quarta-feira, 31 de março de 2021

43. Quarta-feira santa: Três ensinamentos místicos no Lava-Pés


 Quarta-feira santa


"Depois lançou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos, e a

limpar-lhos com a toalha com que estava cingido" (Jo 13, 5)


Nesta passagem podemos tirar três ensinamentos místicos:

1. A água que lançou numa bacia significa a efusão de seu sangue na

terra. Com efeito, o sangue de Jesus pode ser chamado água, pois tem poder

para lavar.

E foi por isso que, na cruz, saiu de seu lado traspassado sangue e água,

para dar a compreender que seu sangue tem poder para lavar os pecados.

Também podemos compreender, pela água, a Paixão de Cristo. "lançou água

numa bacia", i. é, imprimiu a memória da sua Paixão nas almas dos fiéis pela

fé e pela devoção. "Lembra-te da minha pobreza e tribulação - absinto e fel

que me fazem beber" (Lm 3, 19).

2. Ao dizer "começou a lavar os pés dos discípulos", faz alusão à

imperfeição humana; pois os Apóstolos, depois de Cristo, eram os mais

perfeitos e, no entanto, precisavam ser purificados, pois tinham algumas

impurezas. Isso nos mostra que o homem, por melhor que seja, tem

necessidade de se aperfeiçoar; e que contrai algumas manchas, conforme

aquilo dos Provérbios (20, 9): "Quem pode dizer: O meu coração está puro,

estou limpo do pecado?". Contudo, estão sujos apenas nos pés.

Outros, ao contrário, não estão sujos apenas nos pés, estão totalmente

sujos. Ora, os que jazem no chão sujam-se totalmente com as imundices da

terra. Do mesmo modo, sujam-se totalmente os que se apegam totalmente

às coisas da terra, já pelo sentimento, já pelos sentidos.

Mas os que estão de pé, ou seja, os que buscam as coisas céu com o

espírito e o coração, estão sujos apenas nos pés. Ora, assim como o homem

de pé precisa ao menos tocar a terra com os pés para sustentar-se, nós,

enquanto vivermos nessa vida mortal, que precisa das coisas terrestres para

o sustento do corpo, contraímos algumas manchas, ao menos pelos sentidos.

Por isso o Senhor recomenda aos discípulos sacudir o pó dos seus pés (Lc 9,

5).

Diz o Evangelho: "começou a lavar", pois a ablução dos afetos terrenos

começa aqui embaixo, e é consumada no futuro.

Assim, a efusão de seu sangue é significada pelo ter vertido a água numa

bacia; e a ablução de nossos pecados, pelo ter começado a lavar os pés dos

discípulos.

3. Finalmente, vê-se a aceitação de nossas penas sobre ele mesmo. Cristo

não apenas limpou nossas manchas, mas tomou sobre si mesmo as penas

incorridas pelas nossas faltas. Nossas penas e nossa penitência seriam

insuficientes, se não tivessem por fundamento o mérito e a eficácia da Paixão

de Cristo. O que é significado pelo ter secado os pés dos discípulos com um

linho, i. é, o linho de seu corpo.


In Joan XIII.

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

terça-feira, 30 de março de 2021

42. Terça-feira santa: Preparação de Cristo ao Lava-Pés


 Terça-feira santa


"levantou-se da ceia e depôs o seu manto, e, pegando numa toalha, cingiu-se

com ela." (Jo 13, 4)

I. — Cristo mostra-se servidor, abraçando uma tarefa humilde, conforme

aquilo do Evangelho (Mt 20, 28): "o Filho do homem não veio para ser

servido, mas para servir".

Três coisas fazem o bom servidor:

1. Que seja circunspeto, para enxergar tudo o que seu serviço demanda.

Isso certamente não se daria se o servidor estivesse sentado ou deitado. A

atitude própria do servidor é a de permanecer de pé, por isso Cristo

"levantou-se da ceia". "Qual é o maior, o que está à mesa, ou o que serve?" (Lc

22, 27)

2. Que se desembarace de tudo, afim de poder cumprir apropriadamente o

seu serviço, o que seria muito dificultado pela multidão do vestuário. É por

isso que o Senhor depôs o seu manto. Isso está figurado no livro do Gênesis

(17) quando Abraão escolhe os escravos mais desimpedidos.

3. Que esteja pronto a servir, ou seja, que tenha tudo o que é necessário

para o seu serviço. De Marta lemos no Evangelho (Lc 10, 40),afadigava-se

muito na continua lida da casa. Por isso o Senhor pegando numa toalha,

cingiu-se com ela, para estar pronto, não somente para lavar os pés, mas para

secá-los.

Que nós saibamos calcar os pés sobre nosso orgulho, pois aquele que veio de

Deus e a ele vai, lavou os pés.

