domingo, 21 de fevereiro de 2021

5. Primeiro domingo da Quaresma: A tentação de Cristo


 I Domingo da Quaresma

«Foi levado Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.» (Mt 4,

1)


Cristo quis ser tentado:

1. Primeiro, para nos dar auxílio contra as tentações. Por isso diz

Gregório: «Não era indigno do nosso Redentor querer ser tentado, ele que

veio para ser imolado; para que assim vencesse as nossas tentações com as

suas, assim como venceu com a sua a nossa morte.»

2. Segundo, para nossa cautela: a fim de que ninguém, por santo que seja, se

julgue seguro e imune da tentação. Por isso quis ser tentado depois do

batismo; porque, como diz Hilário, «as tentações do diabo são mais

freqüentes sobretudo contra os santos, porque sobre estes é que ela mais

deseja a vitória.» Donde o dizer a Escritura (Ecle 2, 1): «Filho, quando

entrares no serviço de Deus, tenha-se firme na justiça e no temor e prepara a

tua alma para a tentação.»

3. Terceiro, para nos dar o exemplo de como devemos vencer as tentações do

diabo. Donde o dizer Agostinho: «Cristo deixou-se tentar pelo diabo, para

nos mostrar como venceremos as suas tentações, não somente pelo seu auxílio,

mas também pelo seu exemplo.»

4. Quarto, para nos excitar à confiança na sua misericórdia. Donde o dizer o

Apóstolo (Heb 4, 15): «Não temos um pontífice que não possa compadecer-se

das nossas enfermidades, mas que foi tentado em todas as coisas à nossa

semelhança, exceto o pecado».

III, q. XLI, a. 1.

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

sábado, 20 de fevereiro de 2021

4. Sábado depois das cinzas: O grão de trigo


 Sábado depois das Cinzas

«Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra não

morrer, fica infecundo» (Jo 12, 24)

I. — O grão de trigo é de dois modos usado: para o feitio do pão e para a

semeadura. O versículo acima diz respeito ao grão de trigo como semente,

não como matéria do pão, pois, nesse último caso, não precisa fecundar para

dar fruto. Se o grão de trigo não morrer, não que perca sua virtude seminal,

mas porque muda de espécie. «o que tu semeias não toma vida, se primeiro

não morre» (1 Cor 15, 36)

Ora, assim como o Verbo de Deus é semente na alma do homem, no

sentido de que é introduzida por voz sensível, para produzir o fruto da

boa obra, cf «A semente é a palavra de Deus» (Lc 8, 11); assim o Verbo de

Deus, revestido de carne, é semente enviada ao mundo para originar uma

grande seara. Por isso, também é comparado com o grão de mostarda,

como se lê nas Escrituras(Mt 13). Nosso Senhor diz: Vim como semente

para frutificar e, por isso, em verdade vos digo, «se o grão de trigo que cai na

terra não morrer, fica infecundo», isto é, se Eu não morrer, o fruto da

conversão das gentes não se produzirá. Também se compara ao grão de trigo

por que veio para restaurar e sustentar as vidas humanas: ora, é sobretudo

isto o que faz o pão de trigo. «o pão robustece o coração do homem» (Sl 103,

15) e «e o pão que eu darei é a minha carne para a salvação do mundo» (Jo 6,

52).

II. — «mas, se morrer, produz muito fruto.» (Jo 12, 24).

Nosso Senhor alude aqui à utilidade da paixão,e é como se dissesse: a não

ser que Eu caia por terra, humilhado, na minha Paixão, nenhum proveito se

seguirá, pois se o grão de trigo não morrer, fica infecundo. Mas, se morrer, isto

é, se Eu for castigado e morto pelos judeus, muito fruto se produzirá:

1. O fruto da remissão dos pecados. «todo o fruto será a expiação do seu

pecado» (Is 27, 9). Este fruto a Paixão de Cristo produziu, cf.«Porque

também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados, ele, justo pelos injustos,

para nos oferecer a Deus» (1 Pd 3, 18).

2. O fruto da conversão dos gentios a Deus. «fui eu que vos escolhi a vós, e

que vos destinei para que vades e deis fruto, e para que o vosso fruto

permaneça» (Jo 15, 16). Este fruto a Paixão de Cristo produziu, cf. «E eu,

quando for levantado da terra, atrairei tudo a mim»(Jo 12, 32).

