segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

“Para que o Menino nos encontre olhando para Ele”, deve ser a atitude do romeiro


"No seguimento de um outro artigo de opinião aqui publicado, a última frase transcrita em rodapé da autoria de um monge Cartuxo “Procuremos todos rezar mais durante o Advento, para que o Menino nos encontre olhando para Ele”, tocou nas profundezas da minha alma, qual gota de água que cai de uma folha por cima de uma ribeira, e ao tocar na sua origem expande até ao infinito visível e invisível.
Tocou assim tanto, tendo em conta a fotografia acima inserida (utilizada em outro artigo), já que a mesma, por mera coincidência (ou talvez não) espelha a citada frase de maneira inequívoca.
Tocou-me e poderá também tocar outros irmãos romeiros (e não só) uma vez que, como romeiro assumido, por vezes ajo como se só existisse a Quaresma (ainda que seja um tempo próprio para a penitência e oração) isto é, como se o mais importante do ser Cristão/romeiro fosse a paixão, morte e ressurreição de Cristo, “esquecendo” assim o Seu nascimento e vida. Afinal de contas, o essencial de um Cristão está na forma do seu nascimento e nos ensinamentos que nos transmitiu durante a sua vida, principalmente nos últimos 3 anos. No entanto, não deixa de ser verdade que a Sua paixão, morte e ressurreição nos deverá relembrar que após esta vida, teremos uma outra, só que está será eterna e cheia de graça.
Realmente Deus podia ter escolhido outra forma para o Seu filho vir até nós e dar-se a conhecer a todos os homens, do género “popa e circunstância” mas não. Deus, ao contrário do habitual pensamento humano, “desceu da sua grandiosidade” e encarnou no seio da virgem Maria como uma criança frágil e indefesa. Como se isso não fosse, já por si, o bastante, isto é, reduzir-Se a um mero átomo, nasceu numa família humilde, com poucos recursos e no meio do nada aparente. Teve tudo o que era preciso mas, para os padrões desse tempo nada teve, materialmente falando. Sem dúvida alguma teve uma das maiores graças que se pode desejar ter, o Amor incondicional da sua mãe e de José. Teve ainda, para além dos reis magos, a presença, o carinho e o afecto dos pastores que por ali andavam com os seus rebanhos, homens que naquele tempo não eram tidos nem achados, no entanto foram estes mesmos homens os primeiros a ouvirem a boa nova. Olhando para este nascimento, peculiar em todos os sentidos, devemos ver com outros olhos, com outra visão a Natividade do menino. Não só com mais oração sentida, mas também com mais meditação nas leituras próprias para a época.
[1]
Quanto à sua vida muito haveria que dizer, mas para tal basta proceder à leitura do Novo Testamento, e quando refiro leitura, não será como quem lê um qualquer livro, mas sim uma leitura mais aprofundada, diria mais, uma leitura com os olhos da alma.
(…) para que o Menino nos encontre olhando para Ele”, segunda parte da frase citada no inicio, tão pequena e ao mesmo tempo de uma profundidade imensa já que, não basta rezar mais e melhor. Por vezes “encontrarmo-nos olhando para Ele” tem tanto ou mais valor do que uma oração porque, sermos nós mesmos verdadeiramente ao pé D`Ele, despojados de todas as nossas defesas, é um acto de amor e humildade, e nem sempre temos a coragem de O olharmos assim, olhos nos Olhos.
Finalizando, como Cristão/romeiro, a Quaresma tem a sua importância, no entanto, tratando-se do “fim” terreno de Nosso Senhor Jesus Cristo, não devo pôr só os olhos nesse “fim” quando, para perceber a abrangência (humanamente possível) dos actos de Deus, devo também olhar para o seu “inicio”, local onde tudo realmente começou.
Procuremos então rezar mais neste advento."

[1] Um documento alusivo que pode ser lido ou baixado em http://www.scribd.com/doc/44007680/Advento-2010-Final-c"
Artigo publicado no Jornal "A União" do passado Sábado.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Avé

"No dia 8 de Dezembro de 2010, uma testemunha de Deus apresentou-se na tua cidade, a uma pessoa com família e amigos, conhecedora da história dos seus antepassados; a pessoa tinha o teu nome.
Ao entrar na casa dessa pessoa, a testemunha de Deus disse - lhe: «Salve, o Senhor esteja contigo». Ao ouvir estas palavras, a pessoa perturbou-se e perguntou-se sobre o que significava tal saudação.
Disse-lhe a testemunha: «Não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de entender, amar e criar em nome de Jesus. E o que entenderes, amares e criares será grande porque é obra do Altíssimo. O Senhor Deus integrará o que entenderes, amares e criares no Seu Reino, que não terá fim.»
E a pessoa perguntou à testemunha de Deus: «Como será isso, se eu não tenho capacidade?» A testemunha respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, o que vai ser entendido, amado e criado será obra de Deus. Também os teus parentes e amigos entenderam, amaram e criaram embora muitos os achassem incapazes, porque nada é impossível a Deus.»
E a pessoa pode dizer, ou não, todos os dias: «Eis-me aqui Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E a testemunha de Deus retirou-se de junto da pessoa. "
Artigo da autoria do irmão Tomaz Dentinho publicado hoje no Jornal "A União"

domingo, 21 de novembro de 2010

Novena no Santuário de Nossa Senhora da Conceição/Reunião de Romeiros


Informam-se todos os irmãos que a próxima reunião será na 6ª feira dia 26 pelas 20:00.

Como Romeiros do Santuário de Nossa Senhora da Conceição e para além das reuniões preparatórias da romaria propriamente dita, temos o dever de, perante a Virgem Santíssima, nossa Padroeira, prestar-lhe condignamente a afeição que por Ela temos.

Assim sendo, devemos aceitar o humilde pedido da Nossa Senhora da Conceição, através das palavras do Padre Dolores, de estarmos presentes e marcamos presença, não só na Vigília na 1ª hora do dia 8/12, como também durante a Novena, que irá decorrer de 29/11 a 7/12.
- Como irá então ser isso? - Poderão perguntar aqueles irmãos que não puderam estar na última reunião por razões legítimas?
Para nós Rancho de Romeiros, Ela pretende que estejamos durante esta novena, no mínimo 14 elementos por dia, com o xaile, lenço e terços, pelas 19:15.
Sabendo que muitos de nós, por razões de força maior, não poderemos estar presentes todos os dias, e para aqueles que pelas mesmas razões não possam comparecer na próxima reunião, sugere-se que entrem em contacto com o Irmão Mestre ou o Padre Dolores, para confirmarem o dia ou dias que tenham disponibilidade, no intuito de estarem presentes todos os dias o mínimo solicitado pela nossa Mãe, e não por exemplo “hoje” 25 e “amanhã” apenas 7.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Reunião de Romeiros


Informam-se a todos os interessados, de que a próxima reunião de romeiros será no 19 do corrente mês, pelas 20:00, na Igreja da Conceição, onde estará também presente o nosso irmão contra-mestre Padre Dinis.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sentidas condolências



Depois de doença prolongada, Deus Nosso Senhor chamou para perto de si a proprietária da Ermida de Sant`Ana. O rancho de Romeiros expressa aqui publicamente, as mais sentidas condolências aos familiares e amigos que ficaram, prematuramente, privados de tão excelente criatura de Deus.



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aos Romeiros

À humildade do Romeiro
(a transposição do simbolismo do traje)

Ò romeiro
Que em silêncio segues
Jesus o Cristo
Ao triunfante momento
Transportando no terço
Orações pedidas

Tu que O segues
Sem questionar
As incertezas do Homem
Levas nos ombros chagados
E ensanguentados
A coroa de espinhos

Nas costas verdascadas
Pelos homens de Pilatos
A túnica insuportável
Do Filho de Deus
Torna-se (como por milagre)
Abrigo e aconchego

Na mão de dentro
Seguras o ceptro do Senhor
De um reino que não é deste mundo
Defendendo a Sagrada Família
Com a alma exacerbada
De devoção

Qual Simão (o Cirineu)
Carregas a Cruz (in) suportável
Do peso dos pecados mundanos
Tendo a certeza inabalável
Que Essa Cruz
É instrumento de redenção

Ò romeiro
Como desejo
Ter essa fé firme (qual rocha)
E esse olhar flamejante
Quando na cantaria fria e despida
Te prostras de vontade e oras

Ò romeiro
Como anseio ser como tu
E segui-lO assim
Toscamente mas sem hesitar
E se em romaria
For chamado (qual bênção)
Partir com a convicção
Que no colo da Virgem Maria
Irei repousar eternamente
Paulo Roldão
Um irmão romeiro como os demais

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A rotina




"Se perguntarmos à maioria dos cristãos católicos, o que pensam sobre os Sacramentos ou como os definem, o que dirão?
Que se trata de algo QUE… QUE o quê? E porventura responderiam como o saudoso Raul Solnado QUE, QUE ou seja nada ou quase nada.
Foram por Jesus Cristo instituídos sete sacramentos a saber:
· O Baptismo
· A Confirmação (crisma)
· A Eucaristia
· A Reconciliação
· A Unção dos enfermos
· A Ordem e,
· O Matrimónio
Mas o mais importante de todos é a Eucaristia porque todos os sacramentos estão ordenados para ela como para o seu fim segundo São Tomás de Aquino, porque se renova o mistério pascal de Cristo, actualizando e renovando assim a salvação da humanidade.
No meu simples entendimento aqui é que está o busílis dos nossos problemas, se não vivermos este sacramento com plena consciência e responsabilidade a renovação e assim a salvação da humanidade estarão adiadas, até que nos decidamos a adoptar a postura adequada, pedida incessantemente por Jesus Cristo.
Só mesmo Jesus Cristo a instituir este sacramento… é na realidade, a “coisa” mais bela, mais envolvente, mais transformante que algum dia se pudesse imaginar. E quantos de nós tem disso, consciência? Poucos… por isso talvez a renovação e a salvação da humanidade encontrem um espaço tão exíguo nas nossas vidas levando as pessoas muitas vezes a questionarem-se:
De onde vim e para onde vou?
O que faço eu aqui?
Para que nasci?
A resposta é simples meditem no sacramento da eucaristia, vivenciam-no e entenderão tudo.
Quando o sacerdote no inicio da eucarística na missa, apresenta os dons, diz estas palavras: “Bendito sejais Senhor, Deus do Universo, pelo pão que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem que hoje vos apresentamos e que para nós se vai tornar o Pão da vida” ou “ Bendita sejais Senhor, Deus do Universo, pelo fruto da videira que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem que hoje vos apresentamos e que para vós se vai tornar Vinho da salvação”.
O Senhor Jesus Cristo omnipotente, criador do céu e da terra quer que participemos neste grande momento da vida da Igreja, e como?
Colocando sobre o altar o pão e o vinho ambos frutos da terra e do trabalho do homem. Porque o homem semeou, aguardou que nascesse, retirou as ervas daninhas, colheu e esmagou o grão o os bagos das uvas para que se tornassem pão e vinho.
O despontar dos frutos da terra, até chegarem ao altar do Senhor, passaram por várias etapas e dificuldades como com cada um de nós.
Desde o nascimento até ao momento presente de cada um tem um historial de dificuldades como o Senhor, ao cúmulo de se entregar por nós naquela morte horrenda.
E o Sacramento da Eucaristia é a união do sofrimento de Jesus Cristo junto com as nossas dores, sofrimentos, desapontamentos, frustrações e outras dificuldades que à semelhança do grão de trigo que tem de ser moído ou a baga da uva que tem de ser esmagada no lagar para dar fruto, colocamos sobre o altar junto com o sacrifício pascal sempre renovado de Jesus Cristo. O Senhor quer que participemos juntos com Ele neste gesto de profundo alcance e significado, enquanto não entendermos isto nada em nós se transforma.
E a tristeza que tantas vezes me dá quando vejo muitos fiéis homens e mulheres de boa vontade mas que se dirigem ao altar da Eucaristia tão displicentemente, tão desportivamente, recebendo o Senhor com as mãos não limpas…
Enfim sem nenhuma noção de que estão a participar no momento mais importante das suas vidas. Ora, se não há essa consciência do que estamos a fazer como podemos actualizar e renovar a salvação da humanidade?
Porque depois de comungarmos o Corpo e o Sangue do Senhor, somos no dizer do Apóstolo Paulo “Templos do Espírito Santo” porque o levamos connosco, para transformarmos o mundo, a principiar, pelo nosso próximo que poderá ser o esposo ou a esposa, os filhos etc.
Quantos têm consciência disso?
Quantos levam a vida suplicando por isto e por aquilo, quando semanal ou diariamente o podemos levar connosco sem nos apercebermos que Ele connosco, somos UM, somos portanto mais fortes, mais tolerantes mais amigos uns dos outros ou seja semelhantes a Jesus Cristo em que o amor pelo outro é o que de mais importante existe na terra.
Os sacerdotes podiam auxiliar a consciencializar as pessoas para a importância do Sacramento da Eucaristia mas, a maioria salvaguardando algumas excepções não o faz porque se multiplicam em actividades menos importantes, desgastam-se porque não são de ferro, enfim a maioria das vezes fazem-no apressada ou rotineiramente…
É uma pena, e a possibilidade de actualizar, renovar a salvação da humanidade vão ficando adiadas."

