quinta-feira, 4 de março de 2021

2º DIA DE ROMARIA – VISÃO DO IRMÃO LEMBRADOR DAS ALMAS – SEGUNDO TERÇO

 

A paragem e partilha na «Casa dos Romeiros», na Mata da Serreta, pelas palavras sábias e ricas, que recebemos e que nos alimenta, vindas do nosso Irmão Espiritual Pe. Dinis;

Depois outro grande momento, que é o de a nós se juntar tantas crianças e na partilha que com eles ocorre no interior da Igreja de São Roque dos Altares;

Na forma como uma Família e dos Idosos sempre nos recebem, com tamanha alegria, no território dos Biscoitos e nos momentos de superior oração, que recordamos, mesmo que não esteja todas as vezes presente, protagonizada pelo irmão irmão, Válter Mateus na Igreja de São Pedro dessa mesma freguesia;

1ª meditação do dia

 Cântico de inicio

 Como sol que se levanta

Com o sol que se levanta, nossa voz, Senhor, se eleva, para que na vossa graça, amanheça novo dia.

Moderai a nossa língua, a mentira não nos manche, nem o erro, nem palavras, de ostentação e

discórdia.

Seja puro em nosso peito, o coração que nos destes, e jamais a nossa carne

Se torne escrava do mal.

E quando a tarde descer, e quando a noite

chegar, cantemos a vossa glória,

Esquecendo-nos do mundo.

Glória a Vós, ó Pai eterno, glória a Vós, Senhor Jesus, no Espírito divino,

Pelos séculos dos séculos


O Vídeo sendo grande, poderá ver no facebook do rancho na mesma hora, ou seja, precisamente agora.


2º DIA DE ROMARIA – VISÃO DO IRMÃO LEMBRADOR DAS ALMAS – PRIMEIRO TERÇO

 

E tendo como sempre pela nossa banda esquerda, esse mar que nos é comum, situemo-nos, pois, com se estivéssemos lado a lado junto ao nosso irmão de ala, com o nosso bordão e terço, em cada uma das nossas mãos, carregando sobre os ombros a cevadeira, o xaile e o lenço que nos protege, seguindo ao ritmo dos irmãos guias e da «Cruz bendita», que à frente segue abraçando o Menino da Cruz, o nosso irmão mais novinho que a todos nós protege.


Do meu testemunho, para este nosso 2.º dia de Romaria, consagrar na minha perspectiva de missão, no desempenho da função de «Lembrador das Almas» do nosso Rancho e será nessa centralidade, que procurarei partilhar com os irmãos, essa mística, se bem que a conjugação de algumas das emoções que ocorrem sejam por vezes difíceis de as poder descrever em texto.


Os ponteiros no meu relógio marcam 3 horas, partilha-se do silêncio do lugar, ao suave respirar dos irmãos, ainda em merecido descanso, retemperador do primeiro dia de romaria. Aqui e ali, escutam-se roncos vindos de algumas direcções, o ressonar, tradicional na nossa espécie, mas insuficientes para domarem a calma que reina quase em absoluto na casa. Pé ante-pé e sem provocar ruído, rumo à Atafona, sem antes ter cuidado da minha higiene.


Estou já junto ao carro de bois e à sua seve de bodo, acendo o lume para aquecer o café da manhã, também o leite e o chá de nêveda, que na véspera e ao final da noite, havia reconfortado das energias gastas nos caminhos já percorridos da romaria.


São já 4 da manhã, hora da alvorada, a indicada pelo Irmão Mestre e Contramestre, para que todos os irmãos se levantem, se arrume o espaço que fora berço abençoado do corpo, tempo de colocar-se as cevadeiras, o xaile e lenço, e os terços, tomar-se o primeiro alimento deixado pelas mulheres e homens que tão bem nos têm recebido em todos os santos anos, na sede do seu Grupo Folclórico, agora também tornada «Casa de Romeiros».


Estamos prontos para seguirmos para o nosso segundo dia de romaria, o irmão Mestre dá o sinal com o sininho e à saída, junto ao pequeno portão, um a um vão beijando a Cruz que nos há de guiar com segurança até ao nosso novo destino.

