cruz, a sua maternidade estendeu-se a todos os irmãos e irmãs de Jesus, único Mediador. Maria é pura transparência d`Ele, mostrando-nos o Verdadeiro Caminho, o Caminho das nossas orações.
Maria também era assídua à oração e mesmo após a Sua morte, o grupo de apóstolos e algumas mulheres, entre as quais Maria, unidos pelo mesmo sentimento, entregavam-se à oração.[6] Também nós unidos por esse sentimento e através de Maria que é pura transparência d´Ele, entregamo-nos á oração assídua que é o Verdadeiro Caminho para o único Mediador que é Jesus.

Sobre Jesus que dizer que não seja apenas “Jesus, filho de Deus Pai, tende piedade de nós, pecadores!” No entanto, sobre a Sua infância descrita na Sagrada Escritura vislumbro três passagens nas quais, de certa forma, a nossa maneira de estar em romaria e ser romeiro, assemelha-se um pouco à d`Ele.
Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens[7], tal como nós que, de romaria em romaria vamos crescendo no conhecimento, no aprofundamento e consolidação da fé e esperando que estejamos em graça diante de Deus.
Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?[8] Também quem nos procura sabe que poderemos ser encontrados nas diversas casas do Pai existentes na ilha e não noutros locais, que não sejam as Casas de Nossa Senhora.
Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso.[9] Humilde, obediente, dócil ou respeitoso, são adjetivos de submisso, e tal como Ele o foi para os seus pais, também nós tentamos não só em romaria, mas sim todos os dias das nossas vidas, sermos submissos ao Pai e a Sua e nossa Mãe Maria Santíssima. Creio que muitas das palavras que depois usou na sua vida pública, muitas das parábolas que transmitiu, foram aprendidas em Nazaré. Ali aprendeu a observar os campos, as vinhas, as sementes, os rebanhos e a vida dos pastores, as mulheres a fazer o pão e a misturar o fermento na massa; aprendeu a importância de uma simples moeda na vida dos pobres, observou os homens que procuravam trabalho na praça. Aprendeu igualmente que no coração de Deus têm preferência os pequenos, os simples, os doentes.[10] Para nós, uma romaria é estar em Nazaré. aprendemos muitas coisas e de trazemos muitas palavras que usamos depois no dia-a-dia. Lá também aprendemos a observar com outro olhar tudo o que nos rodeia, sabendo que sendo pequenos e simples, estamos no coração de Deus. Para além disto, nada mais devo dizer que não seja apenas “Seja bendita e louvada a Sagrada Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo”


Esta foi a conclusão a que cheguei ao fim desses 5 dias de romaria e na qual, verdadeiramente fui ruminando incessantemente sobre o propósito real da presença da Sagrada Família no rancho e em romaria. 


Paulo Roldão
(um irmão romeiro, como os demais)


[1] Mt 1,19 - Justo - Uma palavra pequeníssima mas com uma profundidade abissal, quer naquele tempo, hoje e sempre.
[2] Gen 6,9
[3] Gen 15,16
[4] Mt 1, 21- 25 (1º sonho); Mt 2,14 (2º sonho); Mt 2, 19-21
[5] Lc 2,19
[6] Act 1, 13-14
[7] Lc 2,52
[8] Lc 2,49
[9] Lc 2,51
[10] http://www.cnal.pt/index.php/e-jesus-crescia-em-sabedoria-em-estatura-e-em-graca-diante-de-deus-e-dos-homens