Irmão João Dinis

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

“Estamos quase atrasados” como romeiros/em romaria


"Durante a romaria deste ano e num contexto puramente de tempo, um irmão proferiu a seguinte observação:
- Estamos quase atrasados!
É que poderia ter-nos dito “estamos com falta de tempo”, “temos que caminhar um pouco mais depressa” ou “estamos a ficar um pouco atrasados”, entre outras possibilidades, no entanto aquele “estamos quase atrasados”, ressoou-me na mente de maneira estranha. Na paragem seguinte, peguei na caneta e no pequeno caderno que caminha quase sempre comigo e apontei essa afirmação, já que soava-me a algo mais do que apenas o contexto temporal em que ela foi proferida.
Durante os meses que decorreram deste então, de quando em vez essa afirmação aparecia-me à frente como que a lembrar-me para não me esquecer.
Há poucos dias, ao ler um artigo referente ao livro que dá pelo título de “O Grande Desígnio” escrito por “Stephen Hawking“, onde é referido que Deus não existe e não pode ter sido o criador do universo, é que a afirmação que deu título ao presente artigo fez sentido, o tal algo mais que apenas o tempo.
Neste inicio de século XXI e já nas décadas finais do século XX, aos poucos, quiçá derivado das várias descobertas científicas, o Homem foi começando a por de lado o Divino, julgando que essas descobertas omitem Deus na criação, pensando que “afinal de contas”, a Sagrada Escritura é um livro de histórias cheio de “efeitos especiais” e de “duplos”. São ideias e pensamentos absurdos e errados que alguém poderá ter sobre Deus e as Suas obras, no entanto (infelizmente), é para o ateísmo e a não-crença em Deus que o mundo dito erudito e moderno caminha a passos largos.
Hoje, em nome do respeito por tudo e todos, criam-se leis ambíguas, duvidosas e até contra os princípios de Deus. Os média, a cada dia que passa, tornam-se mais ousados (como dizem), com artigos de jornal “bombásticos”, programas de rádio com entrevistas “escandalosas” e com concursos televisivos “exagerados”, tudo para cativar as audiências, mas também para, “indirectamente” levar o povo de Deus a acreditar que está errado e que eles, com esses estudos, mestrados e teses é que têm razão, é que são os donos da verdade absoluta.
Como Cristão, sei e sinto que a fé e a esperança em Deus, não são “coisas” para serem provadas cientificamente ou que tenham que ser provadas mas sim, para serem vividas e sentidas na alma.
Deus existe verdadeiramente, senão não teria enviado o anjo Gabriel a anunciar estas doces palavras a Maria “Salvé, ó cheia de graça, o Senhor está contigo”.
Nós, romeiros e discípulos de Cristo, seguimo-lO como Maria O seguia (“Todos, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus” (At 1,14)) todos os dias em particular e na quaresma em especial, desde há séculos. Desde há séculos que oramos, como Nossa Senhora o fez e como as suas várias aparições onde sempre pediu “Orai…”
Quem ora sente e vive que não são em vão as suas orações. Que ao serem depositadas nas mãos da Santíssima Virgem, esta adorna-as de tal maneira, que mesmo nas alturas em que não são vividas ou sentidas na totalidade, ela consegue tornar uma mera vogal ou uma simples consoante, numa oração completa perante o Altíssimo.
Oramos e continuaremos sempre a orar até ao último sopro de vida, mesmo que a maioria dos homens diga o contrário, mesmo que a ciência teime em querer mostrar continuamente o oposto, mesmo que nos digam que não fazemos sentido ou mesmo que afirmem que estamos atrasados no tempo, os romeiros e as romarias estarão sempre quase atrasados."


Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Romaria do ano de 2011


Informam-se os irmãos romeiros e todos aqueles que pensam em fazer a experiência de romaria no ano de 2011, que as reuniões preparatórias começam no próximo dia 15 de Setembro, pelas 20:30, no Centro de Catequese da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, situado na Rua do Cruzeiro.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Resgatando a antiga Ermida de S. Sebastião de Angra do Heroísmo

"No Livro VI das Saudades da Terra, já Frutuoso dava conta desta Ermida de São Sebastião. Também Ioannes Hugonius Linfchoten 1595 a desenhara naquela que até aos dias de hoje é a cartografia mais explicativa da vila medieval/ depois cidade de Angra que o fora.

Conforme se poderá observar em leitura atenta da carta de Linfchoten tinha um amplo adro e à sua frente um chafariz. Pe. António Cordeiro deixa-nos como informação: ”uma nobre, e grande Ermida de Santo, que está indo de S. Francisco, era Ermida do Senado da Câmara...tinha a frente voltada para sul e estava à beira da rua”- do Cruzeiro. A sua construção poderá remontar ao segundo cartel de 1500 (1550), como sustenta o cronista, mas o que podemos dar como certo, é que hoje ela já não existe, deu lugar à Praça Dr. Sousa Júnior, antes Praça Eng.º Arantes de Oliveira, tinha sido Cadeia, e também Recolhimento/Mosteiro das Freiras Capuchas – viviam em clausura religiosa Confessas descalças da 1.ª Regra de Santa Clara.
A grave epidemia de peste que sucedeu nesta Ilha no ano de 1599 ceifando muitas vidas (7000 mil – assim contam os registos). A Câmara então reunida, no dia 20 de Janeiro de 1600, estando presentes a nobreza, clero e o povo, foram em Romaria até São Bento junto da pequena capela que ali havia sido erigida pelos Freis Pedro dos Santos e Jorge de Saphara - esta capela é anterior á de São Roque. Regressada a Romaria e passando junto à Ermida de São Sebastião, foi celebrada missa pelo frei Jorge Saphara, tendo-se depois organizado uma procissão pelas ruas principais da cidade, momento que serviu para a Câmara fazer voto de realizar uma festa todos os anos na Ermida em louvor a São Sebastião pela graça alcançada, uma vez que a epidemia havia cessado. A Ermida fora depois demolida, tendo a imagem sido transferida para a Igreja da Conceição, onde se encontra. Estas festividades, com a entrada da República, viriam a ser suspensas, sendo reatada em 1957. Na nossa contemporaneidade estão à muito esquecidas… [!]


Descrição: Imagem de S. Sebastião: desnudado, com uma mão e pé atados a tronco atrás das costas, trespassado com 8 flechas. Advogado contra a peste. Madeira pintada com resplendor de prata. Século XVI/XVII - Mestres da Sé.
A Escultura, existente neste altar, está colocada num nicho ladeado por 2 colunas Salomónicas em madeira esculpida e coberta com folha de ouro [talha dourada], com decoração vegetalista. O fuste canelado e seus capitéis coríntios, bem como o arco, são todos eles revestidos com desenhos de folha de acanto. O fundo do nicho tem entablamento de madeira e está forrado a tecido vermelho com gola brilhante. Todo o Altar é em talha à excepção de parte do mesão.

Dimensões: 80 cm de altura.
Escultura: Originária do Convento das Capuchas – Ermida de São Sebastião
Localização actual: 2ª. Capela do lado do Evangelho - Igreja e Santuário de Nossa Senhora da Conceição – A.H. "


Artigo da autoria do irmão Victor Cardoso

quarta-feira, 21 de julho de 2010

RESTAURADAS AS ROMARIAS NA ILHA TERCEIRA

“O Mundo só pode ser
Melhor do que até aqui,
Quando consigas fazer
Mais p´los outros que por ti”

O poema é de António Aleixo e fora citado sem nenhum engulho pelo Rodrigo, um jovem que arribara a esta ilha vindo da Graciosa com outros irmãos romeiros para participar nesta terra ilha de Jesus Cristo – designação como fora chamada pelos primeiros avista dores e povoadores da Terceira, na IV Romaria, depois de à quatro anos ter sido restaurada essa tradição, e em boa hora na ilha. Gaspar Frutuoso primeiro cronista destes rochedos atlânticos na sua discrição sobre a ilha Terceira – nas Saudades da Terra; Frei Diogo das Chagas – em Espelho Cristalino; Pe. António Cordeiro – na Historia Insulana das Ilhas; Alfredo da Silva Sampaio – nas suas Memórias sobre a Ilha Terceira e mais tarde amplificada e mais tratada por Francisco Ferreira Drumond nos seus Anais, registaram desde sedo as Romarias. Elas sucediam nesta terra, tendo sempre como forte presença na fundamentação, as epidemias, os fogos, os tremores de terra vindos das entranhas da ilha ou ditada pela força das águas - enchurradas, que colocavam as gentes que as habitavam em momentos de grande aflição, levando-os assim a pedir e formular votos de clemência ao criador para que os livrassem de tais sucedidos. O tempo, passa, mas embora decorridos já 5 séculos, continuamos a registar âncoras dessa nossa açorianidade, que nos remetem para uma identidade que nos é muito própria. Nessas leituras, encontra-mos sempre um denominador comum, numa relação directa e justa entre a fé que o povo cultiva e o seu agradecimento, muitas vezes traduzido em obra física ou seja, na dinâmica operada pela edificação empreendidas das Ermidas, que ao redor da Ilha (s) que foram sucedendo com naturalidade, modos, que são, por si só, sinónimo da devoção a Deus - o criador, através dos seus oragos de peito, numa relação que podemos dizer quase umbilical.