Escuta-se a voz do irmão Mestre:


Bendita foi a hora e o Dia

Em que o Anjo São Gabriel

Desceu do Céu à Terra

Anunciando essas doces palavras

Avé Maria …

Santa Maria


E partimos:

Quase a chegarmos à Igreja, das Doze Ribeira, que tem como patrono São Jorge, ao passarmos junto ao cemitério da freguesia, lanço a «Salva» interrompendo, no momento certo, os irmãos que na frente entoam a Avé Maria …


Seja sempre Bendita e Louvada

a Sagrada Paixão, Morte e Ressurreição

de Nosso Senhor Jesus Cristo!”


Os demais irmãos respondem:


Seja pra sempre Louvada com Sua e Nossa Mãe Maria Santíssima!”


E eu na minha missão digo:


Em honra e glória do mesmo Senhor

Aplicado por aquelas almas benditas do purgatório

Principalmente por aquelas que não têm ninguém que reze por elas

Lembremo-nos nós por amor e caridade!”

Pai Nosso, Avé Maria


Em honra e glória do mesmo Senhor

Recordemos o Nosso Saudoso

Irmão David Fagundes

Que tão cedo nos deixou

Pedindo ao Pai e à Nossa Mãe Maria Santíssima

Que o tenham acolhido em Santa morada!

Pai Nosso, Avé Maria




E assim, caros irmãos, esse ritual se repetirá sempre que passarmos junto a um cemitério:


O levantar-se a «Salva» é sempre um momento de grande emoção interior, porque mais do que as palavras ditas, nos situam na memória dos entes queridos que já partiram;

Nos emociona também, pelo facto de estarmos a lembrar de tantos irmãos, que tendo já partido para o Pai, não recebem muitas vezes um gesto de gratidão e de saudade por parte daqueles que aqui foram seus familiares:


Em honra e glória do mesmo Senhor

Aplicado por aquelas almas benditas do purgatório

Principalmente por aquelas que não têm ninguém que reze por elas

Lembremo-nos nós por amor e caridade!”

Pai Nosso, Avé Maria


Também ao longo da Romaria, outras situações ocorrem: passando-se ou avistando-se uma Igreja ou Ermida, invoca-se o seu orago (o patrono), ou sempre que algum momento se justificar, levanta-se a «Salva», fazendo-o sem preconceito, por tratar-se de um acto de em que confiamos e acreditamos, no poder da nossa «Oração» para que a mesma possa contribuir para o bem da causa e da humanidade que evocamos.

Neste 2.º Dia de Romaria, vivemo-la sempre com toda intensidade, aliás, como sempre ocorre ao longo dos demais dias do nosso caminhar quaresmal, são momentos grandiosos que sinalizo:

16. Quinta-feira depois do II domingo da Quaresma: A Paixão de Cristo se realizou a modo de sacrifício


 Quinta-feira da II Semana da Quaresma


I. — Chama-se sacrifício em sentido próprio o que é feito como uma

honra propriamente devida a Deus, com o fim de o aplacar. E por isso diz

Agostinho: «É verdadeiramente sacrifício toda obra feita com o fim de nos

unirmos com Deus numa sociedade santa, isto é, uma obra referida ao fim

bom, cuja posse é capaz de nos dar verdadeiramente a felicidade.» Ora, Cristo

se ofereceu a si mesmo para sofrer por nós; e o próprio fato de ter

padecido voluntariamente a sua Paixão foi sobremaneira aceito de Deus,

como proveniente de uma caridade máxima. Por onde é manifesto que a

Paixão de Cristo foi um verdadeiro sacrifício.

