segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Memória de Elefante dos Romeiros

Artigo publicado no Jornal "A União" do passado sábado.
“Nos Altares, que estão da banda do norte, na capitania da Praia, havia um homem, chamado Frutuoso Dias, que não sei se é ainda vivo, o qual, pelas Endoenças, desde a quinta-feira, despois de encerrado o Santíssimo Sacramento, até a sexta-feira, que se desencerrava, até se acabar o oficio do desencerramento, e as ermidas, começando em São Jorge e Danta Bárbora e acabando nos Altares, onde era freiguês, e o mesmo fazia Rodrigo Fernandes e Luis Fernandes, da freguesia das Lagens, pela qual razão é esta ilha mais forte e defensável, pois se pode correr toda ao redor em vinte e quatro horas, além das fortalezas e fortes que disse ter, afora outras que despois se fizeram.”[1]

Esta passagem fabulosa (termo usado por um irmão que aqui também o uso em sinal de grande amizade, para além de se enquadrar) serve de inicio a mais um artigo de opinião, não foi propositada para vincar bairrismos ou “mostrar ao mundo” que afinal na Ilha Terceira já se fizeram romarias há muito tempo, mas sim propositada para “mostrar ao mesmo mundo” que seguir Cristo é intemporal, independentemente do local ou ilha onde resida. Segui-lO, deverá ser um dever de qualquer Cristão porque só seguindo-O, poderemos almejar a vida eterna. Os romeiros seguem-nO durante todos os dias do ano, culminando na visibilidade da Quaresma.
Assim salvo outros manuscritos mais antigos, poderão ter sido estes três homens os primeiros romeiros desta Ilha de Jesus Cristo. Na altura faziam a romaria “apenas” por causa das doenças do corpo, usuais naquele tempo. Ontem como hoje, continuam a fazê-las por causa das doenças, no entanto, hoje (infelizmente) as doenças são em maior número do espírito.
Todos estes parágrafos até agora serviram de introdução ao tema que hoje pretendo aqui apresentar. É certo que há primeira vista o titulo poderá ser um pouco descabido, no entanto, serve que nem uma luva.

Diz-se que os elefantes têm uma excelente memória. Memorizam imensas coisas, ao ponto de saberem (após a sua longa vida), quando é chegada a hora de “partir”, onde se localiza o cemitério dos seus. Assim, põem-se a caminho durante longos dias até chegarem ao destino previsto. Os romeiros também são um pouco assim, isto é, não pensando na “hora de partir”, sabem onde se localiza a fonte da sua devoção e sabem de onde partiram. Sabem que Deus é Tudo e O Todo e também sabem que o descanso divino está na oração profunda e sentida, e nada melhor que orar em comunidade, no caso concreto, em romaria.
Como é belo (ainda que no resto do ano também) em romaria, orar o terço num canto dolente, quase nostálgico e choroso, mas ao mesmo tempo, profundo, sublime e melodioso. Como seria bom que todos os Cristãos se lembrassem de Deus todos os dias das suas vidas, como Ele se lembra de nós todos os segundos da Sua Eternidade. Os romeiros, conscientes desse facto, têm essa tal memória de elefante e não precisam de se lembrar de Quem lhes soprou a vida[2] porque já não são eles que vivem mas é Cristo que vive neles[3].
É também nessa memória de elefante que os romeiros oram por todos, mesmo sem saberem “quem são esses todos”, mas isso pouco ou nada importa. O que realmente importa é orarem, e não querendo dizer que eles são mais do que os demais Cristãos, faz-me lembrar uma passagem que li num livro, muito simples mas ao mesmo tempo cheia de tanta fé e, curiosamente, idêntica aos que os romeiros praticam, principalmente em romaria:
“Conta-se, num romance americano, a história de um famoso pregador que empolgava as multidões: «Diante do seu púlpito, um velhinho seguia fielmente todos os sermões. O pregador estava muito contente com o seu êxito. Um dia, apareceu-lhe um Anjo: “Felicito-te pelas tuas conferências… és excelente” Mas já reparaste num velhinho que vem sempre ouvir-te?” “Sim, já o vi”, respondeu o orador sagrado. Acrescentou o Anjo: “Fica então sabendo que ele vem, não para te ouvir, mas para rezar por ti. É graças às suas orações que os teus sermões fazem tanto bem aos fiéis”» [4]. Como seria bom que todos, sem excepção, rezássemos diariamente pelos outros, mesmo sem os conhecermos, mesmo sem os ouvirmos, mas convictos da nossa memória de elefante. Dentro da minha humildade possível de pecador, como os demais romeiros, “talvez seja” por essa atitude despojada de vanglória pessoal de cada um de nós, que os sermões do nosso irmão contra-mestre, façam tão bem aos fiéis naqueles 5 dias de romaria… “talvez seja!”
[1] Excerto da página 51 do Livro do Doutor Gaspar Frutuoso “ Livro Sexto das Saudades da Terra”. Escrita terminada por volta de 1590.
[2] Génesis 2-7
[3] Gálatas 2-20
[4] François Xavier Nguyen van Thuan – Testigos de Esperanza.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Romaria 2011