Os primeiros registos de romarias na Terceira, ocorrem juntos às Ermidas ou aos pequenos nichos construídos para ali colocar a imagem encontrada: São Roque (São Bento), que poderá ser [opinamos], seguramente um dos locais onde se terá realizado das primeiras romagens – tinha Casa de Romeiros. Senhora da Esperança (Porto Judeu); Santo Amaro (Ribeirinha); Senhora da Ajuda (Santa Bárbara); Santinha do Mato (Cinco Picos); Nossa Senhora de Guadalupe (Agualva) e Nossa Senhora dos Milagres (Serreta), estas 3 ultimas tinham também sua Casa de Romeiros – mantendo-se apenas hoje com a mesma configuração a existente em Santa Bárbara – Senhora da Ajuda.
Tal como refere o Pe. Alfredo Lucas – em As Ermidas da Ilha Terceira: “ Assim, existiam casa dos romeiros junto das ermidas de S. Roque, em Angra, Nossa Senhora da Esperança, no Porto Judeu, Nossa Senhora dos Remédios, na freguesia das Lajes, e parece que junto da ermida da S. Vicente Ferreira, em S. Mateus. Lembramos ainda que outra casa dos romeiros existiu no lugar da ermida da Santinha do Mato, nos Cinco Picos, devendo referir-se que todos eram de pequenas dimensões, exceptuando a das Lajes.”


Uma nota, deve agora merecer ser dada, sobre o enquadramento do Património Cultural Imaterial. Foi criada esta distinção em 1997 pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, com o objectivo de proteger, reconhecendo os valores, tradições culturais e crenças de um Povo, também adoptando a designação de Património Cultural Intangível da humanidade (Heranças que não podem ser desvirtuadas, logo tocadas - intangível, porque se sente com o coração e se perpetua num gesto de fé e respeito ao passado) - as Romarias através dos seus ranchos de romeiros têm pleno enquadramento nessa avaliação, porque todo seu ritual organizacional fundamenta essa distinção nesse enquadramento.
As Romarias nos Açores existiram sempre por todas as Ilhas se bem que tenha sido na Ilha de São Miguel que conseguiram mantê-las praticamente sempre ininterruptamente. Na ilha Graciosa também recuperada tradição já com 11 anos a essa parte e nesta ilha Terceira, à 4 anos restauradas e resgatadas, com um cunho presencial muito particular, uma vez que a ligação quase directa, embora autónoma à Igreja, na presença de um diácono ou sacerdote, veio dar-lhe uma estrutura muito própria e consistente, singular mesmo, pela partilha que ocorre nos momentos de reflexão às temáticas diárias. Sem duvidas, que este contexto foi fundamental na sua relação com as populações, que tem vindo em crescendo – daí podermos afirmar estar-se na presença de um bom fermento para as gerações futuras, tão necessitada que está a contemporânea, de referências aos valores de Deus e da Família – queremos (querem-se) cristãos pobres em espirito porque ricos em caridade.

Terminamos esta abordagem e porque em tempo de quaresma [a ela nos referimos], para nos devermos centrar na missão dos valores cristãos, na Páscoa e naquilo que ela representa e deve significar para uma humanidade - sem rumo. Nos deve merecer, assim o respeito, também aos menos crentes [aos laicos], recordando que à mais de 2000 anos [2010], um Homem, percorreu o doloroso caminho da via-sacra e que até hoje, não consta relatos de outro paralelo [não foi ficção!].
As Romarias são pois, uma realidade fulcral, esse impulso para o real e na força da mensagem: tornar a reunir a reagrupando e dar a esperança, num mundo demasiado distante… O pedido, a reza e o sacrifício, no gesto simples e sério, sem pudor, porque de modo assumido, para partilhar os caminhos da fé e da solidariedade solene a Cristo - O filho do Homem, que no vigor da sua idade, fora abruptamente flamejado, cobardemente e selvaticamente crucificado, sofrendo momentos dolorosos até à morte na cruz e que só alguém diferente poderia resistir.

Por vezes somos de memória curta, interessa-nos mais a riqueza em espírito, nos preocupamos com a nossa ostentação dos valores materiais e só nos lembramos [usa dizer-se], de Santa Bárbara quando sentimos trovões. O mesmo se poderá dizer nos tempos que correm, que andamos meio arredios, esquecidos, não damos valor nem nos apetece recordar o que os nossos antepassados viveram – suas dificuldades, quando as ilhas eram acometidas de epidemias fogos e forças telúricas. Nos dias que correm todos os dias entram-nos portas a dentro, notícias de calamidades e tragédias, pelo que devemos saber estar preparados para as viver, porque são reais – não estamos imunes, porque as vividas e sentidas no passado podem voltar a qualquer momento… [!].

E porque falámos da Páscoa, recordemos também restaurando e jogando de novo ao Balamento e que o seja já em 2011, com os nossos filhos, ainda vai a tempo… “temos tempo…” como usa dizer o irmão Isaías! Uma tradição sem maldade, onde o espirito convergente e de partilha familiar é denominador comum. – Eu lembro-me, jogava-o também com meus pais e irmãs - [Este ano voltei a joga-lo com a minha filha mais nova !].
Uma Santa Páscoa, é do coração, o que mais vos posso desejar, que tenha sido vivida efectivamente por todos quantos leiam esta nota nesta quadra, já em pleno estio – o Verão vai já a meio, por isso boas férias, muita saúde e que Deus e Nossa Mãe Maria Santíssima esteja e fique em nossa companhia [!].

“Quando em mim penso com calma
E me compreendo melhor
Bem merecia que a minha alma
Tivesse um corpo maior”
António Aleixo"
Artigo publicado no Jornal "A União" da autoria do irmão Victor Cardoso

terça-feira, 6 de julho de 2010

NÃO VALEMOS MAIS QUE UM PARDAL?

"Á cerca de três para quatro anos compreendi porque Nossa Senhora recomendou aos três pastorinhos de Fátima que recitassem o rosário todos os dias sem desfalecimentos, sem hesitações e sem desculpas. Até aquela altura tinha muita dificuldade de o fazer porque me distraia e dispersava, enfim comportamentos semelhantes a tantos irmãos nossos. Nossa Senhora não iria pedir algo que não fosse importante para nós, e em que medida e profundidade?
NOSSO SENHOR NOSSO PAI é uma “pessoa” de um amor infinito, não tem explicação, nada existe abaixo do Sol capaz de medir o amor que Ele nutre por nós, e por muito que o reconheçamos fazemos só uma pequena ideia e, quando essa ideia é perceptível que alegria nos causa e que ressonâncias provocam no nosso coração, só quem já sentiu o poderá testemunhar.

“Certo dia o SENHOR chamou o Anjo Gabriel e disse-lhe:
· Gabriel, vai a casa de Maria a Nazaré e diz-lhe que Ela achou graça ao meu coração e, que é no seu ventre sagrado que irá nascer o Meu Filho muito amado.
O Anjo Gabriel foi transmitir a Sagrada mensagem do SENHOR.”

Ora quando medito nesta passagem, e digo esta parte da Avé Maria estou a repetir as palavras do Anjo Gabriel, como se o Senhor me houvesse chamado e incumbido da mesma tarefa.
Eu, pecador confesso sou porta-voz do Senhor no anúncio do nascimento de Jesus. Os Irmãos já pensaram nisso? Parem e meditem no profundo conteúdo das palavras e do seu transcendente significado.

O Romeiro é um homem de oração, (é o que as pessoas pensam umas para as outras sempre que nos vêem passar pelos caminhos da nossa Ilha) assumindo o Rosário como sua oração principal e fazem-no publicamente a plenos pulmões sem qualquer vestígio de respeito humano. E nos outros 360 dias que compõem o ano qual é a relação que temos com o Rosário, continuamos a recitá-lo diariamente embalados pelas muitas graças recebidas na romaria ou arrumamo-lo distraidamente?
Depois da descoberta feita há um par de anos com o significado daquelas palavras não vejo nem a hora nem o momento para o recitá-las porque quero sentir a ressonância das palavras que o Senhor me faz sentir com o anúncio a Maria.

E o Senhor pacientemente espera a nossa oração, o nosso encontro, valemos muito para Ele, somos de uma importância inimaginável.

Olhem os pássaros que esvoaçam despreocupadamente pelos ares, esses passarinhos não são como nós.
Para comermos um pedaço de pão, necessitamos de semear, ceifar, debulhar… Os pássaros não semeiam, não ceifam nem debulham, e no entanto nenhum deles morre de fome, quem os alimenta? O Pai os alimenta todos os dias. Quanto acham que vale um passarinho desses no mercado? Dois euros.
Agora se o PAI se preocupa em alimentar diariamente os pássaros que esvoaçam à nossa beira, já pensaram os Irmãos o que não fará por nós homens de pouca fé. Não valemos mais que um pardal?"

Um excelente artigo escrito pelo nosso irmão J. Dinis

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O romeiro é um homem que contempla-O caminhando

"O romeiro é um homem que caminhando segue as palavras de Cristo “Pega na tua cruz e segue-Me!” e, especialmente nos dias de aparição publica carrega, não só a sua cruz como também aquelas que lhe vão entregando na romaria. Carrega-as, não como um peso excessivo ou um fardo difícil de carregar, mas sim como alguém que segue Cristo, como alguém que abdica de si mesmo em prol dos outros. Mas o romeiro é também um homem contemplativo, seja nas orações, meditações ou nos momentos de descanso físico.
Como é belo e gratificante segui-Lo, através do mistério da paixão, morte e ressurreição traduzido na Via-sacra. Ano após ano, a Via-sacra é sempre a mesma, no entanto, ano após ano nenhuma é igual à anterior. Ano após ano, o caminho é sempre o mesmo, no entanto, ano após ano nunca é o mesmo. Fisicamente, ano após ano vamos envelhecendo, no entanto, espiritualmente, ano após ano vamos amadurecendo o caminhar em direcção á graça de Deus.
Atrevo-me a dizer que nestas ilhas de bruma, no meio do azul que nos rodeia, os romeiros são quase como uma espécie de Cavaleiros Templários de outros tempos. Não naquilo que levou à sua extinção, mas sim naquilo que os aproximou do Criador, como por exemplo, a sua divisa que foi extraída do livro dos Salmos: "Non nobis Domine, non nobis, sed nomine Tuo ad gloriam" (Sl. 115,1) que significa " Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade", onde estão patentes os ensinamos das Sagradas Escrituras sobre a humildade “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará." (Tiago 4:10), entre outras passagens bíblicas. Como é gratificante sentirmos que sem Ele nada somos, que sem o Seu apoio nada conseguimos e que sem Ele inserido nas nossas vidas não passaríamos de meras marionetas ou escravos nas mãos dos prazeres mundanos.
Caminhamos contemplando-O assim como todas as suas obras, mesmo aquelas que apenas a alma se apercebe. Contemplamo-Lo caminhando nas contas do terço e quando rezamos com docilidade, algures (neste mundo ou no outro) acontece um milagre. É nesta docilidade que reside o mistério da ligação do homem com Deus, isto é, não é na quantidade de terços ou rosários que fazem com que o homem esteja mais perto da salvação divina. Não é no recitar ave-marias e pais-nosso como quem quer entrar no livro dos recordes, mas é na sua qualidade, ou seja, nessa docilidade perante Deus. Inúmeras vezes, quanto mais queremos ser humildes perante o Salvador, mais soberbos nos tornam ao ponto de pensarmos que determinada situação aconteceu por causa dos nossos actos ou orações diárias, quando na realidade (e muito possivelmente) bastou o murmúrio da oração por parte de uma criança, mas com sinceridade, docilidade, devoção e muito sentida, para louvar e agradar a Deus.
O romeiro é apenas e tão só um homem que caminha seguindo a Cruz que o precede, lado a lado com a Sagrada Família, contemplando em todos os locais de culto a Sua e Nossa Mãe Maria Santíssima."
Artigo publicado no Jornal "A União" no dia 28 do mês findo.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cânticos e Orações XIII

NÃO ADORES

Não adores nunca ninguém mais que a Deus.
Não adores nunca ninguém mais que a Deus.
Não adores nunca ninguém mais,
Não adores nunca ninguém mais,
Não adores nunca ninguém mais que a Deus.