E como Agostinho acrescenta a seguir, no mesmo livro, «os sacrifícios

primitivos dos santos foram sinais variados e múltiplos desse verdadeiro

sacrifício. Esse sacrifício único foi simbolizado por numerosos sacrifícios, do

mesmo modo que uma mesma realidade é designada por numerosas palavras,

a fim de que fosse grandemente recomendado, sem nenhum inútil

encarecimento.» Mas, continua Agostinho,«consideramos quatro elementos

num sacrifício: aquele a quem o oferecemos, quem o oferece, o que é oferecido

e por quem o é. Assim, o mesmo, só único e verdadeiro mediador,

reconciliando-nos com Deus pelo sacrifício da paz, devia permanecer uno com

aquele a quem oferecia esse sacrifício, reunir em si, numa unidade, aqueles por

quem o oferecia, e ser simultânea e identicamente o oferente e a oferenda».

II. — É verdade que nos sacrifícios da lei antiga, que eram figura de Cristo,

nunca se oferecia carne humana; mas disso não segue que a Paixão não

tenha sido um sacrifício. Pois, embora a realidade corresponda à figura de

certo modo, não corresponde totalmente, pois a verdade há de

necessariamente ultrapassar a figura. Por isso e convenientemente a figura

deste sacrifício, pelo qual a carne de Cristo é oferecida por nós, foi a carne,

não dos homens, mas de animais irracionais que significavam a carne e

Cristo. A carne de Cristo é o perfeitíssimo dos sacrifícios pelas razões

seguintes:

1) porque, sendo carne de natureza humana, é convenientemente

oferecida pelos homens, que a tomam sob a forma de sacramento.

2) porque, sendo passível e mortal, era apta para a imolação.

3) porque, sendo isenta de pecado, tinha a eficiência para purificar dos

pecados.

4) porque, sendo a carne mesma do oferente, era aceita de Deus por causa

da caridade com que a oferecia.

Donde o dizer Agostinho: «Que oferenda podiam os homens tomar, que lhes

fosse mais adaptada, que uma carne humana? Que de mais apto à imolação

do que uma carne mortal? Que haveria de mais puro para delir os vícios dos

mortais que uma carne nascida sem o contágio da concupiscência carnal, de

um ventre e de um ventre virginal? Que poderia ser oferecido e aceito com

mais graça que a carne de nosso sacrifício, tornado o corpo de nosso

Sacerdote?»

III, q. XLVIII, a. III

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

quarta-feira, 3 de março de 2021

Leituras para a Celebração Eucarisitica

 

Livro de Jeremias 18,18-20.


Os inimigos de Jeremias disseram entre si: «Vamos fazer uma conspiração contra Jeremias, pois não nos faltará a instrução de um sacerdote, nem o conselho de um sábio, nem o oráculo de um profeta. Vamos feri-lo com a difamação, sem fazermos caso do que ele disser».
«Ajudai-me, Senhor, escutai a voz dos meus adversários.
Porventura assim se paga o bem com o mal? Eles abrem uma cova para me tirar a vida. Lembrai-Vos de que me apresentei diante de Vós, para Vos falar em seu favor, para deles afastar a vossa ira».


Livro dos Salmos 31(30),5-6.14.15-16.


Livrai-me da armadilha que me prepararam,
porque Vós sois o meu refúgio.
Em vossas mãos entrego o meu espírito,
Senhor, Deus fiel, salvai-me.

Porque eu ouvia os gritos da multidão:
«Terror por toda a parte!»,
quando se coligaram contra mim
e decidiram tirar-me a vida.

Eu, porém, confio no Senhor:
Disse: «Vós sois o meu Deus,
nas vossas mãos está o meu destino».
Livrai-me das mãos dos meus inimigos.


Evangelho segundo São Mateus 20,17-28.


Naquele tempo, enquanto Jesus subia para Jerusalém, chamou à parte os Doze e durante o caminho disse-lhes:
«Vamos subir a Jerusalém e o Filho do homem vai ser entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, que O condenarão à morte e O entregarão aos gentios, para ser por eles escarnecido, açoitado e crucificado. Mas ao terceiro dia Ele ressuscitará».
Então a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com os filhos e prostrou-se para Lhe fazer um pedido.
Jesus perguntou-lhe: «Que queres?». Ela disse-Lhe: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino um à tua direita e outro à tua esquerda».
Jesus respondeu: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?». Eles disseram: «Podemos».
Então Jesus declarou-lhes: «Bebereis do meu cálice. Mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem meu Pai o designou».
Os outros dez, que tinham escutado, indignaram-se com os dois irmãos.
Mas Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder.
Não deve ser assim entre vós. Quem entre vós quiser tornar-se grande seja vosso servo e quem entre vós quiser ser o primeiro seja vosso escravo. Será como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção dos homens».

