quarta-feira, 11 de novembro de 2020

"Irmãezinho"

 

Principalmente em romaria e entre irmãos, é hábito alguns irmãos mais velhos, ao falarem com os mais novos (em idade, particularmente) tratarem-nos por irmãozinho. Trata-se de um diminutivo de irmão (obviamente), mas que suaviza e torna a palavra mais gentil e carinhosa para o irmão.

Muito possivelmente, e tendo em conta a pronuncia e o modo com que muitos foram ensinados a dizer certas palavras, por parte dos seus pais com poucos conhecimentos, é bonito ouvir um irmão romeiro, ao dirigir-se a um mais novo com a palavra Irmãezinho. Mal escrita e mal pronunciada, no entanto, esconde uma pérola de beleza rara, que nos transporta à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os poucos conhecimentos que foram sendo transmitidos de geração em geração, no momento da sua pronúncia errada, transformam-se na passagem bíblica Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!» Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!”[1] Naquele momento, tornámo-nos todos irmãos de Cristo, através da Sua Mãe e assim, a palavra mal pronunciada, ainda que não fazendo parte dos dicionários de língua portuguesa, é a palavra mais correta para definição de sermos irmãos por Maria, Sua e Nossa Mãe.


(Um irmão romeiros, como os demais)

11 de novembro de 2020



[1] Jo 19, 26-27


quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Lembrança entregue ao irmão Padre Dolores

Lembrança entregue ao nosso irmão Padre Francisco Dolores, tendo em conta a saida do mesmo do Santuário de Nossa Senhora da Conceição.

Que Deus o abençoe...como SEMPRE!





terça-feira, 29 de setembro de 2020

Reunião de romeiros mensal (setembro de 2020)

 

Informam-se todos os irmãos que no próximo dia 30 do corrente mês, pelas 20:00, no centro de catequeses do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, localizado na Rua do Cruzeiro, irá ocorrer a reunião mensal com o seguinte esquema:

Tema para reflexão

A lógica da debilidade” - Apresentação e explanação a cargo do irmão Padre António Henrique, seguindo-se de um período de diálogo fraterno entre todos os presentes sobre o tema.



Tendo em conta a atual situação de pandemia, pede-se a que os irmãos levem mascara consigo.


Outros assuntos de interesse para o rancho

(…)
Mais se informa de que, este encontro também está aberta a todos aqueles que pretendam sair connosco na próxima romaria.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Sentidas condolências


Foi com enorme consternação que o rancho recebeu a notícia do falecimento da avó do nosso Padre Dinis.

Sentidas condolências e que Deus Nosso Senhor a receba na sua infinita glória.

domingo, 12 de abril de 2020

Domingo da Ressurreição… durante a COVID-19



Hoje é o dia em que a família se reúne para as cerimónias marcadas e marcantes no calendário litúrgico. Celebramos a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Depois de uma semana intensa, particularmente nestes últimos três dias, onde reinou a vivência da Palavra, através dos quatro degraus espirituais, mas também algumas incertezas a pairarem nas nossas cabeças, por causa do que estamos a passar, lembremo-nos que a família é o suporte de cada irmão romeiro e sem ela nada somos. Podemos ter discussões, atritos ou desavenças, mas algumas vezes, neste dia, qual fogo novo, os abraços que ocorrem são semelhantes ao Cirio Pascal, isto é, as relações que até então estavam em pausa ressuscitam para a vida.
Ainda que em romaria o dia da família seja outro, por razões obvias e fundamentadas, hoje é o verdadeiro dia da família. Hoje a família, e depois das cerimónias religiosos, reunir-se-á há volta da mesa e haverá a partilha fraterna do pão e do vinho. Como é próprio do dia de hoje, algumas mesas serão fartas e repletas de iguarias, outras mais modestas e outras ainda serão semelhantes às dos primeiros cristãos, mas todas elas para comemorar a morte e ressurreição de Deus Nosso Senhor Jesus Cristo.

Atrevo-me a sugerir, começando por mim, que sejamos como Maria Madalena e a outra Maria e olhemos, não para o Seu sepulcro, mas sim para o nosso, local onde muitas vezes vivemos sem sabermos. Deixemos que o anjo do Senhor remova a pedra que nos separa da escuridão para a luz e, sem temor, mas com grande alegria corramos a levar esta notícia aos demais irmãos, mesmo aqueles que não creem, dizendo-lhes que Ele vai sempre adiante de vós, porque nós, agindo assim, também seremos ressuscitados para a vida.
Neste dia, nunca será demais relembrar que a ressurreição de Cristo é um desafio profundo a todos nós, que vivemos numa sociedade e numa cultura que continua a mover-se em sinais de morte, desespero e desalento. Todos nós somos anunciadores e testemunhas dessa novidade, ano após ano. Todos nós devemos saborear esta experiência de viver a vida nova de ressuscitados.

Rezemos com fé e esperança, para que seja criado um tratamento ou vacina eficazes, de modo a que esta pandemia reduza drasticamente as mortes e os casos positivos.
Tal como Cristo ressuscitou ao 3º dia, também neste dia Te pedimos Senhor, recebe as almas dos que já partiram e dá alento às famílias que perderam os seus entes queridos.
Pai Nosso; Avé Maria.