II. — "Depois lançou água numa bacia e começou a lavar os pés dos

discípulos".

Eis o serviço do Cristo, no qual de três modos sobressalta a sua humildade:

1. Quanto ao gênero do serviço, que é bastante humilde: é o Deus de

Majestade que se inclina para lavar os pés aos servidores.

2. Quanto à multidão dos serviços, pois ele derrama a água, lava os pés, seca

etc.

3. Quanto à maneira de proceder, pois não o fez por meio de outros, nem

com assistentes, mas sozinho. "Quanto maior és, mais te deves humilhar em

todas as coisas" (Ecl 3, 20).


In Joan., XIII

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

segunda-feira, 29 de março de 2021

41. Segunda-feira santa: Necessidade de uma perfeita purificação


 segunda-feira santa


I. — "Se eu não os lavar, não terás parte comigo". Ninguém pode ser coherdeiro

de Cristo e participar da herança eterna sem se purificar

espiritualmente, como está dito nas Escrituras: (Ap 21, 27), "não entrará nela

coisa alguma contaminada" e "quem estará no seu lugar santo? O inocente de

mãos e limpo de coração" (Sl 23, 3-4). É como se Nosso Senhor dissesse: Se

eu não os lavar, não estarás puro, e se não estiveres puro, não terás parte

comigo.

II. — "Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não somente os meus pés, mas também

as mãos e a cabeça".Conturbado, Pedro oferece-se todo para a ablução, cheio

de amor e temor. Como se lê no Itinerário de S. Clemente, Pedro estava a tal

ponto ligado à presença corporal de Cristo, que com tanto fervor amava,

que, após a Ascensão, ao lembrar-se da doçura extrema da sua presença e da

santidade de sua vida, arrebentava em lágrimas, ao ponto de suas pálpebras

parecerem queimadas.

Todo homem possui três coisas: a cabeça, no topo; os pés, embaixo; as mãos,

no meio. Do mesmo modo, o homem interior, ou a alma: a cabeça é a razão

superior, pela qual o homem adere a Deus; as mãos são a razão inferior, com

a qual o homem se dedica à vida ativa; os pés são a sensualidade. O Senhor,

porém, sabia que os discípulos estavam puros quanto à cabeça, pois estavam

unidos a Deus pela fé e caridade; puros também quanto às mãos, pois suas

obras eram santas. Quanto aos pés, tinham alguns apegos terrestres, por

sensualidade.

Pedro, porém, temendo a ameaça de Cristo, consente, não apenas na ablução

dos pés, mas ainda das mãos e da cabeça: "Senhor, não somente os meus pés,

mas também as mãos e a cabeça". É como se dissesse: ignoro se estão sujas

minhas mãos e cabeça; de nada me sinto culpado, mas nem por isso me dou

por justificado (1 Cor 4, 4). Por isso, estou pronto para purificar não somente

os meus pés, i. é, dos apegos inferiores, mas também as mãos, i. é, as obras e a

cabeça, i. é, a razão superior.

III. — Jesus lhe diz: Aquele que se lavou não tem necessidade de lavar senão

os pés, pois todo ele está limpo. Diz Orígenes que eles estavam limpos, mas

que ainda precisavam de uma purificação maior, pois a razão deve sempre

aspirar aos dons mais perfeitos, subir ao cume das virtudes e resplender com

o alvor da justiça. "aquele que é santo, santifique-se mais" (Ap 22, 11).


In Joan., XIII

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

domingo, 28 de março de 2021

40. Domingo de Ramos: Utilidade da Paixão de Cristo como exemplo


 Domingo de Ramos


Como disse S. Agostinho: "A Paixão de Cristo é suficiente para ser modelo de

toda a nossa vida". Quem quer que queira ser perfeito na vida, nada mais é

necessário fazer senão desprezar o que Cristo desprezou na cruz, e desejar o

que nela Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude deixa de estar presente na

cruz.

Se nelas buscas um exemplo de caridade, "ninguém tem maior caridade do

que aquele que dá sua vida pelos amigos" (Jo 15, 13). Ora, foi o que Cristo fez

na cruz. Por isso, já que Cristo entregou a sua vida por nós, não nos deve ser

pesado suportar toda espécie de males por amor a Ele. "O que retribuirei ao

Senhor, por todas as coisas que Ele me deu?" (Ps. 115, 12).

Se procuras na cruz um exemplo de paciência, nela encontrarás uma imensa

paciência. A paciência manifesta-se extraordinária de dois modos: ou

quando alguém suporta grandes males pacientemente, ou quando suporta

aquilo que poderia ser evitado e não quis evitar. Cristo na cruz suportou

grandes sofrimentos: "Ó vós todos que passais pelo caminho parai e vede se há

dor igual à minha!" (Lm 1, 17), e os suportou pacientemente, "como a ovelha

levada para o matadouro e como o cordeiro silencioso na tosquia" (1 Pd 2, 23).