Terço da pernoita (Por todas as vitimas do COVID)

 

Mistérios Gloriosos


Primeiro Mistério Glorioso: Ressurreição de Jesus


«No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus. Não sabiam elas o que pensar, quando apareceram em frente delas dois personagens com vestes resplandecentes. Como estivessem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, disseram-lhes eles: "Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, mas ressuscitou"» (Lc 24, 1-6).


Pai Nosso, 10 Ave Marias (meditando o mistério), Glória ao Pai.

Segundo Mistério Glorioso: Ascensão de Jesus ao Céu


«Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus» (Mc 16, 19).


Pai Nosso, 10 Ave Marias (meditando o mistério), Glória ao Pai.

Terceiro Mistério Glorioso: Vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos


«Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem» (At 2, 1-4).


Pai Nosso, 10 Ave Marias (meditando o mistério), Glória ao Pai.

Quarto Mistério Glorioso: Assunção de Maria


«Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo» (Lc 1, 48-49).


Pai Nosso, 10 Ave Marias (meditando o mistério), Glória ao Pai.



Quinto Mistério Glorioso: Coroação de Maria no Céu


«Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas» (Ap 12, 1).


Pai Nosso, 10 Ave Marias (meditando o mistério), Glória ao Pai.

1º DIA DE ROMARIA – VISÃO DO IRMÃO MESTRE – TERCEIRO TERÇO

 


A segunda meditação do dia completa a primeira. Alguns irmãos, que habitualmente trazem um pequeno caderno, vão tomando as suas notas. Notas para tirar duvidas posteriormente ou notas para aprofundar finda a romaria. Outros vão ouvindo e interiorizando as palavras e frases que vão saindo da boca do irmão Padre.

Ainda que ouça e vá seguindo o raciocínio do que é dito, mais umas chamadas tenho que fazer. Afasto-me um pouco e faço-as.

O irmão Padre pergunta-me se ainda tem tempo para dizer mais algumas palavras. Respondo que sim, que quando estiver no tempo, faço sinal. Claro que há alturas em que ainda há tempo e outras em que o tempo está no fim, mas, se a partilha está a ser algo que nos aquece e enche a alma, mesmo que já possa ter passado algum tempo, deixo seguir. Mais há frente, se for necessário, corto na paragem ou peço aos guias que andem um pouco mais, caso veja que nenhum irmão está mal no seu andamento. Para isso também conto com o irmão contra mestre.

Finda a segunda meditação do dia, seguimos até à igreja de São Bartolomeu.

Seguimos por um caminho pedonal fronteiro ao mar. Novamente aquele cheiro a maresia.

O caminho até há próxima igreja é longo, com subidas e caminhos planos. Depois de passarmos o Negrito, lanço novamente a salva para voltarmos a rezar alguns pedidos que, entretanto, foram pedindo, somados aos que ficaram por rezar. No final destes, continuamos em silêncio a romaria.

Falta algum fresco e vento de outras romarias, mas, todos os anos o tempo nunca é igual.

A meio da última subida até há igreja, lanço a salva e recomeçamos a cantar o Avé Maria.

Na igreja, para além do pároco, também estão alguns idosos há nossa espera. Começamos pela oração ao padroeiro e depois o cântico de entrada. Ao contrário do dia a dia em que se entra pelas laterais, hoje estão abertas as portas do meio, como se se tratasse de uma cerimónia especial marcada no calendário litúrgico.

Já não é primeiro local nem será o último.

Tendo alguma confiança com o pároco, pergunto-lhe do porquê, já que somos Pecadores convictos disso, ainda que almejemos a santidade e a Vida Eterna. Responde-me:

“– Vocês estão numa missão em nome de Jesus Cristo e como tal vêm em Seu nome e não em vosso nome, como tal, para nós é um momento especial receber aqueles que vêm em Seu nome.”

