quinta-feira, 20 de março de 2008

Votos de Santa Páscoa

Romeiros de Nossa Senhora da Conceição
“Peregrinos do Infinito"

Desejam a todos os votos de uma Santa Páscoa.

Cerimónia do lava-pés


Logo mais pelas 20:00 irá decorrer a cerimónia do lava-pés na Sé de Angra. Este ano o Bispo dos Açores convidou-nos a estarmos presentes e doze dos irmãos irão fazer parte dessa cerimónia, qual graça divina. No entanto, é uma responsabilidade acrescida já que, para além do Bispo com este gesto assumir que todos os Romeiros têm um papel importante na Igreja (ao contrário dos que pensam que os Romeiros são apenas um “bando” de homens caminhando pela Ilha), também nós (romeiros de todas as ilhas e da diáspora) somos convidados a pautar as nossas vidas em comunhão com Cristo, não só nos dias de romaria mas, principalmente durante o resto do “ano quaresmal”.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Pedras vivas

Foto cedida por Luis Brum
Uma igreja sem tecto e sem janelas não deixa de ser uma igreja aliás, Nós somos as pedras vivas da Igreja, mesmo que a mesma, esteja sem tecto e sem janelas.
"Onde estiverem dois ou mais em Meu nome, Eu estarei no meio deles"

quinta-feira, 6 de março de 2008

Caminho de Santiago

Retirado do Google com o apoio do sitio do Caminho de Santiago, aqui fica o percurso de quem fez, faz e fará o Caminho, começando em França. Aqui fica o convite a todos os que o queiram fazer.

Afinal o que são 33 dias na companhia de Deus e as suas obras, comparados com o resto das nossas vidas?

Igreja do "Corpo Santo"

video

Autoria de Luis Nunes

Mais um pequeno filme que nos foi cedido pelo Luis Nunes, realizado na Igreja do "Corpo Santo" durante a nossa romaria deste ano. Pequeno por certo mas, cheio de tantas alegrias impossiveis de passar a escrito, só vivendo...apenas isso.

terça-feira, 4 de março de 2008

Caminhar com Eles

(foto de Luis Nunes)

Artigo Publicado na Segunda-Feira, dia 03 de Março de 2008, por Tomaz Dentinho no Jornal "A União"