Não contemples…

Não escutes…

Cânticos e Orações XII

SANTOS ANJOS E ARCANJOS

1. Santos Anjos e Arcanjos vinde em nossa companhia
Ajudai-nos a louvar a divina Eucaristia. (2)

Viva Jesus sacramentado, viva Jesus Nosso Senhor.
Viva Jesus Pai adorado, viva Jesus que é nosso amor. 2

2. A divina Eucaristia é Jesus Deus humanado,
De Maria sempre Virgem fruto do ventre sagrado.

3 A Divina Eucaristia é Jesus Deus humanado,
de Maria sempre Virgem fruto do ventre sagrado.

Cânticos e Orações XI

CÂNTICOS AO SS. SACRAMENTO

1. VENEREMOS, ADOREMOS
Veneremos, adoremos a presença do Senhor, Nossa luz e pão da vida, cante a alma em seu louvor.
Veneremos no sacrário Deus oculto por amor.
Dêmos glória ao Pai do céu, infinita Majestade;
Glória ao Filho e ao Santo Espírito, em espírito e verdade
Veneremos, adoremos a Santíssima Trindade, Ámen.

2. BENDITA E LOUVADA SEJA A HORA

Bendita e louvada seja a hora e o feliz momento em que foi instituído o santíssimo Sacramento (2)

Foi instituído em pão: é o nosso Rei
É o nosso Pai é a nossa redenção! (2)

2. Ó Sacramento divino, reinai em meu oração
E no centro do meu peito fazei vossa habitação. (2)

3. HÓSTIA A SANTA

1. Hóstia Santa, manso cordeiro.
Amor primeiro, do meu amor.
Hóstia santa, vou ter a dita,
duma visita do meu Senhor!

Jesus está, eu creio assim!
Jesus está na hóstia por mim! (2)

2. Hóstia santa, vem à minha alma.
Trazer-lhe a calma, vem dar-lhe luz.
Hóstia Santa, bem firme eu creio
Que no teu seio, está Jesus!

3. Hóstia Santa – vem ao meu peito,
Acende o preito – do meu amor!
Hóstia Santa – eu quero amar-Te,
sempre gozar-Te – com santo ardor!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cânticos e Orações X

Despedida

Chegou a Hora do adeus
Irmãos vamos partir
Com fé e confiança irmãos
Vamos nos despedir

Partimos com esperança irmãos
De um dia aqui voltar
Com fé e confiança irmãos
Partimos a cantar AVE MARIA…...

Cânticos e Orações IX

SE NÃO SE ENTRA NA IGREJA

Meu Jesus aqui chegamos
À tua porta sagrada
E com amor imploramos
Pela nossa caminhada
Nós somos filhos obreiros
Na tua porta batemos
Ajuda esses romeiros
À oração que aqui fazemos

Vamos com o coração
Nesta Ilha caminhar
Junto com a oração
Pedir para a paz reinar

quinta-feira, 17 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Em romaria Deus convida-nos a que Ele habite em nós

“Partindo da Sagrada Escritura e da Tradição, a solidão cristã procurada afirma-se como lugar da prova e da promessa, da separação e do encontro, do apagamento e do renascimento, da angústia e da iluminação, do sacrifício e redenção. Na história do Cristianismo, a solidão é, tradicionalmente, um lugar e um tempo de iluminação e de purificação cujos símbolos são a montanha e o deserto e nessa medida a solidão e o silêncio afirmam-se como verdadeiros meios de crescimento espiritual. A solidão cristã é uma solidão para a vida cristã e não a vida cristã uma vida para a solidão.” [i]
É no contexto desta frase, salvo outra mais fundamentada, que vejo e vivo as romarias, que vejo e vivo particularmente o 4º dia e, atrevo-me a dizer aqui, que todos os irmãos romeiros também vêem e vivem as romarias.
Neste dia em particular, caminhamos no meio da natureza quase intacta, quase pura. Ao redor de nós, apenas o verde das pastagens, alguns animais e o azul do céu. Passamos em silêncio e oração mas, os animais quando nos avistam, vêem ao nosso encontro, vêem até às paredes de pedras toscas e observam-nos. Com alguma modéstia e sem querer dizer que é algo transcendente, olham para nós de uma maneira peculiar, de uma maneira diferente daquela que olham outras pessoas que passam, quer sejam em grupo ou isoladamente. Dizemos que são animais irracionais, mas também são criaturas de Deus e como tal, dentro dessa irracionalidade aparente, algo se passa à passagem da Cruz ou à passagem da Sagrada Família que connosco caminha silenciosamente.
Este ano tivemos a graça de sermos abençoados várias vezes com o sinal do baptismo, a água pura e cristalina que caía do céu e banhava-nos até as nossas almas. Nesse 4º dia, onde éramos só nós e Nosso Senhor, e após 3 longos dias de oração profunda acompanhada da respectiva meditação, tivemos a “oportunidade” de escolha. Escolha entre continuar a rezar como até então ou contemplar as obras de Deus ao nosso redor, as quais na minha opinião, não deixam de ser também uma oração dignificando-O, aliás, existem pensamentos que são puras orações e neste dia, existiram momentos nos quais, fosse qual fosse a nossa posição, as nossas almas encontravam-se de joelhos e de mãos postas. Existiram também momentos onde relembrámos a solidão, a tristeza e a saudade da Virgem Maria, por ocasião da Paixão e Morte do seu filho Nosso Senhor Jesus Cristo.
Neste dia, em particular, deambulei entre as certezas profundas e as incertezas constantes. Caminhei entre o quase apóstolo e o ateu mais radical. Percorri a estrada entre o deserto mais seco e desolado e o oásis mais húmido e sombreiro, mas foi nesta longa estrada negra do asfalto, que passei pela solidão necessária em busca de mim mesmo, tentando sentir e viver as palavras de Santo Agostinho “Não vás fora, entra em ti mesmo; no homem interior habita a verdade”. Neste pensamento, Santo Agostinho, dá-nos a perceber que quanto mais o homem fica no exterior, tanto mais se esvazia de si mesmo. Ao contrário, quando este entra em si mesmo, recolhendo-se na sua intimidade, dá-se o encontro com Deus.
Nos dias de hoje, muitos de nós temos dificuldade em compreender que o Senhor faz morada na alma daqueles que têm a capacidade de mergulhar dentro das suas almas e não a ideia enraizada de Deus lá nos céus, quase inalcançável. É nesta solidão para a vida cristã, que em cada um de nós existe uma abençoada solidão, aquele “vazio” interior que não é maléfico, mas sim, o convite de Deus para O encontrarmos num lugar no nosso interior, no qual somente Ele habita, e ali é só Ele e tu, nada e ninguém mais, apenas o silêncio e o diálogo (oração). Todos recebemos este convite, mas poucos respondem-Lhe.
Uma das coisas que sentimos e vivemos em romaria é esse convite permanente de Deus para habitar em nós.
Como um irmão já escreveu, “Assim no silêncio e equilíbrio da paisagem campestre podemos na fé e no amor “estar” com o Senhor Deus.”. É assim que também vejo este “4º Dia”, “um lugar da prova e da promessa, da separação e do encontro, do apagamento e do renascimento, da angústia e da iluminação, do sacrifício e redenção.”

[i] Emanuel Matos Silva “Solidão, silêncio e presença em S. Bruno” Pag. 36
Artigo publicado no Jronal "A União" de ontem.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sinal da Cruz e identidade dos cristãos

"O Sinal da Cruz é marca de identidade dos cristãos, precisamente por nos colocar no mistério de Deus Uno e Trino, no qual são baptizados: “Em nome do Pai, em nome do Filho, e em nome do Espírito Santo”.
Assim começamos e terminamos as nossas celebrações litúrgicas. Assim deveríamos começar e terminar cada dia da nossa existência de peregrinos, sobre a terra que habitamos. E há tanto que apreciar nas maravilhas da Criação, que sempre se continua e renova em cada dia.
Quando um cristão faz o Sinal da Cruz está a fazer a profissão de fé, que o distingue dos crentes doutras religiões. Também é um gesto de testemunho da sua fé, bem eficaz quando assumido perante a multidão de todos os outros.
Escândalo para muitos, também em nossos dias, num laicismo que prefere outros gestos de adulação, onde o orgulho ancestral de velhos e novos “adamitas”, que se dizem despir de todos os preconceitos, mas que não toleram o Sinal da Cruz.
Por vezes, muitos dos amamentados na Igreja, que os fez gente, nas Cátedras das Catedrais e mais tarde Universidades, e Hospitais para os doentes de todas as condições e tantos outros avanços civilizacionais, procedem como “inimigos da Cruz de Cristo”, tentado banir o Sinal da Cruz, até nos recantos, que lhe deram Vida.
Ao celebrarmos a Santíssima Trindade, tenhamos bem presente os desafios, que se colocam a cada um de nós, a começar nas famílias, tão atacadas, por legislações danosas, que em nada apoiam à transmissão de Valores e de condições de vida, sobretudo em relação aos filhos a educar.
Continuaremos a fazer o Sinal da Cruz, pedindo a Deus que nos continue juízo, nos nossos pensamentos e inteligência, com uma vontade firme de que o nosso coração não se afaste dos verdadeiros sentimentos cristãos e nos faça abrir os braços para abraçar todos, num esforço de bem-fazer: “Pai, Filho, Espírito Santo”."

Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje, da autoria do Padre Dolores.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cânticos e Orações VIII

Acto de contrição

Meu Deus, porque sois infinitamente bom,
eu Vos amo de todo o meu coração,
pesa-me ter-Vos ofendido,
e, com o auxílio da vossa divina graça,
proponho firmemente emendar-me
e nunca mais Vos tornar a ofender;
peço e espero o perdão das minhas culpas
pela vossa infinita misericórdia.
Ámen

Cânticos e Orações VII

Oração a Nossa Senhora

Salva a Nossa Senhora
Deus nos salve ó pura e bela
Pelas vossas sete dores
Na vossa santa capela
Mimoso jardim de flores

O vosso nome é bendito
É cheio de santidade
Que não cabe no infinito
A vossa santa vontade

Ó Mãe de Deus Omnipotente
Que por nos sacrificaste
Tente compaixão da gente
Já que no mundo nos deixaste

Ó Mãe de Deus Sagrada
Filho do eterno Pai
Que por nós foste coroada
A nós todos abençoai

Toda a hora que tem brilho
Para quem sabe pensar bem
Abençoai os vossos filhos
Pelos Séculos. Amém.

Cânticos e Orações VI

Chegada à Igreja

Todos
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no principio agora e sempre. Ámen.

Deus nos salve Maria — Filha de Deus Pai.
Deus nos salve Maria — Mãe de Deus Filho
Deus nos salve Maria — Esposa do Espírito Santo
Deus nos salve Maria — Templo e sacrário da Santíssima Trindade
Ámen.

Os anjos dos céus vos louvam,
Soberana e clementíssima Senhora da humanidade.
Por muitos e infinitos milhares e milhares de vezes
Ámen.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Papa Bento XVI e a nossa identidade

"Numa Europa, ao ritmo dos vulcões da Islândia, que antecederam a Revolução Francesa e parecem querer marcar de novo as mudanças de rumo do Velho Continente, o Papa Bento XVI, voou até à “Ocidental Praia Lusitana”, a incentivar Portugal a vencer as crises, suas e da Europa, num contexto de globalização.
Na mais longa das viagens, das cinco, que três Papas fizeram a este País, nestes quatro dias, a três pontos fulcrais na nossa Historia, passada e recente, são assinalados, pela presença do Sucessor de Pedro, em nossos dias, a refrescar-nos a memória da nossa própria identidade.
Ademais, Cavaco Silva, deu o tom, no discurso de boas vindas, ao lembrar que o reconhecimento de Portugal, como Estado, em 1179, pela bula Manifestis probatum, do Papa Alexandre III, ao Rei D. Afonso Henriques, que já tinha demonstrado capacidade de o ser, “pois ele lutara sem cessar «pela fé cristã» e se mostrara «apto para a direcção do povo».
A Visita começou em Lisboa, ponto de partida e chegada da Epopeia dos Descobrimentos, nas caravelas da Cruz de Cristo, a que não é alheio o rio Tejo, como cenário ideal para novas partidas. Por isso o Papa convidou-nos a ajudarmos “afirmar a matriz cristã na Europa à semelhança do que se fez durante os descobrimentos, quando Portugal foi um dos principais promotores da fé Católica no mundo”.
Fátima, como não podia deixar de ser, é “altar do mundo”, de que o próprio Papa se faz peregrino, nos dez anos da Beatificação dos pastorinhos Jacinta Marto, cujo centenário do nascimento se comemora, e de Francisco Marto.
A terceira parte do designado “segredo” de Fátima, não podia estar ausente de todo este contexto de sofrimento da Igreja e, sobretudo do Papa, não apenas do falecido João Paulo II, mas do futuro da Igreja, que importa viver-se com sentido de esperança e de renovada confiança.Porto, última etapa desta Visita papal, às raízes primeiras do nome que temos, do “portugalle”, do Norte, donde se partiu, para a Reconquista Cristã. Hoje, um País e uma Europa descuidada dos valores matriciais, precisa de equacionar a identidade que temos e somos e qual devemos transmitir às gerações vindouras."
Artigo publicado no Jornal "A União" de ontem da autoria do Padre Dolores

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Paz, não a do mundo

"Perante a instabilidade, que há muito não se via, assiste-se a um mal-estar global, onde o oportunismo de uns e o esbanjamento de outros, faz tremer as bolsas de valores, não apenas monetários, mas da própria dignidade humana e do convívio pacifico dos povos e nações.
Como se não bastasse toda esta turbulência dos mercados, a própria Natureza, incomodada com o mau uso que dela temos feito, está a sacudir-nos da letargia em que multidões imensas foram hipnotizadas por certa publicidade mediática.
E, tal como na Igreja primitiva, há dois mil anos, as relações, entre uns e outros não são nada boas, perante as imposições (Actos 15), já não dos circuncisos, mas dos magnatas da corrupção, que, esquecendo todos os outros, lhes querem impor condições nada abonatórias da dignidade de irmãos e de filhos de um mesmo Pai.
Talvez, por isso, o Tratado de Lisboa não menciona na tradicional trilogia, a “Fraternidade”, substituindo-a, pela palavra “Solidariedade”. Uma subtileza, que a quase todos os signatários nem se deram conta, mas cujos efeitos parecem estar à vista, perante uma Europa, que nem se aguenta com o vulcão da Islândia, nem o desmando da Grécia.
Por cá, sobretudo em São Miguel, afinam-se os últimos toques e retoques, para a Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, cuja tradição de trezentos e dez anos se reaviva a cada tremor de terra e das gentes sofredoras.
Mais, ainda, com a desfaçatez de quem se apresenta, como “falso Messias” de um povo e dum país a quem os desertores da Fé e da Terra prometem o que não podem nem devem. Pois “as cantigas e o pão de padeira é que nos puseram desta maneira”!
Sem pão não há paz que nos valha. E sem o “Pão da Vida” (João 14) não há cristãos que se aguentem perante as trapalhadas do mundo, que arrogantemente se afasta do Criador e das Criaturas, com a sua pós -modernidade de fracturas, a fazer negaças à serpente do Éden.
Valha-nos o Paráclito, o Espírito Santo, que nos “ensinará” a enfrentar as novas situações do mundo em que vivemos e nos “recorde” a promessa de da paz: «Deixo-vos a Paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo»."
Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje da autoria do Padre Dolores

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Lenço e a sua FORÇA

"A quadra Pascal passada, levou-me aos Estados Unidos da América do Norte mais precisamente ao Estado da Califórnia, em visita à família que lá se encontra desde 1972. Minha mãe, anciã de 80 anos de idade foi a razão que pesou mais nesta grande viagem para o outro lado do mundo pois, devido à sua idade avançada já tem um rol de inquietações nomeadamente no campo oftalmológico.
Ela vem sofrendo de alguns tempos a esta parte de CATARATAS, patologia dos olhos que consiste na opacidade parcial ou total do cristalino ou de sua cápsula. Pode ser desencadeada por vários factores, como traumatismos, idade, diabetes e se não for tratado a tempo pode conduzir à cegueira daí que acerca de alguns meses foi submetida a intervenção cirúrgica para debelar o problema.
Não só não debelou o problema como surgiu uma nova patologia denominada de GLAUCOMA que se designa genericamente por uma reacção que afecta o nervo óptico e envolve a perda de células da retina num padrão característico de neuropatia óptica. A pressão ocular elevada é um factor de risco significativo que pode conduzir também à cegueira se não for tratado atempadamente.
Quando lá cheguei, fui encontra-la em exames médicos e análises preventivas devido à sua idade avançada e no dia do meu regresso aos Açores, ela deu entrada numa unidade hospitalar local para se submeter à dita cirurgia para irradiar a Glaucoma.
Esta segunda intervenção não correu também como era vontade de todos porque passado um curto espaço de tempo indo ao médico especialista para medição da tensão esta se encontrava a níveis exageradamente altos 37/40 quando se esperavam valores próximos de 18/24. Os próprios especialistas estavam admirados com os resultados pois nada fazia prever um desfecho daqueles.
Bem qual a solução? Mais uma intervenção cirúrgica, agora, realizada com outras técnicas que incluíam anestesia geral e tudo o que isso implica.
Poderão os Irmãos questionarem-se do que terão os Romeiros ou as Romarias a ver com todo esse desenvolvimento? Pois tem e muito.
Quando lá cheguei ofereci-lhe o lenço que utilizei na nossa última Romaria, explicando-lhe o seu significado e o que representava para nós etc., etc. Disse-lhe que quando se sentisse em apuros em alguma circunstância o colocasse sobre os ombros (uma ideia que me ocorreu).
Foi o que ela fez quando soube por meus irmãos que o próximo caminho, eram mais hospitais, doutores, cirurgias anestesias e muitas arrelias. Mal soube dessa notícia inquietante colocou o lenço sobre os ombros como lhe havia ensinado, e com muita fé pediu ao Senhor que tudo pode que se fosse possível “lhe afastasse aquele cálice” sublinhou inclusive, que nos 3 dias que antecederam a ida ao especialista para exames e mais exames chegou ao ponto de dormir com o lenço, porque depois das orações se sentia, tranquila e com uma grande paz.
Sabem meus irmãos o que aconteceu? O que estão a pensar…
Numa ida ao médico para mais exames toda a gente ficou estupefacta com o resultado dos exames pois os valores haviam baixado para os valores normais e que já não era necessário hospitalização nem cirurgia que podia ir para casa para o seu sossego que é o que merecia e estava precisando.
Para os incrédulos poderão concluir que se tratou de uma coincidência…
Para outros concluirão que se tratou de uma recuperação normal após a sua última intervenção.
E para nós homens de Jesus e da estrada que diremos? Que aquele lenço que significa a coroa de espinhos que o Senhor transportou por nós naquele dia de glória deu uma mãozinha a minha mãe e eu estou muito agradecido.
Esta história verídica testemunhada por mim será porventura objecto de alguma reflexão no futuro mas numa análise breve posso e devo concluir que os Romeiros e as Romarias são uma coisa muito séria."