3. O fruto da glória. «o fruto dos bons trabalhos é glorioso» (Sb 3, 15). E,

também este fruto, a Paixão de Cristo produziu, cf. «Portanto, irmãos, temos

nós confiança de entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Cristo, pelo

caminho novo e vivo que nos abriu através do véu, isto é, através de sua

carne» (Heb 10, 19)

In Joan, XII

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

3. Sexta-feira depois das cinzas: A coroa de espinhos *


 6a. feira depois das Cinzas

«Saí, filhas de Sião, e vêde o rei Salomão com o diadema de que sua mãe o
coroou no dia do seu casamento e no dia do júbilo do seu coração» (Ct 3, 11)
É a voz da Igreja que convida as almas dos fiéis a contemplar quão
admirável e belo é seu Esposo. Pois as filhas de Sião são iguais às filhas de
Jerusalém, almas santas, habitantes do Reino de Deus, que gozam, com os
anjos, da paz perpétua e da contemplação da glória do Senhor.
I. — Saí, ou seja, deixai a vida turbulenta deste mundo, para que, com o
espírito livre, possais contemplar aquele a quem amais. E vêde o rei
Salomão, isto é, o verdadeiro e pacífico Cristo. Com o diadema de que sua
mãe o coroou; que é como se dissesse: considerai o Cristo, que, por nós, se
fez carne, que tomou a carne da carne de sua Virgem Mãe. O diadema é sua
carne, carne que tomou por nós, carne na qual morreu, destruindo o
império da morte; carne na qual ressuscitou, deixando-nos a esperança da
ressurreição.
Deste diadema, diz o Apóstolo (Heb 2, 9): « Mas aquele Jesus, que por um
pouco foi feito inferior aos anjos, nós o vemos, pela paixão da morte, coroado
de glória e de honra ». Diz-se que sua mãe o coroou, pois a Virgem Maria
deu-lhe a carne de sua carne.
No dia do seu casamento, isto é, no tempo de sua Encarnação, quando a si
uniu a Igreja, sem mácula nem ruga; ou quando Deus uniu-se ao
homem. No dia do júbilo do seu coração. A alegria e o júbilo de Cristo é a
salvação e a redenção do gênero humano; « e, indo para casa, chama os seus
amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a
minha ovelha » (Lc 15, 6).
II. — Pode-se, também, aplicar tudo isso à Paixão de Cristo, segundo a
letra. Com efeito, Salomão, prevendo em espírito a Paixão de Cristo muito
antes, adverte as filhas de Sião, isto é, o povo Israelita: Saí, filhas de Sião, e
vede o rei Salomão, isto é, o Cristo; com o diadema, ou a coroa de
espinhos, que sua mãe, a sinagoga, o coroou no dia do seu casamento, quando
a si uniu a Igreja, e no dia do júbilo do seu coração, quando rejubilou-se por
ter, por sua Paixão, redimido o mundo do poder do inferno.
Saí, portanto, e deixai as trevas da infidelidade, e vede, isto é,
compreendei que aquele que sofre como homem, é Deus
verdadeiramente. Ou ainda: saí para fora de sua cidade para o verdes,
crucificado, sobre o monte Calvário.
Expositio in Canticum canticorum, III
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

2. Quinta-feira depois das cinzas: O jejum


 Quinta-feira depois das cinzas

I. — Pratica-se o jejum por três motivos:
1. Primeiro, para reprimir as concupiscências da carne. Donde o dizer o
Apóstolo (2 Cor 6, 5): «Nos jejuns, na necessidade», porque o jejum conserva
a castidade. Pois, como diz Jerônimo, «sem Ceres e Baco Vênus esfria», i.
é, pela abstinência da comida e da bebida a luxúria se amortece.
2. Segundo, praticamos o jejum para mais livremente se nos elevar a alma
na contemplação das sublimes verdades. Por isso, refere a Escritura que
Daniel (Dn 10), depois de ter jejuado três semanas, recebeu de Deus a
revelação.
3. Terceiro, para satisfazer pelos nossos pecados. Por isso, diz a Escritura
(Jl 2, 12): «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração em jejum e em
lágrimas e em gemido». E é o que ensina Agostinho num sermão: «O jejum
purifica a alma, eleva os sentidos, sujeita a carne ao espírito, faz-nos
contrito e humilhado o coração, dissipa o nevoeiro da concupiscência,
extingue os odores da sensualidade, acende a verdadeira luz da
castidade».
II. — O jejum é objeto de preceito. Pois o jejum é útil para delir e coibir
as nossas culpas e elevar-nos a mente para as coisas espirituais. Ora, cada
um está obrigado, pela razão natural, a jejuar tanto quanto lhe for necessário
para conseguir tal fim. Por onde, o jejum, em geral, constitui um preceito da
lei natural. Mas, a determinação do tempo e do modo de jejuar, conforme
à conveniência e à utilidade do povo Cristão, constitui um preceito de
direito positivo, instituído pelos superiores eclesiásticos. E tal é o jejum da
Igreja, diferente do jejum natural.
III. — Os tempos de jejum estão convenientemente determinados pela
Igreja. O jejum é ordenado por dois motivos: para delir a culpa e para nos
elevar a mente às coisas espirituais. Por isso, os jejuns foram ordenados
especialmente naqueles tempos em que, sobretudo, devemos os fiéis nos
purificar dos pecados e elevar a mente a Deus pela devoção. O que
sobretudo se dá antes da solenidade Pascal, quando as culpas são delidas
pelo batismo, celebrado solenemente na vigília da Páscoa, em memória da
sepultura do Senhor; pois, pelo batismo, somos sepultados com Cristo para
«morrer ao pecado», na frase do Apóstolo (Rm 6, 4). E também na festa
Pascal devemos, sobretudo, pela devoção, elevar a mente à glória da
eternidade, a que Cristo deu começo pela sua ressurreição. Por isso,
imediatamente antes da solenidade Pascal, a Igreja nos manda jejuar; e
pela mesma razão, nas vigílias das principais festividades, quando devemos
nos preparar devotamente para celebrar as festas que se vão celebrar.
Ia IIae, q. CXLVII, a. 1, 3, 5.
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