Terminou a semana passada a romaria de Nossa Senhora da Conceição da Ilha Terceira. Antes conversámos sobre a importância de gerar contudo para uma forma magnífica de rezar que tínhamos importado de São Miguel, retomado das antigas romarias da Terceira e adaptado aos primeiros anos do século XXI. E esse conteúdo foi conseguido se atendermos aos testemunhos que fomos escutando de dentro e de fora. De dentro ouvimos falar muito de uma nova perspectiva de olhar a vida, e da descoberta e redenção de atavismos limitadores de cada um de nós.
De fora disseram-nos que se comoviam com a humildade e alegria dos romeiros que caminhavam, pediram-nos para rezarmos por este e por aquele e, numa manifestação de espantosa dádiva, ofereceram-nos comida e dormida. Foi um pouco por todo o caminho mas não é demais realçar o papel fantástico da Cruz Vermelha, que transportou colchões e sacos de um sítio para o outro; da hospitalidade magnífica das instituições e famílias de Santa Bárbara, Agualva, Porto Martins e São Sebastião; do apoio dos fiéis e párocos que abriram as igrejas e capelas ao longo de todo percurso, mesmo quando isso acontecia às quatro e cinco da manhã; e do apoio das famílias que se transformaram perante o testemunho de mudança.
Para além de muitos outros, que paravam as carrinhas na estrada para nos darem apoio, podemos lembrar as irmãs do Pico da Urze, o Império de São Bartolomeu, os fiéis da Serreta, os bombeiros dos Altares, os residentes dos Biscoitos, os responsáveis pela Misericórdia da Praia, os agricultores da Achada, as comunidades da Feteira e de São Bento e várias empresas de restauração como um café no Posto Santo, a Quinta do Galo, o restaurante Papa Açorda, o restaurante a Africana e uma empresa de catering da Praia. Primeiro pensávamos que seriam refeições a mais mas também nos recordámos que foi em torno da mesa, e da cruz, que Nosso Senhor redimiu e redime o mundo.
Houve uma reunião na sexta-feira passada e outra haverá no próximo dia 12 de Março pelas vinte horas na Igreja da Conceição. Sexta-feira recordámos a incrível melhoria na organização da caminhada e, graças à dádiva de tantos, da alimentação e da estadia; a enorme vantagem de levarmos um padre connosco, o reforço da amizade entre todos, e a crescente novidade interior de cada romaria. Também se focaram pequenos aspectos de forma que poderiam melhorar, como a manutenção da intensidade do canto ao longo da romaria, a aprendizagem de orações cantadas, ou algum cuidado acrescido a quem pára à beira do caminho com muito cansaço em cima.
Mas o grande desafio é para o futuro. Por um lado, o desafio de cada um de nós de encontrar formas de oração e de caminhada que nos aproximem de Deus e dos outros. Falou-se numa maior presença dos romeiros nas manifestações e celebrações da Igreja; e pensámos, cada um de nós, nas formas como iríamos dar tempo a Deus na rotina de todos os dias. Por outro lado, o desafio que cabe ao próprio rancho de romeiros de ir preparando um salto quantitativo e qualitativo para as romarias do ano que vem. Várias questões se colocam: I) Como ir convidando e preparando outras pessoas ou ranchos que são chamadas a participar nas romarias mas que não se sentem à vontade para dar o primeiro passo?; II) Como alargar as romarias a São Jorge, ao Pico e mais longe no outro lado do mar, levando a todo o lado, esta magnífica forma de rezar e caminhar que os nossos irmãos de São Miguel souberam guardar durante séculos? III) Como integrar ainda mais o movimento dentro da Igreja para que a vantagem da Terceira de ter padres na romaria, possa dar frutos por aqui e por outras paragens?
Ao longo de cinco dias estranhámos o fenómeno que se passava em nós e em torno de nós. Mas íamos com Jesus, Maria e José e tudo parecia bem. É bom que continuemos a caminhar com Eles.

Mais perto de Deus

(foto e artigo da responsabilidade do Diário Insular, publicado na revista do passado fim de semana, o qual gentilmente nos foi cedido e autorizado a sua publicação aqui neste nosso espaço).

Romeiros

Caminhos de fé

Ao longo de cinco dias e pelo segundo ano consecutivo, os romeiros percorreram as estradas da Terceira, recuperando uma tradição que existiu na ilha até finais do século XIX. Ao todo, foram mais de 200 quilómetros de caminho e oração, pelas intenção dos irmãos e pela paz no mundo.

“O homem moderno tem necessidade de Deus e vai buscá-lo às religiões e às filosofias de vida. Na nossa terra, onde há uma grande tradição católica, procura-se estas manifestações de fé muito simples, como o rezar e o andar por intenções que nos pedem”, sublinha o Padre Dinis Silveira, contra-mestre do grupo de romeiros da ilha Terceira.