Rancho de Romeiros de Nossa Senhora da Conceição
Romaria 30 de Março a 3 de Abril

Reuniões:
19 de Janeiro de 2011
9 e 23 de Fevereiro de 2011
2, 16 e 23 de Março de 2011
Contactos: Irmão Mestre 962279343 e Padre Dolores 962921519

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

“Para que o Menino nos encontre olhando para Ele”, deve ser a atitude do romeiro


"No seguimento de um outro artigo de opinião aqui publicado, a última frase transcrita em rodapé da autoria de um monge Cartuxo “Procuremos todos rezar mais durante o Advento, para que o Menino nos encontre olhando para Ele”, tocou nas profundezas da minha alma, qual gota de água que cai de uma folha por cima de uma ribeira, e ao tocar na sua origem expande até ao infinito visível e invisível.
Tocou assim tanto, tendo em conta a fotografia acima inserida (utilizada em outro artigo), já que a mesma, por mera coincidência (ou talvez não) espelha a citada frase de maneira inequívoca.
Tocou-me e poderá também tocar outros irmãos romeiros (e não só) uma vez que, como romeiro assumido, por vezes ajo como se só existisse a Quaresma (ainda que seja um tempo próprio para a penitência e oração) isto é, como se o mais importante do ser Cristão/romeiro fosse a paixão, morte e ressurreição de Cristo, “esquecendo” assim o Seu nascimento e vida. Afinal de contas, o essencial de um Cristão está na forma do seu nascimento e nos ensinamentos que nos transmitiu durante a sua vida, principalmente nos últimos 3 anos. No entanto, não deixa de ser verdade que a Sua paixão, morte e ressurreição nos deverá relembrar que após esta vida, teremos uma outra, só que está será eterna e cheia de graça.
Realmente Deus podia ter escolhido outra forma para o Seu filho vir até nós e dar-se a conhecer a todos os homens, do género “popa e circunstância” mas não. Deus, ao contrário do habitual pensamento humano, “desceu da sua grandiosidade” e encarnou no seio da virgem Maria como uma criança frágil e indefesa. Como se isso não fosse, já por si, o bastante, isto é, reduzir-Se a um mero átomo, nasceu numa família humilde, com poucos recursos e no meio do nada aparente. Teve tudo o que era preciso mas, para os padrões desse tempo nada teve, materialmente falando. Sem dúvida alguma teve uma das maiores graças que se pode desejar ter, o Amor incondicional da sua mãe e de José. Teve ainda, para além dos reis magos, a presença, o carinho e o afecto dos pastores que por ali andavam com os seus rebanhos, homens que naquele tempo não eram tidos nem achados, no entanto foram estes mesmos homens os primeiros a ouvirem a boa nova. Olhando para este nascimento, peculiar em todos os sentidos, devemos ver com outros olhos, com outra visão a Natividade do menino. Não só com mais oração sentida, mas também com mais meditação nas leituras próprias para a época.
[1]
Quanto à sua vida muito haveria que dizer, mas para tal basta proceder à leitura do Novo Testamento, e quando refiro leitura, não será como quem lê um qualquer livro, mas sim uma leitura mais aprofundada, diria mais, uma leitura com os olhos da alma.
(…) para que o Menino nos encontre olhando para Ele”, segunda parte da frase citada no inicio, tão pequena e ao mesmo tempo de uma profundidade imensa já que, não basta rezar mais e melhor. Por vezes “encontrarmo-nos olhando para Ele” tem tanto ou mais valor do que uma oração porque, sermos nós mesmos verdadeiramente ao pé D`Ele, despojados de todas as nossas defesas, é um acto de amor e humildade, e nem sempre temos a coragem de O olharmos assim, olhos nos Olhos.
Finalizando, como Cristão/romeiro, a Quaresma tem a sua importância, no entanto, tratando-se do “fim” terreno de Nosso Senhor Jesus Cristo, não devo pôr só os olhos nesse “fim” quando, para perceber a abrangência (humanamente possível) dos actos de Deus, devo também olhar para o seu “inicio”, local onde tudo realmente começou.
Procuremos então rezar mais neste advento."