1. Quarta-feira de cinzas: A morte


 «Por um homem entrou o pecado neste mundo e, pelo pecado, a morte» (Rm 5,

12)


1. Se alguém, por culpa sua, foi privado de algum benefício, que lhe fora dado, a

 privação desse benefício será a pena da culpa cometida. Ora, o

 homem, desde o primeiro instante da sua criação, recebeu de Deus o

benefício de, enquanto tivesse o seu espírito sujeito a Deus, ter sujeitas à

alma racional as potências inferiores dela, e o corpo, à alma. Ora, tendo o

espírito do homem repelido, pelo pecado original, a sujeição divina, daí

resultou que as potências inferiores já não se sujeitaram totalmente à

razão,donde procedeu a tão grande rebelião dos apetites carnais contra

ela, nem já o corpo se subordinou totalmente à alma, donde resultou a

morte e as outras deficiências corporais. Ora, a vida e a saúde do corpo

consiste em sujeitar-se à alma, como o perfectível, à sua perfeição. Por onde

e ao contrário, a morte, a doença e todas as misérias do corpo resultam da

falta de sujeição do corpo à alma. Donde, é claro que, assim como a

rebelião do apetite carnal contra o espírito é a pena do pecado dos nossos

primeiros pais, assim também o é a morte e todas as misérias do corpo.

2. A alma racional é, por essência, imortal. Por onde, a morte não é

natural ao homem quanto à sua alma. Quanto ao corpo do homem, uma

vez que é composto de elementos opostos, dele se segue necessariamente a

corruptibilidade. E, quanto a isso, a morte é natural ao homem. Ora, Deus,

criador do homem, é onipotente. Por isso, por benefício seu, livrou o

homem, desde o primeiro instante da sua criação, da necessidade de morrer,

resultante da matéria que o constituía. Ora, esse benefício perderam-no pelo

pecado os nossos primeiros pais. E assim, a morte é natural pela condição

da matéria; e é penal pela perda do benefício divino, que dela preservava.

IIa IIae, q. CLXIV, a. 1

3. A culpa original e a atual são removidas por Cristo, isto é, por aquele

mesmo por quem se removem as misérias corpóreas, conforme aquilo do

Apóstolo: «dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito, que habita

em vós». Mas, uma e outra coisa se realizarão em tempo oportuno, segundo

a ordem da divina sabedoria. Pois, havemos de chegar à imortalidade e à

impassibilidade da glória, começada em Cristo, que no-la adquiriu, depois

de lhe termos, durante a vida, participado dos sofrimentos. Por isso, é

necessário que, conformes com Cristo, a sua passibilidade perdure nos

nossos corpos, para merecermos a impassibilidade da glória.

Ia IIae, q. LXXXV, a. V, ad 2um.

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

Romaria Virtual 2021



Para além de outros pontos de vista válidos, a romaria é divida em três partes:


- Afetiva

Nesta parte enquadram-se os afetos entre irmãos, os afetos com os que nos procuram para pedirem orações e os afetos dos que connosco partilham alguma coisa, seja para o sustento do corpo ou para descanso dos ossos ao fim do dia.


- O Caminho

Nesta parte, como o nome indica, é fazermos caminho. Percorrer as estradas, canadas, vielas e cerrados (faça chuva ou faça sol), sempre seguindo-O atrás do Menino da Cruz, com o terço numa mão e o bordão na outra.


- A Palavra

Nesta parte enquadram-se não só as meditações diárias, como também as palavras entre irmãos. Enquadram-se também, as palavras sentidas e ouvidas no silêncio do caminho. Enquadram-se ainda, as leituras diárias do Evangelho, as homilias e a ação de graças.


Este ano não é possível ocorrer a romaria nos moldes habituais, ou seja com estas três partes. Vai-nos fazer muita falta a parte Afetiva, assim como o Caminho, mas a Palavra permanecerá!


De 3 a 7 de março iremos realizar uma romaria virtual. Nesses dias e tentando que sejam nas horas habituais da romaria, iremos partilhar a Palavra e palavras de irmãos do rancho, no intuito de manter a chama acessa e o rancho unido em oração, assim como em sintonia entre todos os elementos.


Tratando-se de uma pagina publica, todos os restantes irmãos e irmãs em Jesus Cristo, estão desde já convidados a acompanharem esta romaria peculiar.


Que Deus vos abençoe...como SEMPRE!



Um irmão romeiro, como os demais.