As vozes roucas cortam o silêncio da manhã, entoando em uníssono a “Ave-maria”. Caminhando e orando desde as 04h00 da madrugada desta quarta-feira de Fevereiro, os 34 irmãos chegam agora, volvida uma meia dúzia de horas, à Quinta do Galo, na freguesia da Terra Chã, em Angra do Heroísmo, onde lhes espera uma canja de galinha e uma broa de milho para afagar o estômago. Sobre os ombros, o xaile escuro, simbolizando o manto de Cristo, e o lenço colorido, representando a coroa de espinhos, protegem do frio. Às costas, a saca com o farnel é a cruz que cada um tem de carregar. Nas mãos, o bordão e o terço.
Organizado em fila dupla, o grupo de romeiros da Terceira transpõe os portões da propriedade e dirige-se à pequena e simples capela, pintada de branco. Nos rostos, serenidade, apesar do cansaço. Já no interior da ermida, rezam pelas intenções dos donos da casa, dos irmãos que foram encontrando pelo caminho e pela paz no mundo. Será assim nos 120 templos que visitarão ao longo dos cinco dias de peregrinação.
A tradição das romarias quaresmais - que existiu na ilha até finais do século XIX - foi retomada pelo segundo ano consecutivo. “A Terceira teve romarias e isso prova-se pelas casas de romeiros que ainda existem em freguesias como o Porto Judeu, Santa Bárbara e Serreta”, refere o Padre Dinis Silveira, contra-mestre do grupo, que tem a seu cargo, em conjunto com o mestre, toda a logística da peregrinação.
“Trata-se de uma tradição alicerçada na fé de um povo massacrado pelas intempéries e pelos vulcões e que regressa agora, na modalidade de São Miguel, com uma grande adesão”.
Um entusiasmo que, segundo o pároco, tem também uma justificação: “O homem moderno tem necessidade de Deus e vai buscá-lo às religiões e às filosofias de vida. Na nossa terra, onde há uma grande tradição católica, procura-se estas manifestações de fé muito simples, como o rezar e o andar por intenções que nos pedem”.
Pelas localidades que percorrem, os romeiros recebem pedidos de oração por um familiar doente, um amigo carenciado ou, simplesmente, pela paz da humanidade. “Já vem muita gente pedir intenções, formando-se uma corrente de oração muito grande”, sublinha o Padre Dinis Silveira, neste momento de pausa.
“A juventude também já vai aderindo, porque o mundo criou muita coisa, mas também gerou um vazio muito grande, que leva muita gente a procurar Deus”.
Os romeiros da Terceira acordam todos os dias pelas 03h00 e caminham até às 18h00, pernoitando depois em casas familiares ou em salões paroquiais. As refeições são oferecidas pela população ou compradas nas mercearias locais. Por onde passam, os peregrinos - todos homens, como dita a tradição - sentem “grande afecto e carinho das pessoas”, destaca o contra-mestre do grupo.
“Quase todas as refeições são oferecidas, assim como as dormidas nas freguesias, o que demonstra que isto veio para ficar. Hoje de manhã, por exemplo, vimos muita gente nas janelas, o que é sinal de alguma coisa…”

“Força interior”
Entre os 34 irmãos que percorrem as estradas terceirenses, seguem cinco vindos especialmente da Graciosa para o efeito e dois de São Miguel. Bruno Espínola, um jovem natural da ilha branca, teve conhecimento da iniciativa através de um grupo de paroquianos do Padre Dinis Silveira e decidiu pôr em prática a sua “relação com Cristo”.
“É um bom exercício de reflexão e de encontro com a fé, bem como uma forma de levarmos algumas tradições aqui da Terceira para a Graciosa”.
Para o irmão graciosense integrar esta romaria oferece, sobretudo, “uma grande paz”. “Cada um se encontra, individualmente, na esperança com Deus”.
A preparação para a longa caminhada é, essencialmente, “psicológica”, considera. “É algo que vem de dentro de nós. Logo que sentimos que é isto que queremos, conseguimos. É uma questão de força interior”.
Já António Furtado, oriundo da maior ilha açoriana, é um habitué nas romarias quaresmais de São Miguel. Este ano, no entanto, optou “por uma experiência nova e por conhecer uma romaria noutra terra”.
“É uma semana espiritual, que nos faz bem”, enfatiza.
Questionado sobre as eventuais semelhanças ou diferenças entre a tradição terceirense e a micaelense, garante que “é igual”.
“Apesar de lá ser quatro vezes maior, é a mesma coisa. Rezamos as mesmas orações e o terço…”
Para trás, ao longo destes cinco dias, ficam “a família, o trabalho e o stresse do dia-a-dia”, salienta.
“Carregamos novas pilhas, para começarmos de novo o ano mais purificados e com o espírito muito bom”, explica, concluindo, sem pestanejar: “Vale a pena”.
Depois da pausa para retemperar energias, os romeiros – dos 13 aos 56 anos de idade – põem-se novamente a caminho. Ao todo, percorrerão mais de 200 quilómetros, numa verdadeira jornada de fé."