Cristo na cruz suportou também os males que poderia ter evitado, mas não

os evitou: "Julgais que não posso rogar a meu Pai e que Ele logo não me envie

mais que doze legiões de Anjos?" (Mt 26, 53). Realmente, a paciência de

Cristo na cruz foi imensa! "Corramos com paciência para o combate que nos

espera, com os olhos fitos em Jesus, o autor da nossa fé, que a levará ao termo:

Ele que, lhe tendo sido oferecida a alegria, suportou a cruz sem levar em

consideração a sua humilhação" (Heb 36, 17).

Se desejares ver na cruz um exemplo de humildade, basta-te olhar para o

crucifixo. Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer: "A vossa causa,

Senhor, foi julgada como a de um ímpio" (Jo 36, 17). Sim, de um ímpio,

porque disseram: "Condenemo-lo a uma morte muito vergonhosa" (Sb 2, 20).

O Senhor quis morrer pelo seu servo, e Aquele que dá a vida aos Anjos, pelo

homem: "Fez-se obediente até à morte" (Fl 2, 8)

Se queres na cruz um exemplo de obediência, segue Àquele que se fez

obediente ao pai, até à morte: "Assim como pela desobediência de um só

homem, muitos se tornaram pecadores; também pela obediência de um só

homem, muitos se tornaram justos" (Rm 5, 19).

Se na cruz estás procurando um exemplo de desprezo das coisas terrenas,

segue Àquele que é o Rei e o Senhor dos Senhores no qual estão os tesouros

da sabedoria, mas que na cruz aparece nu, ridicularizado, escarrado,

flagelado, coroado de espinhos, na sede saciado com fel e vinagre e morto.

Não deves te apegar às vestes e às riquezas, "porque dividiram entre si as

minhas vestes" (Sl 29, 19); nem às honras, porque "Eu suportei as zombarias e

os açoites"; nem às dignidades, porque "puseram em minha cabeça uma coroa

de espinhos que trançaram"; nem às delícias, porque "na minha sede deramme

vinagre para beber" (Sl 68, 22)


In Symb.

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

sábado, 27 de março de 2021

39. Sábado depois do I domingo da Paixão: De que modo devemos lavar os pés uns dos outros?


 sábado da I semana da Paixão


"Se eu, pois, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés

uns aos outros" (Jo 13, 14)


Nosso Senhor quer que seu exemplo seja imitado pelos discípulos. Ele diz:

"Se eu", que sou maior que vós, pois sou Senhor e Mestre, "vos lavei os pés,

também vós", por muito maior razão, pois sois discípulos e servos, "deveis

lavar os pés uns aos outros". Noutra parte, lemos (Mt 20, 26): "todo o que

quiser ser entre vós o maior, seja vosso servo... assim como o Filho do homem

não veio para ser servido, mas para servir".

Segundo Agostinho, todo homem deve lavar os pés aos outros já

corporalmente, já espiritualmente. É muito melhor e sem dúvida mais

verdadeiro lavar os pés realmente; que os cristãos não desdenhem fazer o

que o próprio Cristo fez: quando o corpo se inclina para os pés de um irmão,

o sentimento de benevolência se ascende em seu coração. E se já se possuía

este sentimento, ele é confirmado. Porém, se não lavamos realmente os pés

uns aos outros, façamo-lo ao menos no coração. Ora, pelo lava-pés devemos

entender a limpeza das faltas. Assim, portanto, lavemos espiritualmente os

pés de nossos irmãos e, de todo coração, lavemos suas manchas.

Ora, isto se faz de três modos:

1. Perdoando suas ofensas, segundo aquilo do Apóstolo (Cl 3, 13): "se

algum tem razão de queixa contra o outros: assim como o Senhor vos perdoou

a vós, assim também vós deveis perdoar aos outros."

2. Rezando pelos seus pecados: "orai uns pelos outros, para serdes salvos"

(Tg 5, 16).

3. O terceiro modo diz respeito aos prelados, que devem lavar os pés

perdoando os pecados com a autoridade das chaves, conforme o Evangelho

(Jo 20, 22): "Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados,

ser-lhes-ão perdoados."

Podemos ainda dizer que, pelo lava-pés, o Senhor nos mostra todas as

obras de misericórdia. Pois, quem dá o pão a quem tem fome, lava-lhe os

pés; do mesmo modo, quem acolhe os viajantes, veste os nus e assim por

diante, "tomando parte nas necessidades dos santos" (Rm 12, 13).


In Joan., XIII..

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

sexta-feira, 26 de março de 2021

38. Sexta-feira depois do I domingo da Paixão: A compaixão de Nossa Senhora


 sexta-feira da I semana da Paixão


"E uma espada trespassará a tua alma" (Lc 2, 35)

Estas palavras assinalam a grande compaixão de Nossa Senhora pelo Cristo.