(Um irmão romeiro, como os demais)

sábado, 11 de abril de 2020

Sábado Santo… durante a COVID-19


Neste dia, apesar de não nos encontramos fisicamente como irmãos romeiros, é o dia que nos recorda a dor pela morte de Jesus e a alegria da sua Ressurreição. Também é o dia em que devemos estar em silêncio à espera de amanhã, recordando a perplexidade dos apóstolos após a Sua morte ontem.
Neste ano, tal como este dia em particular, lembremo-nos de centenas de irmãos jovens e homens de barba rija, que não puderam fazer a sua romaria como era hábito. Depois de muita preparação e propósitos pensados para a mesma, este vírus veio tirar-lhes essa vontade e essa esperança de encontro com Ele, nesta maneira particular e peculiar que só as romarias proporcionam.
Qual Barrabás, este vírus de certa forma veio crucificar Jesus, como naquele tempo. Este vírus é semelhante a toda aquela multidão que sabendo as consequências nefastas, continuaram as suas vidas como se nada fosse. Continuaram a passear em grupo, a partilhar coisas sem se precaverem minimamente e, ainda que menos (graças a Deus) continuam. Por causa desta multidão Ele foi entregue para ser crucificado, apesar de algumas vozes gritarem o contrário, mas para além de não terem sido ouvidas naquele tempo, neste tempo foram abafadas nas camas dos hospitais e muitas pereceram e mais algumas perecerão.
Tal como essa minoria naquele tempo, também as nossas vozes neste tempo foram poucas as que fizeram eco nas igrejas, vales e caminhos que percorremos.
Todas aquelas duas alas de irmãos romeiros que não puderam dar voz e testemunho de Jesus, devem ter ficado como aqueles discípulos que iam a caminho da Emaús, depois do desfecho ocorrido em Jerusalém. Durante esta viagem de Jerusalém até Emaús, que é sempre a descer, muitos piedosos irmãos ficaram atordoados pelo desânimo, cabisbaixos por não terem caminhando e desencantados, por não puderem cumprir todos os propósitos que levavam na cevadeira.
Mas tal como o caminho que se faz caminhando, alguém se aproximou destes piedosos irmãos romeiros e foi elucidando-os, transformando-os e eles foram fazendo a romaria, de outra forma é certo e talvez mais difícil, mas fizeram-na. Fizeram-na através das redes sociais, com partilhas diárias de meditações, orações, mas sobretudo, nas palavras escritas com o coração abrasado, nas quais, de olhos fechados, mas com a alma aberta, puderam ver todo o trajeto que iam percorrendo. Pararam nas igrejas para as orações, caminharam com alguma chuva, vento e frio, mas também com algum sol e calor. Tiveram as partilhas das refeições, nas quais não faltaram as conversas triviais, risos e gargalhadas. Tiveram as suas meditações, partilhas e desabafos. Também tiveram o dia da família, desta feita mais intenso e mais demorado porque o tempo assim o permitiu. Pernoitaram aqui em comunidade e ali em casa de famílias, nas quais, puderam partilhar os seus conhecimentos, anseios, mas também duvidas, e quem sabe, não terão também sossegados alguns corações mais apertados com palavras vindas do Espírito Santo. Provavelmente alguns irmãos, talvez por inexperiência, tenham tido algumas bolhas nos pés e ter sido necessário recorrer à agulha desinfetada e linha para resolução do problema. Problema que passou pelas lagrimas teimosas a querem sair dos olhos, as voltas no conforto da cama, em detrimento dos sacos cama ou colchões numa Casa do Povo qualquer ou mais grave ainda, ver toda a indumentária ali ao canto da porta de entrada, sem que pudesse sair.
Todos eles terminaram as suas romarias até à passada quinta-feira, com os olhos a brilhar e após a celebração final, abraçaram-se demoradamente e com a força de quem foi ali buscar sustento para mais um ano, terminando dizendo ao irmão-Mestre: “- Até para o ano irmão!”
Todos eles, agora com o coração a arder com as palavras do Verdadeiro Mestre, depois desta longa e demorada caminhada, amanhã subirão novamente a Jerusalém, para darem testemunho da vivência que tiveram aos demais irmãos, principalmente junto daqueles que provavelmente venham a sair para o ano pela primeira vez, fruto do testemunho, qual semente de mostarda.

Neste dia os protagonistas são o recolhimento e meditação, já que não sabemos mais nada. Os próprios Evangelhos nada falam deste dia, somente poderemos imaginar que este seja o tempo em que o corpo de Jesus permanece no sepulcro e, sendo um dia de repouso para os judeus, os apóstolos permanecem sem saber o que acontecerá a seguir.
Segundo uma antiga tradição, mesmo que tudo esteja em silêncio, Jesus agiu. Neste dia Ele desce à mansão dos mortos, para salvar o homem e leva-lo consigo para o céu, onde nos precede e nos espera de braços abertos.
Terminamos esta reflexão com a oração das laudes:
“Deus eterno e omnipotente: ao celebrarmos o mistério redentor do vosso Filho Unigénito, que depois de ter descido à morada dos mortos saiu vitoriosamente do sepulcro, concedei aos vossos fiéis filhos que, sepultados com Cristo no Batismo, também com Cristo ressuscitem para a vida eterna. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.”

Neste sábado, rezemos por todos aqueles (mesmo na escuridão das incertezas e incógnitas) que estão a fazer os possíveis e impossíveis, para que os casos positivos possam regredir, sempre com a graça de Deus.
Pai Nosso; Avé Maria.

(Um irmão romeiro, como os demais)