[1] Um documento alusivo que pode ser lido ou baixado em http://www.scribd.com/doc/44007680/Advento-2010-Final-c"
Artigo publicado no Jornal "A União" do passado Sábado.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Avé

"No dia 8 de Dezembro de 2010, uma testemunha de Deus apresentou-se na tua cidade, a uma pessoa com família e amigos, conhecedora da história dos seus antepassados; a pessoa tinha o teu nome.
Ao entrar na casa dessa pessoa, a testemunha de Deus disse - lhe: «Salve, o Senhor esteja contigo». Ao ouvir estas palavras, a pessoa perturbou-se e perguntou-se sobre o que significava tal saudação.
Disse-lhe a testemunha: «Não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de entender, amar e criar em nome de Jesus. E o que entenderes, amares e criares será grande porque é obra do Altíssimo. O Senhor Deus integrará o que entenderes, amares e criares no Seu Reino, que não terá fim.»
E a pessoa perguntou à testemunha de Deus: «Como será isso, se eu não tenho capacidade?» A testemunha respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, o que vai ser entendido, amado e criado será obra de Deus. Também os teus parentes e amigos entenderam, amaram e criaram embora muitos os achassem incapazes, porque nada é impossível a Deus.»
E a pessoa pode dizer, ou não, todos os dias: «Eis-me aqui Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E a testemunha de Deus retirou-se de junto da pessoa. "
Artigo da autoria do irmão Tomaz Dentinho publicado hoje no Jornal "A União"

domingo, 21 de novembro de 2010

Novena no Santuário de Nossa Senhora da Conceição/Reunião de Romeiros


Informam-se todos os irmãos que a próxima reunião será na 6ª feira dia 26 pelas 20:00.

Como Romeiros do Santuário de Nossa Senhora da Conceição e para além das reuniões preparatórias da romaria propriamente dita, temos o dever de, perante a Virgem Santíssima, nossa Padroeira, prestar-lhe condignamente a afeição que por Ela temos.

Assim sendo, devemos aceitar o humilde pedido da Nossa Senhora da Conceição, através das palavras do Padre Dolores, de estarmos presentes e marcamos presença, não só na Vigília na 1ª hora do dia 8/12, como também durante a Novena, que irá decorrer de 29/11 a 7/12.
- Como irá então ser isso? - Poderão perguntar aqueles irmãos que não puderam estar na última reunião por razões legítimas?
Para nós Rancho de Romeiros, Ela pretende que estejamos durante esta novena, no mínimo 14 elementos por dia, com o xaile, lenço e terços, pelas 19:15.
Sabendo que muitos de nós, por razões de força maior, não poderemos estar presentes todos os dias, e para aqueles que pelas mesmas razões não possam comparecer na próxima reunião, sugere-se que entrem em contacto com o Irmão Mestre ou o Padre Dolores, para confirmarem o dia ou dias que tenham disponibilidade, no intuito de estarem presentes todos os dias o mínimo solicitado pela nossa Mãe, e não por exemplo “hoje” 25 e “amanhã” apenas 7.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Reunião de Romeiros


Informam-se a todos os interessados, de que a próxima reunião de romeiros será no 19 do corrente mês, pelas 20:00, na Igreja da Conceição, onde estará também presente o nosso irmão contra-mestre Padre Dinis.