Artigo da autoria de João Dinis

domingo, 2 de maio de 2010

Em romaria bebemos da Água Viva

"Estive algum tempo a apreciar estas duas figuras que compõem a cena da foto, por sinal numa mesa da sala cá de casa. Durante esse lapso de tempo em silêncio, veio-me à ideia turbilhões de imagens desse contraste entre o menino Jesus e o Romeiro. Veio-me à ideia passagens bíblicas como por exemplo, os pastores na adoração ao menino recém-nascido ou os apóstolos escutando as palavras de Jesus, entre outras passagens. Também me veio à ideia uma frase cheia de profundidade e sensibilidade que um irmão romeiro me disse há poucos dias sobre as romarias, que era mais ou menos o seguinte:
A romaria deverá ser o corolário de um ano de intensa oração, de testemunho “escondido” e meditação na palavra do Senhor Ressuscitado e não o seu começo
Realmente esta frase espelha o que deve ser uma romaria, tal como foi a vida de Jesus Cristo, um corolário de anos de intensa oração e testemunho do Pai, tendo terminado, não com a Paixão e Morte, mas sim com a Sua Ressurreição.
Como é belo o testemunho “escondido”, de cada um de nós perante a família, colegas e amigos durante o ano que antecede mais uma romaria. Como Marianos que somos ou tentamos ser, dia-a-dia, hora a hora ou minuto a minuto, é em silêncio e oração que meditamos na palavra do Senhor Ressuscitado, da água viva que Ele nos dá “Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é aquele que te está a pedir água, tu é que lhe pedirias e ele dar-te-ia Água Viva” (Jo 4, 10). É em silêncio, oração e em obras que damos testemunho dessa mesma água viva “Mas aquele que beber da Água que eu lhe der, nunca mais terá sede, pois esta Água converter-se-á nele em Fonte de água que dá a Vida eterna” (Jo 4, 14) perante a sociedade que nos rodeia.
Em romaria, seguimo-Lo como Maria seguia-O, de modo subtil, quase que ausentes deste mundo, mas com uma presença marcante e visível, tentando oração atrás de oração, beber dessa água especial. E por falar em água, lembro-me que li em tempos idos uma lenda árabe que dizia mais ou menos o seguinte:
“Contam que Deus um dia decidiu mudar todas as águas do mundo, e aquele que bebesse da nova água esquecer-se-ia da sua parte divina, esquecer-se-ia que era uma manifestação de Deus, o próprio Deus.
Apenas um único homem prestou a atenção devida às palavras do profeta que revelavam a intenção de Deus, e assim sendo, foi até a fonte e encheu muitos barris de água, que depois escondeu numa caverna que só ele conhecia.
Veio um enorme dilúvio que inundou toda a terra e levou toda a água que existia. Todas as águas foram trocadas e, cada pessoa que bebia da nova água imediatamente esquecia-se que era parte de Deus, esquecia-se que era uma criatura divina porque era filho da Divindade.
O homem que ouviu o profeta não bebeu da nova água e ia todos os dias ao seu esconderijo e bebia da velha água, aquela que não fazia esquecer. Ele era o único que sabia a verdade, o único que não se tinha esquecido quem era na verdade.
Depois de muito tempo, o homem que se lembrava começou a ficar incomodado com a solidão, com o isolamento ao qual era submetido por todos os outros, que não o compreendiam e que não sabiam o que ou quem ele era na verdade. A pressão da solidão foi muito grande, a vontade de relacionar-se outras pessoas começou a imperar e o homem acabou por beber da nova água.
Imediatamente esqueceu-se de quem era e tornou-se igual a todos os outros e nesse dia houve uma grande festa para comemorar a milagrosa cura do “louco”, que retornou de sua loucura para o convívio dos homens de bem.”
Esta curiosa lenda, remete-nos para um dos problemas actuais, quer da sociedade (no geral), quer em nós católicos (no particular), ou seja, beber da “água” que nos faz recordar quem realmente somos, pode muito bem significar caminhar em direcção a um isolamento e à solidão!
Nos nossos dias e na sociedade em que estamos inseridos, ao querermos beber dessa água, também leva a que nos achem loucos, incultos ou retrógrados até, e que eles os homens de bem é que realmente sabem quem são e quem nós somos…e quantas vezes somos tentados a acreditar nisso…
Como romeiros e em romaria, também por vezes somos alvo de julgamentos, considerados loucos ou desequilibrados, por apenas e tão só não seguirmos as “modas” ou as referências ilusórias de todos aqueles que precisam criá-las e alimentá-las para sobreviverem.
No entanto, ser cristão (no geral) e ser romeiro (em particular) significa, eliminar das nossas vidas a personagem conveniente ou as mil e uma máscaras que criamos, para sermos aceites segundo normas alheias ou regras impostas, e assim tornarmo-nos livres e predispostos a sermos aquilo que realmente somos, filhos de Deus. É verdade que este processo poderá ser algo doloroso, na medida em que nos obrigará a despirmo-nos dessas vestes imundas que nos cobrem, a ficarmos nus de todas as ilusões que nos dão conforto mas, é ao perder tudo aquilo que é supérfluo que poderemos beber da água viva e é ao perder isso tudo que encontraremos Deus Uno e Trino.
Volto a olhar novamente para este contraste peculiar e sui generis entre a grandiosidade de Deus no nascimento de Jesus (o menino) e a humildade de Cristo crucificado (romeiro), e noto que entre os dois existe uma distância enorme e humanamente intransponível entre a Sua concepção e a Sua ressurreição. Apesar dessa distância e sendo a romaria o corolário de um ano de intensa oração, testemunho e meditação, é também o local propício à nossa união com Cristo (fonte de Água Viva) e ambos encontrarmo-nos no “vazio do silêncio” que afinal de contas não nos distância, mas sim aproxima-nos de tal maneira que quase sentimos na boca o sabor das palavras:
“ – Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim
Artigo publicado no Jornal "A União" de 30 de Abril findo.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cânticos e Orações V

ENTRADA NA IGREJA

1. Dai-nos licença, Senhora , Rainha Imaculada,
Para que entremos agora, em vossa santa morada.

2. Senhora, dai-nos licença, aos tristes filhos de Adão,
Para que em vossa presença, vos faça nossa oração.

3. Entrai pecadores, entrai, p’ra ver a mãe de Jesus,
E água benta tomai, fazei o sinal da cruz.

4. Quero pôr-me a vossos pés, hoje pela primeira vez,
Rainha dos altos céus, nossa mãe e de Deus.

5. Ajoelhai, pecadores, com os joelhos no chão.
Assim fez o redentor pela nossa salvação.

Cânticos e Orações IV

Oh Mística Rosa

Oh Mística Rosa!
Maria que tendes o Vosso amabilíssimo coração,
abrasado nas mais vivas chamas de caridade,
nos aceitaste por filhos, ao pé da Cruz,
Tornando-Vos nossa Mãe terníssima.
Ai fazei-me experimentar a doçura do Vosso maternal coração
e a força do Vosso poder junto a Jesus,
em todos os dias da nossa vida, especialmente no último,
na hora da nossa morte.
Ámen

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Do Mar da Galileia para a aventura dos Oceanos

"Aqui, no Atlântico Norte, a meio caminho entre a Velha Europa e os Novos Mundos, muitos dos portugueses católicos que aqui chegaram, ou que por aqui passaram, trouxeram as aragens do Espírito Santo, nas Caravelas de Quinhentos, com a Cruz de Cristo, a encimar a aventura, que se iniciou na Galileia, quando o Mestre escolheu os Doze para irem anunciar a Boa Nova.
Vem isto, a propósito da Assembleia Diocesana do Clero, que se está a realizar, na Casa de Retiros de Santa Catarina, no Pico da Urze, onde cerca de meia centena de Sacerdotes, reunidos com o nosso Bispo, tem estado a reflectir sobre a “espiritualidade do presbítero”, “fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote e “desafios à acção pastoral da Igreja”. Nessa reflexão ajudados pelo Padre António Bravo.
Oportuno este momento, a condizer com o Domingo do Bom Pastor, que se celebrou no Primeiro Dia da Semana. Dispersos no Arquipélago, os sacerdotes vindos das diversas nove Ilhas, ricos na sua diversidade de carismas e de gerações abrangidas por seis décadas de Evangelização.
Tempo curto perante a Eternidade, mas suficientemente longo, para as navegações da “Barca de Pedro”, soprada, muitas vezes, por ventos contrários, e por uma terra que, embora escassa, lhe correm nas veias a lava dos vulcões e terramotos: Vulcão dos Capelinhos (1957/1958); Terramoto de um da Janeiro de 1980, Terramoto de 9 de Julho de 1998, entre tantas outras crises, a apelar numa Reconstrução, que se continua e não mais acaba, a não ser na Bem-aventurança, que nos está reservada.
Açores visitados pelo Santo Padre João Paulo II, a 11 de Maio de 1991, e quando se avizinha a vinda a Portugal do Papa Bento XVI, ecoa-nos, ainda aos ouvidos, as palavras proferidas por João Paulo II, aos sacerdotes e fiéis desta Diocese de Angra: “A Reconstrução continua”. E tem de continuar, não apenas nos templos ainda por reconstruir, danificadas pelo último terramoto do Faial e Pico, mas muito mais nos desafios que nos esperam nestes tempos da Globalização.
Em Novembro do ano passado celebramos os 475 anos da elevação a Diocese de Angra, por Bula do Papa Paulo III, em 3 de Novembro de 1534. Mas a viagem da história da Evangelização continua nestas Ilhas e em todo o mundo, onde o apelo de missão nos chamar.
Não há que ter medo, mesmo com o mar alteroso, à nossa volta, pois Cristo, vai na barca. Preciso é estar atento à sua Palavra e deitar as redes à pesca. Ele aguarda-nos na próxima margem com o Pão da Vida e as brasas, onde se forjam os cristãos de sempre. "
Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje da autoria do Padre Dolores

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Poema "Romeiro"



Este poema assim como a foto acima, encontram-se publicados no Jornal "Diario dos Açores" datado de 16 de Março findo. Um poema a ler várias vezes, não só para reter as sábias palavras de quem o escreveu mas também, para deste poema, fazermos uma escolha de vida.


"A lágrima é teimosa

por vezes orgulhosa

sempre a insistir.

E se pensar que trava-la

vamos conseguir.

Lá abre caminho

e de mansinho

mesmo pelo cantinho

consegue sair.


Nem sempre silenciosa

mas também ruidosa

temos que admitir.

Não é só no sofrer

muitas vezes no prazer

ela se faz sentir.


Quais contas de um terço

que se reza com carinho

de lágrima vão

salpicando o caminho.

Tu sabes eu conheço

este sentimento profundo.

É valor que não tem preço

não se compram, não se vendem

lágrimas neste mundo.


Será uma bênção?

Será um castigo?

Não sei meu irmão,não sei meu amigo.

Talvez a explicação

só viva contigo.


Por vezes a doença

já ditou a sentença,

enquanto tão incomoda

é sua presença.


E teima em ficar

sem se desculpar,

Que nem mesmo para entrar

teve de pedir licença.


É quando a miude

que pela saúde

Rogando se vai.

Uma lágrima teimando

de vez enquando

rolando lá cai


Irmão companheiro

Homem verdadeiro

quando a mascara cai

Mostra-se por inteiro

o nosso Romeiro

e caminhando lá vai.


É no regresso a casa

onde o calor abrasa

e que do peito se esvai.

Que recorda as memórias

de vividas histórias

que pela boca lhe sai.


Irmão ferido...

de pé dorido...

desta caminhada.

Desejo cumprido...

peito comovido...

mas de alma lavrada.


Romeiro Romeiro

que de tão longe vens

quero ser o primeiro

a dar-te os parabéns

Esquece o cansaço

desta Romaria

E recebe um abraço

de fraterna Alegria"

Memórias de 2009

Abaixo se transcreve um artigo publicado nos Jornais "Açoreano Oriental" assim como no "Diario dos Açores", datados de 24/03/2009.

"A caminhada “Peregrinos do Infinito” reúne a partir de quarta-feira meia centena de Romeiros do Santuário de Nossa Senhora da Conceição (Angra do Heroísmo) numa jornada de cerca de 200 quilómetros pelas estradas da ilha Terceira.