Terminados os cânticos, orações e pedidos, saímos fazendo o sinal da cruz e passando os dedos pela água benta, fazemos um segundo sinal da cruz.

Agradeço ao pároco a sua amabilidade e despeço-me com um “- Até para o ano se Deus quiser!”

Dali até à freguesia da Cinco Ribeiras, à igreja de Nossa Senhora do Pilar, são mais alguns minutos, certa de 25 minutos mais ou menos, dependendo do andamento do rancho e dos fatores meteorológicos.

Em silêncio e oração continuamos a caminhada. Já falta pouco para o descanso merecido, para descansar os ossos por algum tempo até ao início do segundo dia.

Chegados ao início da freguesia da Cinco Ribeiras, e uma sobra de estrada ali existente fazemos mais uma paragem para o que for necessário.

Tal como em outras alturas do dia, pergunto, não só ao menino da Cruz, como às demais crianças se está a correr bem, se estão bem. O menino da Cruz sei que está bem, porque os irmãos-guia também se preocupam com ele. Já houve anos em que durante algum tempo, os irmãos-guia davam as mãos ao irmão menino da Cruz para o ajudar e resultou.

Os mais atrás também vão bem, tem irmãos de ala mais velhos que os vão ajudando, quer com gestos, quer com palavras de conforto. Também por ali vai o irmão contra mestre, que bem sei se preocupar, não só pelo cargo ou ser apenas romeiro, mas também por ser avô. Mas é meu dever saber como estão todos os irmãos, especialmente os mais novos.

Dali à igreja das Cinco Ribeiras foi rápida a caminhada. Não que o rancho fosse mais depressa, mas sim que a igreja estava perto.

Ali há porta e dentro fizemos as nossas orações.

Saindo e começando em direção à última igreja deste dia, na altura devida, o irmão Lembrador das Almas lançou a salva e todos nós respondemos. Depois fez os pedidos de oração por todos os que estavam sepultados naquele cemitério, tal como em todos os outros cemitérios por onde passamos. Findado os pedidos pelos defuntos, continuamos o cântico do Avé Maria e intervalamos com os pedidos do irmão Lembrador das Almas.

À entrada de Santa Bárbara, uma paragem prevista e necessária. Para o começo da missa naquela freguesia ainda faltava algum tempo, mas, depois da paragem retomamos a caminhada até ela.

Quando chegamos já tinha algumas pessoas, pessoas que aguardavam a hora para a recitação do terço por parte do pároco dali.

Entramos e fizemos as nossas orações, cânticos e agradecimentos, juntamente com essas pessoas. Nas orações ouviam-se as suas vozes, já nos cânticos nem tanto, mas é compreensível, ninguém sabe todos os cânticos. Por vezes até nós nos enganamos.

Ao sairmos, uma pessoa agradeceu os pedidos que foram feitos pelos presentes. Sorri apenas.

Este dia estava quase terminado. As igrejas deste dia já foram todas visitadas, agora é romar até há freguesia das Doze Ribeiras para pernoitarmos no edifício sede do respetivo grupo folclórico.

A meio caminho peço ao irmão que habitualmente reza o terço da pernoita, para o fazer. Entretanto peço à Santa Maria para se juntar á Avé Maria, criando assim 4 alas, para que todos os irmãos assim mais juntos possam ouvir melhor.

Há entrada da freguesia o terço está terminado e voltam a 2 alas.

Uma pequena subida nos separa de uma sopa quente acompanhada com pão caseiro feito em forno de lenha, um banho e de uma noite de descanso numa sala onde todos dormirão juntos nos seus sacos cama em cima dos colchões que os irmãos sem bordão já lá deixaram há algumas horas.

Chegámos. Algumas pessoas da direção estão ali para nos receber com um sorriso rasgado e olhar meigo, principalmente para as crianças.

Vou à frente e tiro a Cruz ao irmão que a trouxe. Dou um beijo nela, seguindo-se os demais irmãos, conforme vão entrando.

 

Boa noite irmãos. Até amanhã se Deus quiser!