Quatro coisas tornaram a Paixão de Cristo sobretudo amargas à mãe de

Cristo:

1. A bondade de seu Filho: "ele não cometeu pecado, nem se encontrou

engano na sua boca" (1 Pd 2, 22);

2. A crueldade dos verdugos, que se evidencia ao terem se recusado a darlhe

água na sua agonia e impedido que lho desse sua mãe, que

diligentemente daria.

3. A ignomínia do suplício. "Condenemo-lo a uma morte infame", diz o

livro da Sabedoria (2, 20).

4. A atrocidade dos tormentos: "Ó vós todos que passais pelo caminho,

atendei e vede se há dor semelhante à dor que me atormenta"(Lm 1, 12).

Serm.

Quanto às palavras do velho Simeão: "uma espada trespassará a tua alma",

Orígines e outros doutores as aplicam à dor sofrida por Cristo na Paixão.

Quanto a Ambrósio, pela espada entende significar a prudência de Maria,

não ignorante do mistério celeste. Pois, vivo é o verbo de Deus, válido e mais

agudo que toda espada de dois gumes.

Outros, porém, entendem por isso a espada da dúvida, não devendo, porém,

entender-se por esta uma dúvida culpável contra a fé, mas a da admiração e

da discussão. Assim diz Basílio: a Santa Virgem, aos pés da cruz e

presenciando tudo o que se passou, depois mesmo do testemunho de Gabriel,

depois do inefável conhecimento da divina concepção, depois da ingente

realização dos milagres, flutuava na sua alma, vendo, de um lado, as

humilhações que sofria seu Filho e, de outro, as maravilhas que realizava.

IIIa q. XXVII, a. IV, 2um

Mesmo sabendo pela fé que Deus queria que Cristo sofresse, e ainda que

conformasse sua vontade à vontade divina quanto à coisa desejada, como

fazem os perfeitos, a Virgem Maria se entristecia pela morte de Cristo,

enquanto sua vontade inferior repugnava esta coisa particularmente

desejada; e isto não é contrário à perfeição.


1 Dist. 48, q. única, a. III

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

quinta-feira, 25 de março de 2021

37. Quinta-feira depois do I domingo da Paixão: O Sinal maior do amor de Cristo


 quinta-feira da I semana da Paixão


Aparentemente, a maior prova do amor de Cristo por nós foi o ter dado seu

corpo como alimento, e não o ter sofrido por nós, pois a caridade da Pátria é

mais perfeita que a caridade da Via. Ora, este benefício com que Deus nos

agraciou, ao nos dar seu corpo como alimento, é mais similar à caridade da

Pátria, onde gozaremos plenamente de Deus, enquanto a Paixão a que Cristo

se submeteu mais se assemelha à caridade da Via, onde nos expomos a

morrer por Cristo. Assim, pois, a maior prova de amor de Cristo seria o ter

nos dado seu corpo como alimento, e não o ter sofrido por nós.

Contudo, lemos no Evangelho (Jo 15, 13): "Não há maior amor do que dar a

própria vida pelos seus amigos".

Solução: No que diz respeito ao amor humano, nada ultrapassa o amor com

que nos amamos a nós mesmos, por isso este amor é a medida de todo amor

que sentimos pelos demais. Ora, o característico do amor com que nos

amamos a nós mesmos, é o querer o bem a nós mesmos. Portanto, o amor

ao próximo será tanto mais evidente quanto mais preterirmos em seu

proveito o bem que desejamos para nós, como aquilo das Escrituras (Pr 12,

26): "Aquele que por amor do seu amigo não repara em sofrer alguma perda, é

justo".

Ora, o homem quer para si mesmo um triplo bem particular: sua alma, seu

corpo, os bens exteriores.

Suportar algum prejuízo nos bens exteriores por causa de outrem é sinal

de amor.

Sofrer corporalmente por outrem, em trabalhos ou agressões, é sinal

ainda maior de amor.

Contudo, abandonar sua alma e morrer pelo amigo, eis o sinal máximo

de amor.

Assim, ao sofrer e morrer por nós, Cristo nos deu a maior prova de seu

amor. Ao nos dar seu próprio corpo como alimento, o fez sem nenhum

detrimento próprio.

A Paixão é a maior prova do amor de Deus. Por isso a Eucaristia é memorial

e figura da Paixão de Cristo. Ora, a verdade se superpõe à figura e a

realidade, ao memorial.

A produção do corpo de Cristo no Santo Sacramento é figura do amor com

que Deus nos ama na Pátria; mas a Paixão de Cristo pertence ao amor

mesmo de Deus, que nos tirou da perdição para nos levar a si. O amor de

Deus não é maior no céu que no presente.


Quodl. V, q. III, a. II.