“A romaria é encarada com esperança e testemunho público do sentido penitencial da fé nesta época de Quaresma para a Páscoa da Ressurreição”, disse hoje à Lusa o reitor do seminário, padre Francisco Dolores.
Os cerca de meia centena de romeiros, com idades entre os 8 e os 65 anos, são oriundos das ilhas Terceira, São Miguel (4) e Graciosa (4) e vão percorrer as estradas da ilha ao longo de duas centenas de quilómetros de orações e penitências.
A romaria inicia-se com uma missa às 4 da manhã de quarta-feira no Santuário seguida da partida, uma hora depois em direcção à primeira freguesia, Santa Bárbara, onde, ao cair do dia vão pernoitar.
Ao longo do percurso, feito em duas alas pelas estradas, os romeiros rezam pais-nossos e ave-marias por si e por todos quantos os abordam a solicitar orações.
De acordo com a tradição, o público pode abordar os romeiros perguntando: - Quantos irmãos são? Recebe por resposta: - Somos cinquenta e mais três que são Jesus, Maria e José.
Este diálogo é feito entre o público e o “procurador das almas” o elemento que vai no fim da romaria para receber os pedidos.
Quem pede, explica Francisco Dolores, também fica obrigado a rezar tantas ave-marias de acordo com o número de romeiros.
No ano de 2007 os romeiros foram solicitados para 140 pedidos de intenções, número esse que se elevou para 200 no ano passado.
O grupo, onde se integra o mestre, é encabeçado pelo romeiro mais novo que transporta a cruz e pelo contra-mestre, rezando todos alternadamente, pais-nossos e ave-marias com terço que seguram nas mãos que complementa um outro que trazem ao peito.
O vestuário dos Romeiros está de acordo com a simbologia do tempo quaresmal e representa diversas facetas do calvário e Paixão de Cristo.
A saca que levam às costas, onde transportam roupa, simboliza a cruz de Cristo, enquanto o xaile representa o manto vermelho que os romanos colocaram em Jesus Cristo quando foi julgado.
O lenço, que por vezes serve para tapar a cabeça, representa a coroa de espinhos e o bordão simboliza a vara de cana que deram a Jesus Cristo quando lhe disseram que era o Rei dos Judeus.
Ao longo dos cinco dias de caminhada, sempre no sentido dos ponteiros do relógio, e orações os Romeiros vão pernoitar e alimentar-se nas freguesias de Santa Bárbara, dormindo na Casa dos Romeiros.
Depois na freguesia da Agualva pernoitam no Centro Social enquanto nas freguesias do Porto Martins e, depois, São Sebastião, dormem em casas de particulares que os acolhem.
A marcha dos Romeiros termina no dia 29, domingo, junto à Ermida de Santo António, no Monte Brasil em Angra do Heroísmo num “jantar com as famílias”.
O último acto é uma missa no Santuário de Nossa Senhora da Conceição.
Segundo o padre Francisco Dolores estas romarias, ainda que mais pequenas nas distâncias percorridas, foram tradicionais na ilha Terceira ao longo dos séculos XVIII e XIX.
Durante o século XX, “não tenho registo da realização de qualquer romaria”, assevera.
As romarias na ilha foram retomadas no ano de 2007 com 26 pessoas e continuada no ano passado com 39."

Missa nova do Padre André foi momento de profunda fé

Com alguma humildade da nossa parte, mais um nosso irmão Romeiro que connosco caminhou quando ainda era Diácono (com as incertezas próprias do ser humano) e hoje já é Sacerdote.
Este artigo que abaixo transcrevemos foi publicado no Jornal Correio dos Açores, no dia 22 de Dezembro de 2009.

"A Missa Nova do padre André Resendes encheu domingo a igreja de Nossa Senhora dos Anjos e o adro do templo, na Fajã de Baixo. Viam-se muitas lágrimas nos olhos e no rosto dos fiéis que presenciaram uma celebração litúrgica que mobilizou o clero da ilha de São Miguel. Padre André Resendes Graça, de 25 anos de idade, foi ordenado de Presbítero no sábado pelo Bispo de Angra e Ilhas dos Açores, D. António Sousa Braga e a sua Missa Nova de domingo encantou os crentes que acorreram à igreja da Fajã de Baixo, terra que o viu crescer ao lado de sua madrinha do Baptismo, Maria dos Anjos Resendes. Entre os padres que se encontravam na homilia, encontravam-se os seus principais tutores, o padre João Maria Brum, pároco de São Pedro; e o padre Victor Vicente, pároco da Fajã de Baixo. E também estavam três dos quatro jovens padres, do seu curso, todos ordenados este ano. São eles os padres Hélio Soares, João da Ponte, Ruben Medeiros e Marcos Miranda. Nascido em São José de Ponta Delgada, padre André é filho de António Graça de Jesus e de Maria de Jesus Rego Resendes. A ordenação sacerdotal foi organizada ao pormenor, envolvendo alguns grupos de trabalho ligados a uma igreja que, enquanto templo e organização religiosa, tem uma forte relação com a sociedade local. Já passavam das 14h30 quando padre André saiu, debaixo de algum chuvisco, de casa de sua madrinha Maria dos Anjos em direcção à igreja por cima de um tapete de flores e aparas de várias cores. Incorporados no cortejo estavam alguns padres, diáconos, familiares e amigos que marcaram a vida do novo padre. Ao longo do percurso o chuvisco parou e o sol raiou. Quando padre André chegou, a igreja de Nossa Senhora dos Anjos já estava repleta de fiéis. Um forte aplauso assinalou a sua entrada no templo onde tudo estava previsto. Um ambiente de festa caloroso recebeu a homilia do jovem padre que, no sermão, sublinhou a relação de cada qual com Jesus Cristo. Fez várias referências à fé, deixou um sentido de esperança e exortou os cristãos a afirmarem-se na sociedade onde estão inseridos. Falou de uma forma simples e emotiva que tocou os crentes presentes, alguns dos quais assumiam com orgulho as lágrimas que lhes corriam pelo rosto. E nos olhos de padre Victor, onde André encontrou sempre um amigo, havia um forte brilho nos olhos. Fez, na realidade, todo o sentido quando o jovem padre pediu um aplauso para o padre Victor enquanto seu tutor, enquanto o pároco da Fajã de Baixo, com um semblante humildade, estendia a mão em direcção a André dizendo por gestos que era ele, sim, quem, naquela hora, merecia. Foi o maior aplauso de uma Missa Nova abrilhantada com classe pelo coro da Fajã de Baixo. O Sagrado Sacramento da Eucaristia foi o momento alto da homilia e à comunhão estiveram todos os presentes. Foi notória, então, uma forma mais viva de fazer igreja com a primeira hóstia de padre André a ser entregue a sua madrinha Maria dos Anjos. Ao repórter, entretanto, não escapa a forma como padre Victor dava comunhão aos acólitos, alguns ainda crianças, da paróquia. Dava-lhes a hóstia na mão e eram elas que a molhavam na água que se encontrava dentro de um cálice antes de comungarem. Movimentos feitos com uma sobriedade e fé espantosas. Uma missa em que Padre André agradeceu a todos os que se envolveram na sua ordenação e contribuíram para que tudo estivesse previsto. No final da Missa Nova, padre André reuniu num jantar a comunidade sacerdotal que assistiu à sua ordenação e Missa Nova, acólitos, familiares e amigos, incluindo as suas catequistas. Foi uma confraternização em ambiente familiar onde o jovem conviveu com cada uma das famílias presentes, manifestando-lhes agradecimento pelo homem que é hoje. E até um dos romeiros presentes fez questão em sublinhar a sua costela de peregrino entoando um cântico das romarias quaresmais micaelenses, no que foi seguido pelos irmãos presentes. O grupo de quatro dos cinco jovens padres cantaram, ao longo do jantar, algumas canções religiosas animando o serão de uma comunidade cristã onde Berta Cabral (presidente da câmara de Ponta Delgada) estava inserida como membro de pleno direito. Tudo era simbólico no bolo de festa: O altar, a pomba branca, cada uma das flores e as suas cores. As quatro tulipas brancas correspondiam aos outros quatro jovens padres do seu curso ordenados sacerdotes este ano. Um bolo de ordenação sacerdotal que ficará na memória das pessoas mais próximas de padre André que seguiram, ao pormenor, a explicação sobre a simbologia de cada peça. Este foi também o momento para o jovem padre pedir o parabéns a você para dois jovens que fizeram anos no dia da sua Missa Nova, a Maria e o António Mendeiros Lopes. Foi, assim, num ambiente festivo, que a confraternização foi chegando ao fim, com o padre André a distribuir a cada família uma recordação da sua ordenação. Um jantar confeccionado e organizado por Paulo Mota muito elogiado pelos presentes.
Autor: João Paz"


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Os "sinais" em Romaria

(peça exposta na loja Sapateia)

"Desde a morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, que todos nós (meros Homens e Cristãos) por vezes caímos na tentação de querer ver sinais da presença efectiva de Deus nas nossas vidas. Apesar de tudo o que dizemos, escrevemos ou professamos, são muitas as vezes e situações que assim pensamos e agimos. Não nos basta o que Ele transmitiu aos seus discípulos e seguidores, não nos basta o que ficou escrito “Felizes os que acreditam sem terem visto” e ainda hoje, por vezes, continua a não bastar… infelizmente. Ainda hoje queremos ouvi-Lo “com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (Act 2, 22)”.
Deus está constantemente a dar-nos sinais, mas nós, muitas vezes, procuramos sempre do lado do extraordinário e raramente Deus está no extraordinário. Deus está, isso sim, frequentemente no simples e na simplicidade da vida. Para mim, o maior sinal que Ele nos oferece é o de uma família humana, como as nossas, em que Ele se faz corpo para ser «Deus connosco».
Conta-se que um velho árabe, analfabeto, orava com tanto fervor e carinho, cada noite, que certa vez, o rico chefe da grande caravana, chamou-o à sua presença e lhe perguntou: “Por que rezas com tanta fé? Como sabes que Deus existe, se nem ao menos sabes ler?”. O crente respondeu: “Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele”. “Como assim?”, indagou o chefe, admirado. O servo humilde explicou-se: “Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?”. “Pela letra”. “Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa quanto ao autor dela?”. “Pela marca do ourives”. O empregado sorriu e acrescentou: “Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe, depois se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?”. “Pelos rastros”, respondeu o chefe, surpreendido. Então, o velho crente convidou-o para fora da tenda e mostrando-lhe o céu, onde a lua brilhava cercada por multidões de estrelas exclamou, respeitoso: “Senhor, aqueles sinais, lá em cima, não podem ser dos homens…muito menos de algum cavalo ou algum boi…logo são de Deus!”. Nesse momento, o rico chefe, ajoelhou-se na areia e começou a rezar também.
Deus, mesmo sendo invisível ao olhar humano, deixa-nos sinais em todos os lugares. Na manhã que nasce calma com o chilrear dos pássaros, no dia que transcorre com o calor do sol que nos aquece ou com a chuva que cai e sacia a terra e o verde das pastagens. Ele também deixa sinais, quando alguém se lembra de ti, quando alguém te considera importante ou te visita numa hora de sofrimento.
Deus está em todo o lado mas, na maioria das vezes está naqueles locais, naquelas pessoas ou naquelas situações em que pensamos que nunca estaria.
Também em romaria não somos muito diferentes e muitos de nós (começando por mim algumas vezes), tendemos a querer ver sinais aqui, ali ou acolá, quando esses mesmos sinais não estão ao nosso redor, não estão fora de nós, mas sim estão “simplesmente” dentro de nós, dentro dos nossos corações.
No 4º dia de romaria, um dia por excelência em que o silêncio com Deus reina sobre todas as coisas e especialmente no “meio do nada”, onde temos tudo em abundância, este ano deparei-me com uma “certeza” (incerteza por certo já neste preciso momento) sobre estes sinais. A meu ver existem três tipos de sinais. O 1º tipo são aqueles que vemos mais frequentemente em romaria, vulgarmente chamados de trânsito. O 2º tipo são aqueles que denomino de “seguidores de Tomé”, os quais, ao verem um pequeno nevoeiro a cobrir tudo e todos, já imaginam a transfiguração de Cristo Nosso Senhor assim como a aparição de Moisés e Elias, e o 3º e último tipo de sinais (os autênticos) são aqueles que apenas vemos com os olhos da alma, são aqueles que apenas sentimos nas entranhas do espírito, são aqueles que, não havendo nada de extraordinário ao nosso redor, Deus está connosco e nós com Ele."

Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O 4º Dia da Romaria

Imagem publica retirada daqui


"São João da Cruz insigne Santo de grande misticismo afirmou em certa ocasião o seguinte:



“Fecha os olhos e verás
Faz silêncio e escutarás”




"A mente é uma massa confusa em que é difícil distinguir o que é pensamento do que é emoção, tudo está misturado: Recordações, imagens, projectos, pressentimentos, ressentimentos, pensamentos, critérios, aspirações, obsessões, ansiedades, etc., tudo está numa confusa mistura. Nesse mar turbulento e agitado é difícil “estar” com o Senhor.
Em boa hora se incluiu mais um dia à nossa Romaria indo para o interior da Ilha.
Assim no silêncio e equilíbrio da paisagem campestre podemos na fé e no amor “estar” com o Senhor Deus.
Bem haja o nosso Irmão Mestre que de tal se lembrou e pôs em prática.

Participamos na Romaria porque não podemos viver sem Deus e a Romaria é uma busca com os Irmãos do rosto do Senhor que cada um a seu modo o faz.
Também nos impulsiona aquele ardente anseio, inúmeras vezes expresso pelos homens de todos os tempos de Deus e que se manifesta com aquele grito “Mostra-me o Teu Rosto”. Rosto de Deus é uma expressão Bíblica que significa a presença viva do Senhor e, essa presença faz-se mais palpável, na fé e no amor quando a intimidade se torna mais profunda e intensa e nada mais adequado que o 4 dia.

O Mestre dos mestres, Jesus disse: “entra em teu quarto” . Entrar num quarto é tarefa fácil, porém que fazemos se o mundo turbulento e agitado vem connosco? Esse quarto de que fala Jesus é preciso entendê-lo em sentido figurado; é aquela última solidão do ser.
Diz Jesus ainda “fecha as portas e as janelas”. Fechar estas portas e aquelas janelas é tarefa fácil, porém o que fazer com todas as inquietações que nos apoquentam e acompanham no dia-a-dia, nada melhor que o 4 dia para serenar a mente e encontrar paz no coração.
Acho que a maioria dos Irmãos não chega a experiências profundas com Deus por não estar aberto a um trabalho de despojamento que se encontra no silêncio daquele dia.
Mas o Senhor que é paciente e compassivo dá-nos mais uma oportunidade para o próximo ano na V Romaria."
Artigo escrito pelo irmão João Dinis

Tomé e outros seguidores

"Está na moda, em certos meios sociais, sobretudo, em algumas ditas “elites”, não sei de quê, afirmarem-se como agnósticas ou ateias. É um fenómeno transversal, muitas vezes ligado a correntes de pensamento, que no século passado e, ainda hoje oprimiram milhões de pessoas, atirando-as para os campos de concentração, “goulagues” ou “cortinas de bambu”.
Numa globalização, onde imperam interesses de grupos económicos de um liberalismo selvagem, feito “bezerro de ouro”, até de sistemas políticos e sociais, como os novos impérios emergentes, sobretudo da Ásia, tudo é possível, menos a autêntica liberdade religiosa, onde os fiéis possam exprimir a sua fé.
Nem falamos, propriamente, dos chamados “cristãos de São Tomé”, que a Epopeia dos portugueses encontrou na Índia das Especiarias. Hoje, também eles a braços com fanatismos, que os perseguem em certos estados daquela, que alguns designam como a maior democracia do mundo, apesar das suas milhentas castas.
Evidentemente, que São Tomé precedeu os que hoje se afirmam de descrentes, à espera de apalparem provas materiais, como se tudo pudesse ser visto ao microscópio ou ao telescópio: “ Se não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se não colocar o meu dedo na marca dos pregos e se não meter a mão no Seu lado, não acreditarei”.
Muitas vezes cegos, pela novidade, pelo sucesso ou, por uma outra qualquer presunção, perfilam-se os candidatos a serem incensados, à boa maneira dos “imperadores–deuses”
do Império Romano, que fizeram milhares de mártires da Fé, entre os discípulos de Cristo, nomeadamente os Apóstolos Pedro e Paulo, a quem continuam a crucificar em nossos dias.
Até que “uma semana depois, os discípulos estavam reunidos. Desta vez, Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Chega aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e mete-a no Meu Lado. Não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu a Jesus: «Meu Senhor e meu Deus!». (Confira João 20, 24-29).
O orgulho de muitos, o “politicamente correcto”, leva a que muitos, mesmo que tenham descoberto as Chagas de Cristo, de cujo crucifixo, têm mais medo do que o diabo, não abram a boca e confessem o mesmo que Tomé: «Meu Senhor e meu Deus!».
Para os que passam por semelhante experiência, Jesus diz o mesmo: «Acreditaste porque viste. Felizes os que acreditam sem terem visto». É ocasião de te interrogares sobre a tua Fé. De que lado te colocas. Ou vais fugir como os Discípulos de Emaús?"
Artigo publicado no Jornal "A União" de ontem da autoria do Padre Dolores

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Porque será que há sacerdotes?

"Nesta série de textos tem-se procurado dar conta de que os “sacerdotes” de qualquer religião, correspondem a uma necessidade das consciências humanas. Isto em todas as religiões, que o são de facto. É que há movimentos de certa espiritualidade que não são religiões. Por exemplo o Confucionismo.
Esta exigência básica das consciências religiosas seria o suficiente para aparecerem sacerdotes da Igreja de Cristo, o que teria acontecido se eles os não tivesse instituído. Mas, como se tem dito, seria um sacerdócio muito diferente daquele que realmente existe, que foi instituído por Cristo. Aliás, a própria Igreja ter-se-ia formado, se Cristo a não tivesse fundado. Porém, como já foi dito, ela seria a igreja dos cristãos, e não a Igreja de Cristo. E o sacerdócio não seria o sacerdócio instituído por Ele. Seria semelhante a certos pastores protestantes.
Essa igreja até poderia estar dividida em muitas igrejas diferentes, sem serem Igreja “Uma”, como ela é. E seria parecida, com muitas igrejas protestantes que são praticamente diversas e separadas umas das outras. Ou seriam como milhentas seitas que por aí existem, totalmente separadas entre si. E procurando separar a Igreja de Cristo que é Una. Algumas delas tentam estabelecer uma possível unidade.
Para entendermos bem esta existência do sacerdócio na Igreja de Cristo, é importante tomarmos consciência de que ele a quis formar e a formou realmente. Assim era natural que Ele mesmo lhe desse o seu sacerdócio.
Vamos, pois, seguir os andamentos de Cristo nos Evangelhos. E vamos dar conta de que Ele foi preparando essa Igreja. E com ela o sacerdócio. Para tal, começou por reunir e orientar discípulos, e entre estes escolheu alguns a quem chamou Apóstolos, isto é, “Enviados”. Ensinou-os em particular e, a certa altura, encarregou-os de pregar e “reger”. Era a raiz do sacerdócio. Eles viriam a ser os primeiros sacerdotes. Tudo isto significa uma organização definida. Foi o que Ele fez.
Uma das expressões mais significativas encontra-se no Evangelho de S. Mateus, cap. 18 Vers. 16: “tudo o que ligardes na terra será ligado no céu e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”. Estas palavras vêm num contexto de autoridade; vers. 17: “se ele (o teu irmão), se recusar a ouvi-las (as testemunhas), comunica-o à Igreja”.
E, noutro lugar, Lucas, 10, 16, diz: “quem vos ouve a Mim é a Mim que ouve, quem vos despreza a Mim despreza”. E em S. João, 13. 20: “quem recebe aquele que eu enviar, é a mim que recebe”. Estão a aparecer as pessoas concretas para o sacerdócio.
Mas antes de fazer estas afirmações, Ele tinha falado a Pedro de maneira muito directa. Lê-se em S. Mateus, cap. 16. 18: “tu és Pedro e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligardes na terra será ligado no céu. E tudo o que desligardes na terra será desligado no céu”.
Mais, no Evangelho de S. João, cap. 10, Ele apresenta-se como Bom Pastor do seu rebanho. É uma imagem de profundo valor de unidade e orientação. No povo judeu o pastor e o rebanho constituíam uma autêntica “família”. Isto equivale a uma “igreja”. Isto é “povo reunido”.
Mas ele continuou, vers. 14: “Eu sou o Bom Pastor, conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas conhecem-me”; vers. 16: “ tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco e também tenho que as conduzir”. “Ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. E, mais tarde vers. 27: “as minhas ovelhas ouvem a minha voz: eu conheço-as e elas seguem-me”.
Na sua maravilhosa fala na Última Ceia (vale a pena lê-la) no Ev. De S. João, cap. 17, vers. 18), “assim como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo” … “não rogo somente por eles, mas também por todos aqueles que, pela sua palavra, hão-de acreditar em mim”. Estava aqui o encargo de pastorear.
Estas afirmações não foram feitas com referência exclusiva àquele grupo que andava com Ele. Na verdade, o seu projecto não tinha limites, pois era extenso a todos os homens. É que antes de subir ao céu, ele disse: “ide e ensinai todas as gentes batizando-as em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo” (Mat. 28. 19.)
E ainda naquela mesma Ceia, ao instituir a Eucaristia, vieram as palavras mais abrangentes de todas: “sangue da Nova e Eterna Aliança derramado por vós e por todos … fazei isto em memória de mim”.
Foi mesmo a comunicação do poder sacerdotal no ambiente daquela que seria a sua Igreja. Mais, antes de subir ao céu, deu a Pedro o célebre encargo de ser pastor das suas ovelhas. A cena é dum alcance total. Por três vezes Ele mandou Pedro apascentar as suas ovelhas: S. João, cap. 21:
- vers. 15: apascenta os meus cordeiros…
- vers. 16: apascenta as minhas ovelhas …
- vers. 17: apascenta as minhas ovelhas …
Está constituído o rebanho para atravessar os tempos, como ovelhas de Cristo, apascentadas por Pedro e pelos outros Apóstolos a quem Ele as entregou. Para estas tarefas Ele enviou “pastores” com funções de mestres e de sacerdotes. É o que veremos."
Artigo publicado no Jornal "A União" de hoje da autoria de Caetano Tomaz